Revista Profissional do Exército dos EUA

Edição Brasileira

Como o Centro de Adestramento e Aprestamento Conjunto se Adaptou às Operações de Combate em Larga Escala?

Cel David Doyle e

Ten Cel Aaron Coombs, Exército dos EUA

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Carros de combate M1A2 Abrams patrulham áreas rurais durante exercício no Centro de Adestramento e Aprestamento Conjunto (JRTC), em Fort Polk, Louisiana. (JRTC, Exército dos EUA)

Sem iluminação e com quase 100% de humidade relativa do ar, durante uma sufocante noite de verão, o som pode ser ouvido muito longe. O barulho de viaturas blindadas Bradley e de carros de combate T-80 passando ruidosamente a oeste da “Estrada da Artilharia” contrasta com a fadiga dos soldados; o ruído inconfundível chega ao ouvido dos defensores conforme eles oscilam entre a consciência e a inconsciência. Então, em alguns momentos frenéticos, surge a coluna blindada dos “ariananos” e um volume crescente de fogos anticarro distorce os primeiros relatos da situação enviados pela rede de rádio de comando e de coordenação de fogos. Esses momentos breves e decisivos de engajamento de armas e quadros integrados caracterizam a operação defensiva da brigada de combate (Brigade Combat Team — BCT*), e o sucesso ou o fracasso de seus pelotões e companhias correspondem à consecução dos objetivos futuros dessa grande unidade: realizar o combate em profundidade, executar de forma integrada a coleta de informações e a condução de fogos conjuntos, e aprestar a força para a ação subsequente.

[*Brigade Combat Team (BCT) – conjunto de armas combinadas que consiste no elemento básico de emprego das formações táticas do Exército dos EUA (com base na definição constante do Department of Defense Dictionary of Military and Associated Terms, August 2018) — N. do T.]

Ao contrário da Força-Tarefa Smith, dos anos iniciais da Guerra da Coreia, as BCT de infantaria chegam ao Centro de Adestramento e Aprestamento Conjunto (JRTC, na sigla em inglês) bem preparadas, bem equipadas e bem treinadas para o ambiente de treinamento de “ação decisiva” e têm a distinta vantagem de serem capazes de aprender e aprimorarem-se por meio do adestramento, ao invés do combate. Em America’s First Battles, 1776–1965 (As Primeiras Batalhas dos EUA, 1776–1965, em tradução livre), os editores Charles E. Heller e William A. Stofft examinam a prontidão do Exército dos EUA durante os primeiros grandes eventos de combate de cada uma das suas guerras, desde a Revolução Americana até a Guerra do Vietnã1. Uma deficiência na doutrina, táticas, treinamento e prontidão geral das forças do Exército dos EUA, no início das operações de combate de larga escala, frequentemente resultaram na derrota no campo de batalha ou em vitórias custosas que estimularam a necessidade de adaptar-se e prevalecer no decorrer do conflito. Conforme as exigências impostas às BCT de infantaria têm mudado das operações de estabilização e de contrainsurgência para a preparação para as operações de combate em larga escala, o JRTC já se adaptou para prepará-las para os ambientes conhecidos, antecipados e prováveis, nos quais elas precisarão combater e vencer.

Quando assumiu a função de Comandante do Exército, em agosto de 2015, o Gen Ex Mark Milley estabeleceu a prontidão como sua prioridade número um, enfatizando a importância de que as unidades sejam capazes de “combater esta noite”, com pouco ou nenhum aviso prévio, contra um adversário com um poder de combate quase equiparado2. Embora o Manual de Campanha 3-0, Operações (FM 3-0, Operations) não defina explicitamente o termo “operações de combate em larga escala”, para este artigo, adotaremos aquilo que já está expresso em nossa doutrina: durante as operações de combate de maior envergadura, uma BCT de infantaria é apenas um elemento de uma operação terrestre que envolve várias divisões, combatendo como parte de uma força conjunta. Em um exemplo recente, a invasão do Iraque, em 2003, ilustra claramente que as BCT de infantaria são componentes importantes de uma campanha muito mais ampla, que pode incluir múltiplos comandos divisionários, operando como elementos de manobra.

No JRTC, a luta pelo país fictício de Atropia é a “primeira batalha” de cada BCT de infantaria. Uma oportunidade para se testarem em uma experiência decisiva que se aproxima da realidade, estimulando o crescimento necessário para se obter maior prontidão para o combate. O JRTC adestra as BCT de infantaria do Exército dos EUA para que possam lutar e vencer em uma operação de combate de larga escala, atendendo à orientação do Comando das Forças do Exército e do Comando de Instrução e Doutrina (TRADOC) dada aos centros de treinamento de combate. Este artigo, contudo, se concentra em três maneiras específicas que o JRTC fornece experiência decisiva que satisfaça à intenção do Comandante do Exército. Primeiro, os rodízios de ambiente de treinamento de ação decisiva do JRTC permitem que as unidades experimentem e aprendam com seus próprios fracassos. Segundo, o adestramento no JRTC ajuda as BCT de infantaria a questionar as premissas e a derrubar as expectativas que seus comandantes aprenderam durante as últimas décadas de operações de contrainsurgência. E, por fim, a estrutura do JRTC proporciona cenários “escalonáveis” e flexíveis, que criam incerteza enquanto otimizam os objetivos de treinamento das BCT de infantaria.

O Fracasso como um Estímulo

Enquanto o sistema de veículo aéreo não tripulado (VANT) Shadow da BCT monitora outro local, um destacamento de esclarecedores embarcados é surpreendido por um obstáculo de arame farpado com minas explosivas no lado extremo de uma curva e é destruído em poucos minutos por fogos de canhões 30 mm provenientes de duas viaturas de combate de infantaria BMP-2 [Boyevaya Mashina Pekhoty]. Os esclarecedores, destinados a missões desembarcadas com mísseis anticarro Javelin, estão mortos nas viaturas. Sem uma bateria de artilharia em apoio direto, sem flexibilidade para coordenar os fogos de morteiro e sem suficientes recursos de engenharia disponíveis para abrir uma brecha no obstáculo, horas se passam sem que haja progresso em direção ao objetivo de reconhecimento da tropa; o regimento é impedido por um inimigo que não pode ser ultrapassado ou derrotado.

O JRTC engloba aproximadamente 90.000 hectares de área de treinamento na porção centro-norte do Estado de Louisiana — muito do qual é o mesmo terreno utilizado pelo Gen Ex George Marshall durante as Manobras de Louisiana, em 1940–1941. O atual JRTC mantém seu compromisso histórico em relação às Manobras de Louisiana por meio do princípio fundamental que rege seu Grupo de Operações: “O JRTC é a experiência decisiva e derradeira de treinamento. Preparamos as unidades para que possam combater e vencer em ambientes mais complexos. Inspiramos profissionais. Gozamos de credibilidade e respeito”3. Os recentes rodízios de treinamento de ação decisiva no JRTC têm sido exercícios com múltiplos sucessos, bem como múltiplos fracassos, não muito diferentes das Manobras de Louisiana. As tropas bem lideradas demonstram proficiência e letalidade no nível pequenas unidades, mais ainda têm dificuldade com os 14 dias de imersão completa e com a grande complexidade das manobras e do apoio a uma BCT de infantaria em terreno restritivo. A integração dos meios de uma BCT de infantaria organizada para o combate segundo sua missão é desafiadora; raramente é obtida apropriadamente contra uma força oponente capaz e determinada, que não dá trégua e que exige que uma unidade concentre seus recursos para ter êxito.

Um dos métodos utilizados pelo JRTC para adestrar nossas BCT de infantaria é apresentando-lhes problemas de grande escala, replicados tanto quanto possível às condições de combate, e permitindo que elas se responsabilizem tanto por seus sucessos quanto por seus fracassos. Já se foi o tempo dos postos avançados de combate e das bases de operações avançadas. Não há mais pistas de instrução de situação [Tipo de treinamento que se concentra em uma única tarefa — N. do T.] que ensinam as técnicas de contrainsurgência mais atualizadas para as companhias, pelotões e soldados. Devido à experiência na ação decisiva, às condições ambientais e à ameaça inimiga híbrida extremamente bem equipada, as BCT de infantaria saem com uma percepção de si próprias e uma consciência dos ajustes que lhes fazem melhor preparadas do que um mero treinamento realizado na sede. Elas saem, também, com uma justa confiança acerca de sua prontidão para desafios futuros.

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O excepcional desempenho da 3a Divisão de Infantaria (3a Div Inf) e da 101a Divisão Aeroterrestre (101a) no início da Operação Iraqi Freedom, em março de 2003, é um excelente exemplo das unidades preparadas do Exército que ajudam a força conjunta a obter sua vitória. Essa preparação não foi desenvolvida rapidamente, foi construída bem antes de essas unidades atravessarem a linha de partida e era essencial para seu êxito. Graças a muitos anos de preparação para a manobra de armas combinadas e do adestramento conduzido por essas unidades, a 3a Div Inf e a 101a tiveram sucesso em desmantelar um exército maior, atingindo seus objetivos com baixas mínimas e fazendo isso com uma velocidade considerada impossível por muitos.

–Gen Ex Mark A. Milley, Exército dos EUA

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O que as BCT de infantaria aprendem frequentemente com seus fracassos em sua zona de ação é a dificuldade do controle de terreno e de movimento. Poucos sabem que os meios motorizados constantes dos quadros de organização e de distribuição de material se estendem por mais de 18,5 km quando colocados em intervalos de 20 metros. A maioria não foi treinada para acreditar que, embora uma área de apoio de brigada consuma mais de 8 hectares, ela pode ser escondida em uma mata e sobreviver a um inimigo determinado e capaz. Um número ainda menor de soldados reconhece a necessidade de posicionar, de forma provisória, postos de comando por breves períodos de tempo e planejar períodos de operação de, no máximo, 24 a 48 horas no mesmo local, a fim de salvaguardar as estruturas de comando e controle e, também, para sobreviver.

Quando os comandantes se vêm diante da frustração ou da falta de sincronização da BCT de infantaria, segue-se a adaptação. O método decisivo do JRTC permite que as unidades se desenvolvam além dos sucessos, porquanto analisam minuciosamente os fracassos, e experimentam, de primeira mão, as lições que lhes prepararão para as operações de combate em larga escala. Normalmente, antes do final de um rodízio de 14 dias, as unidades podem lidar melhor com os desafios das operações de combate em larga escala que lhes pareciam insuperáveis no primeiro ou segundo dia.

Superando as Expectativas da Contrainsurgência

Existem apenas dois tipos de planos no JRTC: aqueles que têm alguma chance de serem bem-sucedidos e aqueles que certamente não serão exitosos. Nesta noite, observadores de conduta e instrutores esperam ansiosamente pelo combate, a fim de testar se as forças azuis podem alcançar uma vitória. Nas horas de escuridão total, as forças oponentes sondam, avaliando as defesas. Elas agem mais rápido do que o tempo gasto para processar as missões de tiro das forças azuis e apresentam múltiplos dilemas, até a ação decisiva. Vítima da sua perspectiva obtida ao longo dos últimos 16 anos, a BCT depende demasiadamente da precisão ao invés da massa, e do controle positivo em vez dos controles processuais necessários para aplicar simultaneamente fogos terrestres e aéreos, a fim de derrotar forças inimigas em uma escala não enfrentada desde a invasão do Iraque, em 2003. O controle centralizado exercido por um posto de comando de BCT requer um longo tempo de execução e espera até que a fumaça das explosões se dissipe para que o terreno se torne visível novamente antes de desencadear mais fogos. De certo, isso não produzirá o volume de fogo necessário para uma vitória.

Semelhante às Manobras de Louisiana, em 1940–1941, os rodízios no JRTC requerem movimento e manobra em uma escala maior, além de melhor eficácia na integração das armas e quadros do que aquilo que já é praticado pela maioria das unidades. Nenhum rodízio é exatamente igual ao outro, mas todos, de uma maneira geral, envolvem alguns ataques de escalão BCT de infantaria; pelo menos uma defesa contra uma ameaça híbrida, incluindo forças motorizadas e blindadas; e um exercício de tiro real que inclui a manobra de duas companhias de cavalaria e de dois batalhões de infantaria com fogos de morteiros, artilharia orgânica, aviação de ataque e apoio aéreo aproximado; bem como um combate em profundidade que desafia a capacidade da BCT de infantaria de coletar informações, realizar a busca de alvos e desencadear fogos em profundidade. Ao longo de 14 dias, a BCT de infantaria reposicionar-se três ou quatro vezes, executando entre quatro e oito mudanças de posto de comando. É exigido que a unidade realize suas obrigações táticas, bem como seus requerimentos de colaboração com o comando da força-tarefa conjunta (JTF-21), um quartel-general simulado comandado por um general de duas estrelas, hipoteticamente encarregado de outras cinco brigadas independentes. A BCT de infantaria precisa cumprir tudo isso ao mesmo tempo que coordena os esforços de oito ou mais formações valor batalhão, regimento ou força-tarefa, além de vários outros recursos orientados para a missão, frequentemente, incluindo parceiros internacionais.

Militares do 2o Batalhão, 4o Regimento de Infantaria, avançam durante um exercício de tiro real no JRTC, em Fort Polk, Louisiana. (JRTC, Exército dos EUA)

Uma expectativa que o JRTC ajuda a BCT de infantaria a superar é que, diferente da maioria das experiências dessa grande unidade ao longo dos últimos 16 anos, ela não é o esforço principal, nem é responsável pela zona de ação mais importante — ela apoia as grandes unidades adjacentes dentro do cenário apresentado. Como resultado, a BCT de infantaria não pode depender sobremaneira dos recursos de apoio dos escalões superiores (Divisão e Corpo de Exército). Tampouco, ela pode conduzir seu próprio cronograma de execução, alheia ao contexto geral. Todas as ações da unidade no JRTC precisam ser incluídas dentro do mais amplo cenário. Por exemplo, a Figura 1 ilustra um rodízio recente, no qual a BCT de infantaria, alguns meios disponíveis e as forças de operações especiais adjacentes são representados em azul. Todas as outras unidades, no escalão JTF-21 e abaixo, são simuladas ou incorporadas no ambiente de treinamento sintético [sintético é composto de uma simulação virtual construtiva mais jogos de guerra — N. do T.] por meio de uma simulação construtiva, para fins de perspectiva e contexto.

Figura 1. Estrutura Recente da Força de Exercícios do Centro de Adestramento e Aprestamento Conjunto (JRTC). (Foto cortesia do JRTC, Exército dos EUA)

A BCT de infantaria talvez seja o foco do treinamento, mas ela não representa a preponderância do poder de combate. Complicando a situação, quase todas as atividades previstas durante um rodízio de ação decisiva são colocadas à prova, até mesmo os elementos de apoio se veem em contato diário com forças inimigas. A manobra é executada em terreno com poucas estradas pavimentadas e poucas áreas abertas — condições que não permitem a concentração de recursos aleatoriamente.

O emprego das leis do conflito armado e as regras de engajamento em um ambiente muito mais letal, também, é algo diferente das experiências vividas pelas BCT de infantaria até então. O emprego proativo e permissivo de fogos exige previsão, tanto para o ressuprimento quanto para as repetidas mudanças de posição, a fim de evitar fogos de contra-bateria e contra-morteiro ou ataque terrestre. As BCT de infantaria aprendem como “transformar a artilharia em um problema logístico”, conforme elas se sentem mais à vontade para realizar preparações e desencadear fogos não observados; executando fogos de contra-bateria com mais frequência; e aplicando grandes volumes de fogos de neutralização em apoio às manobras em áreas edificadas devido às imposições táticas. Em “Atropia”, o limite máximo de baixas de civis e de não combatentes é raramente superado, e quase nunca até aproximado devido às experiências dos comandantes no Iraque e no Afeganistão, desde 20094. A concentração e a capacidade de resposta dos fogos necessários para conseguir efeitos no JRTC exige planejamento centralizado e controles processuais claramente entendidos, que são apoiados por medidas de controle gráficas até o nível companhia. Esse entendimento comum permite a descentralização necessária para empregar morteiros, artilharia orgânica da BCT de infantaria, sistemas de armas de ataque e apoio aéreo aproximado, para engajar simultaneamente múltiplas formações inimigas.

Uma expectativa final associada às operações de contrainsurgência que o JRTC ajuda as BCT de infantaria a descartar é a dependência do apoio imediato, seja a evacuação aero-médica ou o reabastecimento de emergência em face de um consumo imprevisto de gêneros. Incapaz de planejar e prever, devido à falta de relatórios logísticos, o batalhão logístico (Combat Sustainment Support Battalion — CSSB) dedica rotineiramente a maioria dos seus meios e recursos para o reabastecimento de emergência de uma classe específica de suprimento, a fim de evitar o colapso da BCT. Um exercício logístico de reabastecimento de emergência, onde problemas militares simulados se sucedem um após o outro, é realizado no segundo dia de treinamento. Conforme o CSSB atrasa a entrega de suprimento classe V [munições de vários tipos], a prioridade imediata muda para o fornecimento de água para as unidades de cavalaria e de infantaria. O foco singular no suprimento de água por quase 48 horas, por sua vez, prejudica a entrega oportuna de material necessário para construir uma malha de obstáculos e estabelecer áreas de destruição para as operações defensivas. No final, um padrão contínuo de reabastecimento de emergência impede que a BCT obtenha e mantenha a iniciativa. Além disso, unidades empenhadas em ações ofensivas frequentemente sofrem centenas de baixas, com as taxas das companhias de vanguarda excedendo a capacidade disponível das evacuações médicas.

Muitas vezes, as unidades aprendem que a melhor coisa que se pode fazer para salvar a vida de um soldado é vencer o combate, ao invés de solicitar uma evacuação médica de nove procedimentos (“9 Line Medevac”). O empecilho mais comum para a evacuação de baixas e equipamentos, e o seu eventual retorno ao combate, é a incapacidade de se chegar até os feridos, os mortos e os equipamentos perdidos pela unidade. Ao longo da maior parte dos últimos 16 anos, esse procedimento não era problema e foi aceito como uma espécie de fato consumado.

Assim sendo, uma maneira que o JRTC prepara as BCT de infantaria para as operações de combate de larga escala é demonstrando que muitas das técnicas adotadas para as operações de contrainsurgência no Iraque e no Afeganistão, ao longo das últimas décadas, não são efetivas em um campo de batalha de alta intensidade e de maior letalidade.

Um Ambiente de Treinamento Flexível

O comandante de divisão observa a sala depois de analisar seu caderno verde. Insatisfeito como o progresso da BCT, ele pondera em voz alta se um esforço de reabastecimento de emergência proveniente de um recurso da força-tarefa conjunta, como o CSSB, além de conceder-lhes mais 24 horas, proporcionaria o tempo e os suprimentos necessários para completarem os trabalhos nas áreas de destruição e permitiria alcançar os objetivos principais de treinamento. Apesar da falta de previsão e da má gestão do tempo pela BCT, ela acabou de resolver seus problemas de comunicações e emitiu uma ordem; a oportunidade de treinamento é demasiadamente importante para ser desperdiçada. Sem hesitação, o comandante do grupo de operações concorda com o adiamento de 24 horas, desencadeando uma mudança de planejamento que tem impactos por todo o JRTC. O quartel-general da JTF-21, os observadores e avaliadores de conduta, os responsáveis pelos problemas militares simulados, os funcionários terceirizados de apoio e até mesmo o inimigo imediatamente se ajustam.

O JRTC, também, se adapta para ajudar unidades a se preparem melhor para as operações de combate de larga escala ao proporcionar um ambiente de treinamento flexível, com os melhores recursos para atingir quaisquer objetivos de adestramento da BCT de infantaria. Nenhum rodízio é semelhante a outro, cada um é adaptado para a unidade em adestramento. O acréscimo recente de 17.000 hectares de área de treinamento, que complementa os 15.000 hectares da Área de Adestramento Peason Ridge e os aproximadamente 52.000 hectares da Área Fullerton proporciona grande flexibilidade no design de cenários ao comandante do Grupo de Operações [O Grupo de Operações é responsável pelo planejamento, execução, observação e o controle de cada rodízio no JRTC — N. do T.]. O comandante, com um entendimento da intenção do comandante das Forças e orientado pelos objetivos de treinamento de um comandante de divisão, controla intensivamente o cenário por múltiplos meios. Fatores de influência incluem uma força oponente incomparável, uma célula do escalão superior, um cenário sintético mais amplo, forças de operações especiais, unidades adjacentes, problemas militares simulados que fornecem contexto às cidades e vilarejos de “Atropia” e uma equipe de observadores de conduta e avaliadores. O grau de controle e a capacidade de resposta permitem que o comandante do grupo de operações aumente ou reduza pressão sobre a BCT de infantaria através dos seus escalões e funções de combate, para expor as deficiências, reforçar os objetivos de treinamento e criar múltiplos dilemas para tirar o máximo proveito dos 14 dias de treinamento.

Engenheiros em apoio à 2a BCT, 10a Divisão de Montanha, constroem posições defensivas durante o exercício de adestramento no Centro de Adestramento e Aprestamento Conjunto (JRTC), em Fort Polk, Louisiana. (JRTC, Exército dos EUA)

Os observadores/treinadores dos oficiais superiores, junto com o treinador mais antigo (tipicamente o comandante ou subcomandante de Divisão) e a célula de controle do exercício se reúnem duas vezes por dia para avaliar o progresso da BCT de infantaria, fazer recomendações e ajustar o cenário para obter o máximo rendimento do treinamento. Essas análises resultam frequentemente em mudanças do cenário de treinamento dentro de 24 a 48 horas e permitem o emprego de todos os recursos para ajudar a BCT a cumprir suas obrigações perante o comandante do componente terrestre em um campo de batalha futuro. Entre os cenários recentes, houve dois assaltos aeroterrestres quase simultâneos, que ocorreram durante a execução de operações de entrada forçada [operações para capturar e controlar posições, como cabeças de ponte aérea ou cabeças de praia ou uma combinação dessas — N. do T.]; o adestramento de uma BCT Stryker, em janeiro de 2016; a inclusão de duas forças-tarefa de aviação diferentes, que apoiaram a força-tarefa conjunta e a BCT de infantaria; e o treinamento da 1a Brigada de Assistência às Forças de Segurança, antes do seu primeiro desdobramento.

O JRTC 2025 — Seu Desenvolvimento e Relevância

O JRTC não para de evoluir. Muito, ainda, precisa ser feito para proporcionar o melhor treinamento disponível a cada BCT de infantaria. Semelhante às BCT que passam pelo JRTC 10 ou 11 vezes por ano, o Centro é imperfeito, tem consciência disso e está sujeito a um constante estado de mudança e melhoria. O conceito “JRTC 2025” inclui um aumento do espaço útil de manobra por meio de mais redes rodoviárias, zonas de pouso e áreas de posicionamento nas recém-adquiridas áreas de treinamento Simpson, Kurthwood e Cold Springs (veja a Figura 2). Planos estão em andamento para expandir os exercícios de tiro real, permitindo incorporar a execução simultânea de todos os três batalhões de manobra de uma BCT de infantaria. O caminho a ser seguido inclui conceitos para uma rede digital tática que seja totalmente integrada, visando a abranger os meios disponíveis, as comunicações e as forças adjudicadas.

Figura 2. Expansão da Área de Treinamento no Norte. (Foto cortesia do JRTC, Exército dos EUA)

Essas mudanças não apenas melhorarão o treinamento de uma BCT de infantaria, mas também proporcionarão melhores oportunidades para tiros reais mais longos e operações de manobra mais abrangentes, necessárias para preparar nossas grandes unidades e seus futuros comandantes para as operações de combate de grande escala. Entre os próximos anos, o JRTC irá completar mais duas pistas de adestramento de batalhão ou regimento com tiro real e aumentar a participação de parceiros de coalizão nos ciclos de treinamento, do nível atual de companhia para o escalão batalhão. O rodízio futuro de ambiente de treinamento de ação decisiva — quando combinado com o aumento de companhias mecanizadas, de aviação, Stryker ou das companhias frequentemente alocadas de meios de engenharia, químicos, polícia do Exército e de assuntos civis — frequentemente incluirá mais de 6.000 militares, mais de 30 aeronaves e mais de mil veículos terrestres, tudo operando conjuntamente.

Conclusão

O JRTC já mudou seu design de cenário, expandiu sua área de treinamento — tanto real quanto sintética — e abandonou a tendência da última década de empregar pistas de instrução de situação de batalhão. Já identificou deliberadamente formas para treinar a BCT de infantaria a combater no seu escalão, para que possa integrar imediatamente e vencer nas operações de combate de larga escala. Ao prover uma experiência de treinamento decisivo às grandes unidades e permitir que elas analisem seus próprios fracassos, bem como seus sucessos; ao ajudá-las a superar as expectativas referentes às operações de contrainsurgência e desafiar as perspectivas obtidas ao longo dos últimos 16 anos, adotando um design de cenários flexível e adaptável, o JRTV continua a evoluir, para melhor preparar as BCT de infantaria para as operações de combate de maior envergadura. Embora ainda muito precise ser feito, o JRTC continuará a fornecer o que nossas BCT de infantaria do Exército necessitam para se desdobrarem por todo o mundo com pouca antecedência, se integrarem a uma Divisão de outros componentes terrestres, combater e vencer imediatamente como parte de uma força conjunta ante qualquer ameaça.


Referências

  1. Charles E. Heller e William A. Stofft, eds., America’s First Battles, 1776–1965 (Lawrence, KS: University Press of Kansas, 1986).
  2. Gen. Mark A. Milley, “39th Chief of Staff Initial Message to the Army”, Army.mil, 1 Sep. 2015, acesso em: 19 jun. 2018, https://www.army.mil/article/154803/39th_Chief_of_Staff_Initial_Message_to_the_Army; Chief of Staff of the Army, Memorandum for All Army Leaders, “Army Readiness Guidance, Calendar Year 2016–17”, 20 Jan. 2016, acesso em: 19 jun. 2018, https://www.army.mil/e2/downloads/rv7/standto/docs/army_readiness_guidance.pdf.
  3. Operations Group, Joint Readiness Training Center (website), última atualização em 4 Jun. 2018, acesso em: 19 jun. 2018, http://www.jrtc-polk.army.mil/ops/.
  4. O limite máximo de baixas de não combatentes é a quantidade designada de baixas civis que uma unidade pode infligir durante uma operação militar antes de buscar autorização do comando superior.

O Cel David S. Doyle, Exército dos EUA, é Comandante do Grupo de Operações do Centro de Adestramento e Aprestamento Conjunto (JRTC), em Fort Polk, Louisiana. É bacharel pela Academia Militar dos EUA, em West Point, e possui títulos avançados pela Escola de Estudos Militares Avançados e do National War College. Serviu em várias funções de comando e de estado-maior, incluindo o 3o Batalhão Rangers, o Pentágono e a Força-Tarefa Conjunta de Operações Especiais no Afeganistão. Serviu no Haiti, no Iraque e no Afeganistão.

Ten Cel Aaron Coombs, do Exército dos EUA, é aluno do U.S. Army War College e serviu recentemente como observador/treinador de Comando de Missão para BCT no JRTC. Desde sua graduação pela Academia Militar dos EUA, em 1997, serviu em várias unidades convencionais e de operações especiais, durante desdobramentos e treinamento, como oficial de infantaria.

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Primeiro Trimestre 2019