Revista Profissional do Exército dos EUA

Edição Brasileira

Primeiro Trimestre 2021

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dilema da reunificacao china taiwan

Como Combater a Campanha de Desinformação da China em Taiwan

Linda Zhang

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Uma mulher passa em frente a uma televisão na cidade de Nova Taipé, no dia 2 de janeiro de 2019, que mostra o presidente da China, Xi Jinping, fazendo um discurso em comemoração ao quadragésimo aniversário de uma mensagem enviada a Taiwan em 1979, afirmando que a unificação de Taiwan com o continente é “inevitável”. Xi alertou contra quaisquer esforços para promover a independência da ilha, dizendo que a China não renunciaria à opção de usar força militar para anexá-la. Xi continuou, dizendo que “Após a reunificação pacífica, Taiwan terá uma paz duradoura e as pessoas terão uma vida boa e próspera. Com o apoio da grande pátria, o bem-estar dos compatriotas de Taiwan será ainda melhor e seu espaço de desenvolvimento será ainda maior”. (Foto: Sam Yeh, Agence France-Presse)

A China quer mudar a opinião pública de Taiwan para que uma postura pró-unificação seja adotada. A República Popular da China (RPC) tem o objetivo de se unificar com Taiwan desde a Guerra Civil Chinesa de 1945-1949, e o kit de ferramentas de Pequim se expandiu desde os dias da Crise do Estreito de Taiwan, quando Mao Tsé-tung deu início aos duelos de artilharia. Hoje, Taiwan enfrenta ameaças quase constantes da China, inclusive contra a mídia e as redes sociais do país. Dentre todos os países do mundo, Taiwan é o que recebe a maior quantidade de desinformação divulgada por governos estrangeiros1. O risco de uma guerra convencional é real, mas a ameaça mais urgente para Taiwan vem dos ataques da China à independência da mídia e da distribuição de desinformação visando as eleições taiwanesas.

Definição e objetivo

Para os fins deste artigo, usaremos a definição da Science Magazine para a palavra desinformação: “informação falsa que é espalhada propositadamente para enganar as pessoas”2. Essa definição é popular entre os internautas e acadêmicos da RPC e é útil para entender a campanha de desinformação do país em Taiwan3. O objetivo da desinformação chinesa em Taiwan é convencer o povo taiwanês de que a unificação com a China é sua melhor (e única) opção. Isso toma forma em termos econômicos, onde os chineses argumentam que Taiwan ficaria melhor financeiramente com a unificação; relações exteriores, onde a China afirma que o governo taiwanês não pode oferecer serviços diplomáticos adequados e proteção aos seus cidadãos; e cultura, onde a China espalha desinformação sobre a elegibilidade para as Olimpíadas se os atletas competirem sob “Taiwan” em vez de “Taipei Chinês”4. A RPC também usa a desinformação para desacreditar indivíduos que, na percepção do governo chinês, ameaçam sua agenda. Os alvos dessas campanhas de desinformação vão do presidente taiwanês Tsai Ing-wen a aliados diplomáticos, celebridades, jornalistas e proeminentes apoiadores da independência de Taiwan5.

O kit de ferramentas da China

Os primeiros métodos de propaganda da China a cruzarem o Estreito de Taiwan incluíam o uso de megafones para transmitir anúncios e tocar música para encorajar deserções na década de 19506. A tecnologia e as táticas avançaram significativamente desde então, e a RPC começou o que chama de ‘guerra da informação’ (信息化战争) contra Taiwan no início dos anos 2000. A RPC encorajou empresários taiwaneses aliados a comprarem empresas de comunicação, comprou espaço publicitário das empresas de comunicação de Taiwan para influenciar a opinião pública e pressionou os proprietários dessas empresas que tinham investimentos na China para que parassem de publicar críticas à RPC7.

Devido aos seus recursos financeiros, a RPC fez progressos significativos ao se infiltrar na televisão e na mídia impressa de Taiwan, embora as entidades chinesas não possam ser proprietárias diretas de empresas taiwanesas de comunicação sem a aprovação do governo8. Em 2008, o empresário pró-Pequim Tsai Eng-meng, proprietário da empresa de salgadinhos Want Want, comprou o China Times Group, uma empresa de comunicação que possui um jornal e dois canais de TV9. Desde a compra, as notícias publicadas pelo The China Times assumiram um tom menos crítico em relação à China. Além disso, o veículo diminuiu sua cobertura de questões sobre direitos humanos no país10. As subsidiárias da Want Want na China receberam 2,9 bilhões de Novos Dólares Taiwaneses (NTD) — o equivalente a USD 96 milhões — em subsídios do governo da RPC entre janeiro de 2017 e março de 2018, indicando a influência do país sobre empresários como Tsai11. No campo das redes sociais, a RPC fez “investimentos” ainda mais diretos ao comprar contas de redes sociais de políticos taiwaneses e influenciadores12. Fan pages com grande quantidade de seguidores mudaram repentinamente para o chinês simplificado e começaram a contribuir para a viralização da desinformação propagada pela RPC (os taiwaneses usam caracteres chineses tradicionais). As contas de influenciadores no Professional Technology Temple (PTT), um fórum de discussão local, foram vendidas por até USD 6.500 antes das eleições de 201813.

As operações de influência da RPC também usam plataformas de redes sociais para espalhar conteúdo pró-unificação e contra o Partido Democrático Progressista (PDP). O YouTube, especificamente, é uma plataforma popular entre os usuários de internet taiwaneses, e a desinformação no YouTube se tornou um grande vetor de ameaça desde que o Facebook e o Twitter se tornaram mais proativos na remoção de conteúdo falso14. A desinformação no YouTube é, geralmente, mais deliberada, pois é mais difícil criar e editar um vídeo do que escrever uma postagem ou fazer um meme. No entanto, Puma Shen, professor assistente da National Taipei University, observa que as operações da China no YouTube não são muito sofisticadas. Alguns vídeos destinados ao público taiwanês, por exemplo, ainda tinham caracteres simplificados em suas legendas ocultas (closed caption ou CC)15.

Alguns exemplos recentes de desinformação chinesa nas redes sociais incluem:

  • Postagens no PTT alegando que o consulado chinês resgatou turistas taiwaneses presos no Japão durante o tufão Jebi, em setembro de 2018, mas apenas se eles se identificassem como “chineses”16. A desinformação tinha como objetivo despertar a ira da opinião pública contra o consulado de Taiwan e retratar o governo taiwanês como incapaz de resgatar seus cidadãos. A história terminou tragicamente quando Su Chii-cherng, diretor do escritório de representação diplomática de Taiwan em Osaka, Japão, cometeu suicídio após receber críticas on-line por não fornecer assistência suficiente aos cidadãos taiwaneses17. O endereço IP das postagens originais do PTT foi rastreado e descobriu-se que elas foram feitas de Pequim18.
  • Postagens “revelando” que o governo de Taiwan mentiu sobre o número de casos e mortes de covid-19 em Taiwan19. Essas publicações foram uma tentativa de desacreditar a forma como o governo taiwanês está lidando com a pandemia da covid-19, especialmente após os próprios erros de Pequim em sua resposta inicial à pandemia. Essas postagens apresentavam características linguísticas de terem originado na RPC, e algumas até foram escritas inteiramente em chinês simplificado20.
  • Uma postagem no LINE (um aplicativo de mensagens popular em Taiwan) que alegava que o governo do presidente Tsai Ing-wen tiraria as pensões das pessoas se elas viajassem para o exterior sem uma declaração. Esse é outro exemplo da tentativa de desacreditar o governo do PDP. O artigo original foi rastreado até uma “fazenda de publicações” na China21.

Por último, a RPC usa a influência econômica sobre os meios de comunicação taiwaneses. Jornais que veiculam anúncios de entidades comerciais da RPC tendem a ter uma mensagem mais pró-Pequim22. A SET, uma importante estação de televisão a cabo, chegou a transmitir um talk show político chamado Dahua Xinwen, que era favorável ao PDP. A rede começou a restringir os tópicos permitidos no programa após a eleição do candidato do Kuomintang (KMT), Ma Ying-jeou, em 2008, e também passou a proibir discussões sobre o Massacre da Praça da Paz Celestial, Dalai Lama, Falun Gong e críticas mais amplas à China. A SET cancelou o Dahua Xinwen em maio de 2012, meses após o início das negociações com as autoridades chinesas sobre a transmissão de seus dramas para a televisão na RPC23. Em relação aos veículos de comunicação on-line, os canais pró-independência são quase sempre bloqueados na China, enquanto os canais pró-unificação são acessíveis. Isso afeta a capacidade dos meios de comunicação pró-independência de gerar receitas de publicidade on-line24.

As táticas de desinformação da RPC aproveitam as fraquezas do panorama dos veículos de comunicação de Taiwan. Em primeiro lugar, o ambiente dos veículos de comunicação taiwaneses é altamente polarizado, sendo fácil explorar questões polêmicas como a reforma da previdência e o casamento entre pessoas do mesmo sexo25. A desinformação sobre essas questões pode ser doméstica, complicando ainda mais as questões de atribuição26. Taiwan tem um alto nível de liberdade de imprensa e um cenário de comunicação competitivo. Esses indicadores criam um ambiente no qual a RPC pode espalhar desinformação com pouco risco de censura ou penalidade27. Além disso, Taiwan tem um número gigantesco de usuários da internet; em dezembro de 2018, 93% da população de Taiwan navegava na internet28. Mais de três quartos da população de Taiwan usam seus smartphones para ter acesso a notícias29.

Nesta imagem de 27 de abril de 2012, as páginas dos jornais rivais de Taiwan, Apple Daily (em cima) e The China Times (embaixo), mostram seus proprietários em uma luta pela propriedade de uma grande parte dos veículos de comunicação de Taiwan. O magnata da mídia de Hong Kong, proprietário do Apple Daily e feroz crítico da China, Jimmy Lai, denunciou o fato de o presidente do Want Want Group, Tsai Eng-meng, tentar comprar um sistema de rede local de TV a cabo em um negócio de USD 2,4 bilhões que aumentaria significativamente sua influência em Taiwan e sua estatura na China. Tsai, que tinha grandes interesses comerciais na China, foi franco sobre seu objetivo de tentar monopolizar a mídia em Taiwan para promover a anexação do país à China. (Foto: Associated Press)

Atribuição de autoria

Como acontece com qualquer esforço para combater a desinformação, a atribuição de atividades malignas nas redes sociais pode ser difícil. Mesmo que seja possível identificar uma postagem como tendo originado na China, ainda é difícil dizer se ela foi feita por um autor independente ou provém de um esforço governamental organizado. Há evidências de que parte da desinformação e notícias falsas sobre a covid-19, por exemplo, teve origem em um esforço popular, proveniente de um sentimento de raiva dos chineses pelos taiwaneses por causa da decisão do governo de Taiwan de limitar as exportações de máscaras para a China, não tendo partido de um ataque do governo30.

No entanto, há fortes indicadores de um esforço liderado pelo governo chinês para afetar as eleições e o discurso social de Taiwan. Ainda que não seja possível atribuí-los à China de modo definitivo, rumores de que as principais companhias aéreas não estavam mais aceitando o passaporte da República da China como prova de identidade para voos internacionais são consistentes com os temas e táticas de desinformação da RPC31. As ações recentes documentadas da RPC em Hong Kong usam táticas do mesmo manual e defendem temas semelhantes — uma meta de unificação e o entendimento de que qualquer coisa que se oponha à unificação seja entendida como interferência externa (estadunidense) ou terrorismo32.

Qual é a resposta de Taiwan?

Taiwan não tem ficado parada enquanto a RPC expande sua operação de influência no ecossistema de comunicações do país. Tanto o governo taiwanês quanto a sociedade civil intensificaram os esforços para combater a desinformação ao banir as plataformas on-line chinesas, aprovando legislação sobre interferência eleitoral, organizando esforços para verificar os fatos e educando o público sobre a alfabetização midiática.

A ação mais direta que Taiwan tomou contra a China foi banir determinadas plataformas on-line chinesas no mercado taiwanês, como a iQIYI (plataforma de vídeo do Baidu) e a Tencent Video. O governo do PDP cita a prevalência da disseminação da desinformação para influenciar as eleições presidenciais de janeiro de 2020 como a razão para essas proibições. No entanto, as proibições geraram preocupações com relação à liberdade de expressão, e sua eficácia é discutível, já que a RPC pode simplesmente enviar conteúdo de desinformação no YouTube ou Twitch, plataformas que permanecem acessíveis e são populares entre o público taiwanês33.

Taiwan está educando seus cidadãos como parte de uma estratégia de longo prazo de combate à desinformação.

O governo taiwanês também enfrentou a campanha de desinformação da China por meio de outras ações executivas e legislativas. O Ministério da Justiça criou a Força-Tarefa de Big Data e Opinião Pública. As instituições de segurança, incluindo o Ministério da Defesa Nacional e o Conselho de Segurança Nacional, coordenaram grupos de resposta à desinformação chinesa34. O Yuan Legislativo, órgão legislativo de Taiwan, aprovou leis em resposta à interferência da RPC nas eleições de 2018. A Lei de Regulação da Radiodifusão Pública, aprovada em 2019, abordou a governança, responsabilidade e independência financeira de conselhos para grupos de radiodifusão pública35. O legislativo também atualizou a Lei de Manutenção da Ordem Social para criminalizar a disseminação de desinformação on-line36. Uma medida mais notável foi a aprovação da Lei Anti-Infiltração, pelo legislativo taiwanês, duas semanas antes da eleição presidencial de 2020, impedindo que “forças hostis externas” fizessem doações políticas, espalhassem desinformação, organizassem eventos de campanha ou interferissem de alguma outra forma nas eleições37. Embora a lei não mencione a China diretamente, seu alvo são atores chineses e cidadãos taiwaneses com conexões com a China38. A nova lei já conseguiu eliminar a Master Chain, um veículo de comunicação pró-China com conexões chinesas de financiamento39, do mercado taiwanês.

Taiwan tem uma sociedade civil ativa e engajada na luta contra a desinformação. As organizações da sociedade civil que trabalham com desinformação incluem:

  • O Taiwan FactCheck Center (TFC), uma iniciativa sem fins lucrativos lançada em 2018 pela Association for Quality Journalism e Taiwan Media Watch. De acordo com o site do centro, ele não aceita doações de governos, partidos políticos e políticos para, assim, manter sua independência40.
  • A Fakenews Cleaner, uma organização sem fins lucrativos fundada após as eleições taiwanesas de 2018 e que ensina alfabetização midiática para idosos. Os voluntários da organização realizam oficinas presenciais em centros comunitários e centros para a terceira idade para preencher a lacuna geracional no uso de redes sociais41.

Por último, Taiwan está educando seus cidadãos como parte de uma estratégia de longo prazo de combate à desinformação. A educação é um indicador-chave de resiliência a notícias falsas, e a educação para a alfabetização midiática, especificamente, é eficaz para ajudar os indivíduos a identificar a desinformação e a notícia falsa42. No estudo de Joseph Kahne e Benjamin Boyer sobre jovens nacionalmente representativos (com idade entre 15 e 27 anos) nos Estados Unidos da América (EUA), os participantes que relataram mais conhecimento em alfabetização midiática também foram os que mais consistentemente notaram a diferença entre as postagens baseadas em evidências e as desinformações que foram mostradas43. Assim como Finlândia, Suécia e Holanda, três países que têm a classificação mais alta no Índice de Alfabetização Midiática do Open Society Institute (que cobre apenas a Europa), Taiwan tem um currículo de alfabetização midiática nas escolas para ensinar os alunos sobre alfabetização digital, desinformação e notícias falsas44. Audrey Tang, ministra digital taiwanesa, apoia a alfabetização midiática como a ferramenta mais útil para educar as pessoas na identificação de desinformação e notícias falsas45.

Uma reportagem da Chung T’ien Television (CTi) de 23 de abril de 2019 exibe um mapa que mostra Taiwan como parte da China. A CTi é uma importante rede de TV a cabo de propriedade do Want Want China Times Media Group. Isso atraiu muitas críticas do público taiwanês em resposta ao noticiário. O canal foi multado várias vezes pela Comissão Nacional de Comunicação de Taiwan por transmitir informações imprecisas e difamatórias. Muitos pediram que a CTi fosse novamente multada por relatórios imprecisos e tendenciosos que eram favoráveis à RPC. (Captura de tela da CTi)

Estudo de caso: eleições de 2018 e 2020 em Taiwan

As eleições locais “nove em um” de Taiwan, em novembro de 2018 — algo semelhante às eleições de meio de mandato nos EUA — foram uma grande perda para o PDP. O KMT reverteu os resultados das eleições de 2014 e venceu em 13 das 20 jurisdições46. Esse foi um resultado ideal para a RPC, que vinha aumentando a pressão contra Taiwan desde a eleição de Tsai Ing-wen (PDP) para presidente, em 2016. Tsai renunciou ao cargo de presidente do PDP após a derrota47.

É impossível atribuir a derrota eleitoral do PDP diretamente à interferência de Pequim, mas a desinformação pode ter sido eficaz em exagerar as rupturas existentes na política taiwanesa, incluindo questões LGBTQ e a divisão urbano-rural48. O governo Tsai estava bem ciente das tentativas da RPC de interferir nas eleições e alertou o público em suas próprias plataformas de redes sociais49. Em outubro de 2018, o Ministério da Justiça investigou casos de campanhas de candidatos que supostamente recebiam financiamento do governo chinês ou de suas organizações afiliadas50. Apesar desses esforços, a conscientização pública sobre o problema ainda caminha a passos lentos. Uma pesquisa realizada uma semana após as eleições constatou que 52% dos entrevistados não acreditam que houve interferência externa nas eleições ou não sabem o suficiente sobre o assunto para julgar51.

O governo taiwanês aprendeu as lições necessárias com a eleição de 2018 e foi bem-sucedido em conter a campanha de desinformação da RPC na eleição seguinte. Nas semanas anteriores à eleição legislativa de 2020, Tsai soou novamente o alarme sobre a desinformação patrocinada pela RPC na mídia e redes sociais taiwanesas52. Em resposta, o governo de Taiwan fortaleceu suas instituições: cada ministério taiwanês criou uma equipe para detectar campanhas de desinformação e responder rapidamente com uma contranarrativa. O governo criou um Departamento de Segurança Cibernética muito bem financiado para proteger sites e bancos de dados contra hackers53. Taiwan também trabalhou com empresas de redes sociais para educar o público sobre conteúdo falso nas plataformas. O Facebook, por exemplo, começou a marcar artigos falsos com uma correção do Centro de Checagem de Fatos de Taiwan e alertar os usuários que compartilharam o artigo que ele continha informações erradas54. O Ministério da Justiça multou indivíduos e empresas de radiodifusão que compartilharam notícias falsas55. Essas medidas, junto com eventos externos, impulsionaram Tsai à reeleição em uma vitória esmagadora contra o candidato do KMT Han Kuo-yu, e o PDP manteve sua maioria no Yuan Legislativo56.

O que os EUA fizeram?

Os EUA e Taiwan já estão fortalecendo a cooperação no combate à desinformação em Taiwan. Em dezembro de 2016, o Congresso dos EUA criou o Centro de Engajamento Global (Global Engagement Center, GEC) para combater a propaganda e a desinformação externas57. O GEC tem colaborado com Taiwan como parte desses esforços58. Em abril de 2019, o GEC aceitou pedidos de financiamento para empregar esforços de contrapropaganda com base em crowdsource em Taiwan.59 O GEC também patrocinou um Desafio Tecnológico EUA-Taiwan — uma competição aberta às empresas para ganharem uma verba do GEC usada para combater propaganda e desinformação na região. A Trend Micro Taiwan, uma empresa que trabalha com segurança da informação junto ao Gabinete de Investigação Criminal de Taiwan, ganhou o prêmio máximo de USD 175.00060.

Taiwan provou ser capaz de combater o uso da desinformação pela RPC para interferir nas eleições de 2020, mas a RPC não está recuando.

Como medida mais extensiva, os EUA aprovaram uma legislação bipartidária que amplia seu compromisso com as relações EUA-Taiwan. A Lei de Viagens de Taiwan, que entrou em vigor no início de 2018, permite que as autoridades estadunidenses se reúnam com suas contrapartes taiwanesas e que as autoridades taiwanesas de alto escalão entrem oficialmente nos EUA e se reúnam com as autoridades estadunidenses61. A Lei da Iniciativa de Proteção e Melhoria das Alianças de Taiwan (TAIPEI, na sigla em inglês), aprovada em 2019, exige que o Departamento de Estado relate ao Congresso as medidas tomadas anualmente para ajudar a fortalecer as relações diplomáticas e parcerias de Taiwan em todo o mundo62. Essas leis reforçam o apoio dos EUA à democracia de Taiwan e protegem a posição internacional do país.

Como os EUA podem ajudar?

Taiwan provou ser capaz de combater o uso da desinformação pela RPC para interferir nas eleições de 2020, mas a RPC não está recuando. Recentemente, a RPC tem espalhado desinformação sobre a covid-19 em Taiwan para desacreditar o governo taiwanês, e podemos ter certeza de que esses esforços continuarão. Os EUA podem apoiar Taiwan das seguintes maneiras:

Apoiar as relações entre empresas de redes sociais sediadas nos EUA e o governo e grupos da sociedade civil de Taiwan. As plataformas de redes sociais mais populares em Taiwan são empresas sediadas nos EUA. O Facebook e o YouTube eram os dois principais veículos de comunicação para usuários da internet de Taiwan (em janeiro de 2019), e o Facebook Messenger, Instagram, Twitter e WhatsApp também estavam entre os oito primeiros. O WeChat era o único aplicativo chinês da lista, e apenas 32% dos usuários da internet relataram utilizar a plataforma63. Twitter, Google e Facebook já estão trabalhando com o governo de Taiwan para identificar notícias falsas em suas plataformas. Os EUA devem encorajar esses esforços estabelecendo um canal oficial de cooperação e tornando públicos os dados ou pesquisas resultantes que possam ajudar os pesquisadores estadunidenses e taiwaneses a atribuir desinformação à RPC e educar melhor os cidadãos taiwaneses na identificação de notícias falsas.

Baybars Örsek (em cima), diretor da International Fact-Checking Network no Poynter Institute, se reúne com verificadores de fatos de Taiwan em dezembro de 2019 para uma oficina no Taiwan FactCheck Center em Taipei. (Foto: Twitter de Baybars Örsek, @baybarsorsek, https://twitter.com/baybarsorsek/status/1202562487591112704)

Aumentar o apoio financeiro para grupos da sociedade civil taiwanesa que lutam contra a desinformação. Embora nem todas as organizações sem fins lucrativos de checagem de fatos de Taiwan aceitem doações de governos estrangeiros, os EUA devem aumentar a disponibilidade de subsídios financeiros para aquelas que desejarem recebê-los. Ao terem acesso a recursos adicionais, essas organizações podem aumentar sua eficácia por meio de determinadas ações, como oferta de treinamento para seus voluntários, contratação de mais funcionários em tempo integral para supervisionar e organizar seus esforços e disponibilização de mais recursos ao público para ajudá-lo a navegar pelos cenários tradicionais e de redes sociais de Taiwan.

Facilitar a construção de relacionamento entre Taiwan e países europeus, como Finlândia e Letônia, que combatem a desinformação com sucesso. Taiwan não é o único aliado dos EUA que enfrenta a ameaça de manipulação social hostil. Os aliados da Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN) e a União Europeia (UE) enfrentam uma ameaça de desinformação elaborada e dirigida pela Rússia. O Centro de Excelência em Comunicações Estratégicas da OTAN administra um programa de treinamento em técnicas avançadas de contrapropaganda para ajudar os Estados-membros a analisar e combater a propaganda russa na Europa Oriental64. A UE criou a Força-Tarefa East StratCom em 2015. A força-tarefa “desenvolve produtos de comunicação e campanhas focadas em explicar melhor as políticas da UE nos países da Parceria Oriental (Armênia, Azerbaijão, Belarus, Geórgia, Moldávia e Ucrânia) […] apoia esforços mais amplos da UE com o objetivo de fortalecer o ambiente da mídia na região da Parceria Oriental [e] relata e analisa tendências de desinformação, explica e expõe narrativas de desinformação e aumenta a conscientização sobre desinformação proveniente da Rússia, de fontes russas e propagação na mídia do espaço oriental”65. Ao estabelecer um fórum para facilitar o diálogo entre Taiwan e seus aliados e parceiros europeus, os EUA podem ajudar nos esforços taiwaneses de combater a influência chinesa e dar a Taiwan a oportunidade de um envolvimento internacional mais profundo.

A desinformação, a interferência eleitoral e a guerra de informação são problemas globais que não se limitam a Taiwan, e as organizações internacionais e não governamentais estabelecerão regras e normas para a governança da internet e comunicações sem fio.

Buscar cooperação no desenvolvimento de inteligência artificial (IA) para ajudar a combater a desinformação. A checagem de fatos hoje ainda é um processo predominantemente manual, mas Taiwan já começou a usar IA para detectar notícias falsas, identificando e excluindo conteúdo automaticamente66. É fundamental que Taiwan esteja à frente nessa corrida tecnológica. A China usa IA para gerar e espalhar desinformação, e sua capacidade de fazer isso só vai melhorar67. A RPC poderia desenvolver IA com capacidade para gerar desinformação mais rápido do que Taiwan pode identificá-la, e Taiwan deve manter uma vantagem tecnológica em IA contra a RPC para preservar seu ambiente de mídia independente. As empresas de tecnologia também podem usar IA para identificar as origens da atividade de desinformação e coletar dados sobre a prevalência da desinformação da China68.

Treinar um forte grupo de falantes de mandarim que possam estudar táticas de desinformação chinesas e envolver parceiros taiwaneses. Estudos têm mostrado que o uso da linguagem na sátira, trotes e propaganda é diferente do que nas notícias reais69. Um forte domínio do idioma e da cultura é fundamental para compreender a desinformação e desenvolver táticas eficazes de resposta. Os EUA devem treinar e contratar mais analistas que falem chinês e que possam trabalhar com equipes taiwanesas para monitorar a atividade das redes sociais taiwanesas e identificar a desinformação. Esses linguistas também podem trazer de volta as melhores práticas para a luta estadunidense contra a desinformação chinesa e interferência eleitoral. Taiwan, como o principal alvo da desinformação da China, entende a guerra de informação chinesa melhor do que qualquer outra nação, e ter um forte grupo de linguistas fluentes em mandarim no governo pode ajudar os EUA a acessar essa riqueza de conhecimento.

Defender a participação de Taiwan em organizações internacionais. A desinformação, a interferência eleitoral e a guerra de informação são problemas globais que não se limitam a Taiwan, e as organizações internacionais e não governamentais estabelecerão regras e normas para a governança da internet e comunicações sem fio. A China, sem dúvida, pressionará por regras de acordo com seus próprios interesses e valores autoritários70. Taiwan é um aliado dos EUA nessa conversa, e os EUA deveriam apoiar a participação de Taiwan nas Nações Unidas para que pudesse se envolver nas discussões sobre essas resoluções.

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Combater e Derrotar a Propaganda e Desinformação Chinesas

A propaganda comunista chinesa e a desinformação sincronizada com outras iniciativas agressivas, como a iniciativa ‘Um Cinturão, Uma Rota’ (Belt and Road Initiative) da China, têm o potencial de manipular a percepção mundial sobre Pequim, distorcer a imagem dos EUA globalmente e remodelar as normas e valores internacionais sobre direitos humanos, estado de direito e conceitos de soberania nacional. Com o interesse de expor as malignas metodologias de propaganda da China, o estudo de caso “Combatting and Defeating Chinese Propaganda and Disinformation” (“Combater e Derrotar a Propaganda e Desinformação Chinesas”, em tradução livre) analisou as tentativas da China de controlar as eleições presidenciais e legislativas de Taiwan em 2020. O estudo analisou as capacidades e vulnerabilidades de desinformação da China ao detalhar como Taiwan foi capaz de anular a eficácia das campanhas de informação contra os oponentes da influência comunista chinesa no país. O estudo visa a promover uma compreensão mais completa de tais operações de desinformação para permitir que o governo dos EUA proteja melhor o país contra a interferência da China em suas eleições, bem como outras instituições socioeconômicas e sociopolíticas, e se oponha às narrativas do Partido Comunista Chinês em todo o mundo. Para ler o estudo, acesse https://www.belfercenter.org/publication/combatting-and-defeating-chinese-propaganda-and-disinformation-case-study-taiwans-2020.

Em particular, os EUA devem encorajar a participação de Taiwan em futuras discussões sobre questões de segurança na infraestrutura de comunicações. O governo taiwanês reconhece as redes 5G construídas na China como uma ameaça à cibersegurança de Taiwan, e qualquer empresa que entre pela porta dos fundos, como a Huawei, pode incapacitar Taiwan em um conflito militar. À luz dessas preocupações, Taiwan escolheu a Nokia (Finlândia) e a Chunghwa Telecom (Taiwan) para fornecer suas primeiras redes 5G71. Taiwan também proibiu o uso de equipamentos da Huawei e ZTE por funcionários do governo72. Ao participar de discussões internacionais, como a Conferência de Segurança 5G de Praga, Taiwan seria capaz de compartilhar essas preocupações sobre segurança diretamente com os países europeus.

Uma maior participação em organizações internacionais também permitiria que Taiwan tivesse melhores informações para tomar decisões políticas internamente e combater a desinformação propagada por Pequim. Um exemplo recente e notável disso é a falta de participação de Taiwan na Assembleia Mundial da Saúde, o órgão de tomada de decisões da Organização Mundial da Saúde. A participação na Assembleia Mundial da Saúde teria permitido que Taiwan tivesse acesso a mais informações sobre a covid-19, em vez de passar por Pequim ou depender dos EUA para obter informações e recursos73.

Conclusão

Embora sempre haja a ameaça de uma guerra convencional, a RPC representa uma ameaça mais urgente ao panorama da mídia de Taiwan em sua busca pela reunificação. A influência maligna da RPC na mídia tradicional taiwanesa e a capacidade de espalhar propaganda e desinformação nas redes sociais ameaçam a liberdade de imprensa e o processo democrático de Taiwan. O governo e a sociedade civil de Taiwan responderam à ameaça da RPC de maneiras inovadoras. Os EUA ajudaram Taiwan a combater a propaganda e a desinformação da RPC por meio do GEC e devem continuar a fazê-lo conectando Taiwan a empresas e aliados, aumentando o apoio financeiro para os esforços de Taiwan no combate à desinformação e defendendo sua participação em organizações internacionais.


Referências

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Linda Zhang é pesquisadora associada do American Enterprise Institute, estudando Economia, Economia Política e Segurança Chinesa. Foi pesquisadora junto à Comissão Executiva do Congresso sobre a China, tendo recebido a bolsa Liu Xiaobo, e assistente especial da U.S.-China Strong Foundation. Zhang tem mestrado em Estudos Estratégicos pela Johns Hopkins School of Advanced International Studies, curso de extensão em Estudos Chineses pelo Hopkins-Nanjing Center e bacharelado em Relações Internacionais e Economia pela Boston University.

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