Revista Profissional do Exército dos EUA

Edição Brasileira

Segundo sua Própria Lógica

A Arte Operacional Russa na Campanha da Síria

Ten Cel Nicholas Sinclair, Exército dos EUA

Baixar PDF Baixar PDF

Integrantes das forças russas e sírias montam guarda ao lado de cartazes dos Presidentes Bashar al-Assad e Vladimir Putin na passagem de Abu Duhur, localizada na fronteira oriental da Província de Idlib, na Síria, 20 Ago 2018. Os habitantes locais utilizavam a passagem para entrar nos territórios controlados pelo regime, alguns deles retornando às suas aldeias, que haviam sido recapturadas pelas forças do governo naquele mesmo ano. (Foto de George Ourfalian, Agence France-Presse)

O plano deve basear-se, exclusivamente, na realidade.

—Aleksandr Svechin


O êxito da campanha russa na Síria parece ter superado todas as expectativas. No início, muitos no Ocidente pensaram que a Rússia estava “fadada a fracassar”1. Contrariando a crença geral, os russos alcançaram seus objetivos estratégicos a um custo relativamente baixo em apenas três anos e meio. Como conseguiram fazer isso? A resposta consiste na aplicação hábil da arte operacional. Os russos planejaram a campanha na Síria com base nos cinco elementos do raciocínio militar russo: (1) análise histórica, (2) tendências, (3) visão prospectiva e previsão, (4) formas e métodos e (5) correlação de forças e meios. Esse raciocínio dialético gerou um plano viável e realista, que alcançou os objetivos estratégicos russos de estabilizar o regime do Presidente sírio Bashar al-Assad e aumentar o prestígio de Moscou em âmbito internacional. Este artigo tem por objetivo descrever a lógica singular do pensamento militar russo e deduzir como foram aplicados os cinco elementos citados à campanha na Síria. A compreensão desse raciocínio ajuda a elucidar o planejamento estratégico militar russo e a execução de suas campanhas militares. Este artigo descreve contribuições russas para o pensamento militar e examina a guerra na Síria a partir de uma posição principalmente tática. O termo “arte operacional”, conforme empregado neste artigo, refere-se à definição adotada pelas Forças Armadas dos EUA; fornece o contexto e infere que a experiência síria faz parte da análise de sistemas militares russa2.

Objetivos Estratégicos e Arte Operacional

Os objetivos estratégicos da Rússia servem de ponto de partida para entender sua concepção de campanha na Síria. Sua Estratégia Nacional de Segurança de 2015 relaciona dois objetivos estratégicos específicos aplicáveis à Síria: o primeiro é a segurança por meio do “fortalecimento da defesa do país”; o segundo se concentra no reconhecimento internacional e na dignidade nacional mediante a “consolidação do status da Federação Russa como uma potência mundial líder, cujas ações estão voltadas à manutenção da estabilidade estratégica […] em um mundo policêntrico”3.

O primeiro objetivo estratégico, a segurança, está profundamente arraigado nas mentes da liderança russa. Thomas Wilhelm, Diretor do Foreign Military Studies Office — FMSO (Escritório de Estudos Militares Estrangeiros), no Forte Leavenworth, observou que essa característica nacional leva o governo russo a preferir uma abordagem controlada para combater o caos4. A instabilidade que se espalhou com as “revoluções coloridas” causou uma preocupação específica à liderança russa, que normalmente culpa o Ocidente de instigar levantes e deixar o caos em sua esteira intencionalmente. Esses levantes frequentemente levam à turbulência regional e estimulam o fundamentalismo islâmico, que recebe apoio na região do Cáucaso da Rússia. Ao apoiar o regime de Assad, Moscou conferiu estabilidade à região, prevenindo um cenário de Estado falido, como no caso da Líbia, e negando áreas de refúgio a até 5 mil combatentes islâmicos naturais da Rússia5.

O orgulho nacional é o segundo objetivo estratégico da intervenção russa na Síria. Ao manter o regime de Assad no poder e estabilizar o país, a Rússia seria vista como uma respeitada grande potência, capaz de neutralizar os objetivos globais nocivos dos Estados Unidos da América (EUA), criando uma ordem mundial “policêntrica”. A recuperação do prestígio russo é um tema constante para o Presidente Vladimir Putin. Em 2005, ele observou que a queda da União Soviética havia sido “a maior catástrofe geopolítica do século”6. Essa perspectiva ressalta a importância do orgulho nacional, considerando que o século XX também assistiu às duas Guerras Mundiais e dezenas de milhões de pessoas que foram brutalizadas pelo comunismo.

Esses dois objetivos estratégicos, segurança e orgulho nacional, constituem a base sobre a qual o estado-maior geral russo criou sua arte operacional em apoio à campanha na Síria. O planejamento russo exige que os planejadores realizem uma avaliação ponderada da situação subjacente ao ambiente operacional. Em outras palavras, os russos enxergam o possível campo de batalha do futuro tal qual ele é, e não como eles gostariam que fosse.

O pensamento estratégico russo é profundamente impregnado de conceitos dos teóricos da “batalha em profundidade” do início do século XX — em particular, Aleksandr Svechin7. Svechin propunha que, antes do início das hostilidades, eram necessários um entendimento histórico, objetivos realistas e uma preparação intensa para uma campanha militar específica8. O Chefe do Estado-Maior Geral da Rússia, Valery Gerasimov, elogiou a abordagem singular do teórico soviético para entender o ambiente operacional, citando-o diretamente: “O excelente estudioso militar soviético A. Svechin escreveu: ‘É extraordinariamente difícil […] prever uma situação de guerra. Para cada guerra, é preciso formular uma linha especial de comportamento estratégico; cada guerra representa um caso específico, que requer o estabelecimento de sua própria lógica, e não a aplicação de algum padrão estereotipado’”9. Nota-se que a filosofia de comando de Gerasimov foi influenciada, claramente, por Svechin, quando ele afirmou: “Cada guerra é um caso singular, que demanda o estabelecimento de uma lógica particular, e não a aplicação de algum modelo”10. Wilhelm observou que os planejadores militares russos querem lidar com a incerteza da guerra e chegar a um plano que seja calculável e coerente11. O modelo do FMSO para esse processo incorpora os objetivos estratégicos da autoridade de comando nacional, a fim de gerar um plano em conformidade com os cinco elementos cognitivos básicos da arte operacional: análise histórica, tendências, visão prospectiva e previsão, formas e métodos e correlação de forças e meios. A análise de cada um desses mecanismos possibilita um entendimento básico da intervenção russa na Síria.

O Presidente russo Vladimir Putin (à esquerda) brinda com o Ministro da Defesa Sergei Shoigu no Kremlin, após cerimônia de condecoração de militares que haviam combatido na Síria, 28 Dez 2017. (Foto de Kirill Kudryavtsev, Agence France-Presse)

Análise Histórica

Svechin destacou a importância do estudo de história, afirmando: “Isolar-se de uma base histórica é algo perigoso tanto para o estrategista quanto para o político”12. O ex-Vice-Ministro de Defesa Andrei Kokoshin enfatizou esse ponto, asseverando: “Toda a obra de Svechin é impregnada da ideia de que é necessário que o estrategista reflita continuamente sobre a história”13. Svechin acreditava ser necessário conjugar as esferas política e militar para desenvolver um entendimento abrangente do ambiente. Afirmou: “Os leitores interessados em estratégia encontrarão mais observações intelectualmente instigantes na história política das guerras passadas que em estudos militares, particularmente os chamados ‘ensaios estratégicos’”14.

Os pensadores estratégicos russos contextualizam os acontecimentos em uma visão de mundo política e histórica centrada na Rússia. George Kennan, embaixador norte-americano na União Soviética durante a Guerra Fria e autor de “Sources of Soviet Conduct” (“As Fontes da Conduta Soviética”, em tradução livre), propôs a ideia de que as vulnerabilidades geográficas e a história de invasões violentas da Rússia haviam criado uma postura paranoica e de “soma zero” nas mentes de seus governantes15. Os russos colocam a segurança e a estabilidade acima de todo o resto. Isso talvez explique por que os líderes russos se sentem ameaçados pelos esforços de mudança de regime e revoluções coloridas apoiadas pelo Ocidente, especialmente em países que faziam parte da União Soviética anteriormente. Os líderes russos enxergam as mudanças de regime apoiadas pelo Ocidente no Kosovo, Sérvia, Iraque, Líbia e Venezuela como esforços de desestabilização que contribuem para um mundo de sofrimento humano, que é, por fim, voltado à própria Rússia.

A Guerra do Kosovo liderada pelos EUA, em 1999, afetou profundamente o pensamento russo sobre a guerra contemporânea. Até então, a Rússia era uma integrante secundária e relutante das forças de manutenção da paz comandadas pelos EUA nos Bálcãs. A Rússia, ainda leal aos seus irmãos eslavos na Sérvia, defendeu os interesses sérvios, apesar da relativa deficiência militar e econômica russa. As regras mudaram quando os EUA apoiaram as repúblicas dissidentes dos kosovares islâmicos, com ataques aéreos liderados pela OTAN e sem uma ordem da Organização das Nações Unidas (ONU). A Rússia acredita que os EUA fomentaram uma revolta populista, a qual apoiaram sob o pretexto de estarem conduzindo operações humanitárias; forneceram apoio militar na forma de armas e treinamento; controlaram a dimensão informacional por meio do domínio sobre a mídia; e evitaram o envolvimento direto de tropas terrestres mediante o emprego de ataques aéreos conjuntos e multinacionais16.

Utilizando a análise histórica, os líderes russos olharam para a guerra civil na Síria e concluíram que o governo sírio entraria, inevitavelmente, em colapso, se a Rússia não interviesse. Um desastre humanitário provavelmente viria em seguida, à semelhança do Iraque e da Líbia, inundando a região com pessoas deslocadas e conflitos sangrentos e intermináveis. Segundo avaliaram, uma campanha bem-sucedida na Síria preveniria essa instabilidade ao mesmo tempo que aumentaria o prestígio internacional da Rússia e neutralizaria os interesses dos EUA. Ao atuar em defesa de seu antigo país-cliente, a Rússia estabilizaria a região e demonstraria ao mundo que honra seus compromissos perante seus aliados.

A Rússia também viu a possibilidade de uma intervenção bem-sucedida na região como uma oportunidade para expandir sua zona-tampão ao sul. A Síria é um ponto de apoio lógico que se estende pelos parceiros comerciais, integrantes da Organização do Tratado de Segurança Coletiva e parceiros de outros tratados, em um esforço flexível de cooperação17. Se a Síria fracassasse — pensaram os líderes russos —, a Turquia decerto estaria em risco, colocando o problema próximo da Rússia. Além disso, o ímpeto para o envolvimento também adveio, em parte, dos supostos laços ancestrais russos com a região, que são uma mistura de folclore e realpolitik. A Rússia vê a si mesma como a herdeira natural do Império Bizantino e seu legado religioso cristão ortodoxo, fortemente vinculado à Igreja Cristã Ortodoxa Síria, o qual englobava a região no passado. Portanto, a Rússia, de certa forma, enxergou seu envolvimento na Síria como uma espécie de cruzada religiosa, destinada a proteger a igreja síria e a cultura ortodoxa por ela promovida. Entretanto, de um ponto de vista realista, a possibilidade do estabelecimento de bases na Síria, com fácil acesso ao Mediterrâneo, era vista como uma oportunidade para superar, de certa forma, as limitações impostas pela geografia inóspita da Rússia, que a deixa presa em gelados portos árticos ou atrás dos Estreitos Turcos. Em consequência, parte do ímpeto para o envolvimento russo decorreu dos acordos de longo prazo previstos para o uso da Base Aérea de Khmeimim e do porto no mar Mediterrâneo em Tartus, na Síria, o que estenderia o alcance operacional da Rússia até o Mediterrâneo Oriental, sul da Europa e norte da África.

Visão Prospectiva e Previsão

Com os objetivos gerais da Rússia em mente, sua campanha na Síria oferece informações valiosas sobre as perspectivas da liderança russa acerca da condução da guerra moderna. A ênfase doutrinária na visão prospectiva e na previsão descreve como os teóricos russos da arte operacional pensam sobre a futura guerra, considerando os contextos atuais. As forças armadas russas definem a visão prospectiva como “o processo de cognição quanto a possíveis mudanças em assuntos militares, a determinação das perspectivas de seu futuro emprego”18. Em seu livro, Forecasting in Military Affairs: A Soviet View (“A Previsão em Assuntos Militares: Uma Visão Soviética”, em tradução livre), publicado na era soviética, Yu. V. Chuyev e Yu. B. Mikhaylov declaram que o “objetivo da previsão, que estabelece o que pode ocorrer no futuro e em que condições, é minimizar o efeito das incertezas sobre os resultados das decisões tomadas no presente”19. Em seu artigo para a revista Military Thought, os autores V. V. Kruglov e V. I. Yakupov captam a natureza essencial da previsão ao afirmarem: “Hoje em dia, desencadear ou envolver-se em um conflito sem certificar-se de que se sairá vitorioso ou pelo menos com condições aceitáveis é algo que só as pessoas sem visão de futuro ou os aventureiros podem se arriscar a fazer”20. A visão prospectiva e a previsão descrevem a natureza do conflito.

Com respeito à Síria, os aspectos considerados no processo de visão prospectiva e previsão provavelmente incluíram a análise da guerra civil entre múltiplas partes dentro do país. Entre os atores estavam o regime de Assad e as milícias que o apoiavam, como o Hezbollah; os combatentes patrocinados pelos EUA, como os curdos e o Exército Livre da Síria; e grupos fundamentalistas islâmicos, como o Estado Islâmico (EI). A campanha na Síria pôs em relevo o desafio da distância e da projeção de poder. Os adversários da Rússia abarcavam o espectro que ia desde as primitivas milícias do EI até as forças armadas extremamente avançadas do Ocidente, apoiadas por armas de alta tecnologia.

O ponto forte do planejamento militar russo consiste em quem a Rússia apoia. Por exemplo, a Rússia apoiou a Síria, um governo estabelecido, legítimo e reconhecido internacionalmente, que tinha o respaldo de grande parte de sua população. Assad não só gozava de legitimidade, apesar da cobertura negativa da mídia no Ocidente, mas também mantinha um Exército permanente e um governo operacional nas regiões sob seu controle. Assim, a Rússia apoiou um dirigente que trabalhava de terno e barba feita e era proficiente em inglês e formado no Ocidente.

Em contrapartida, as campanhas norte-americanas no Iraque e no Afeganistão derrubaram governos e buscaram promover repúblicas democráticas ao estilo do Ocidente em regiões violentamente contrárias aos princípios da civilização ocidental. Em consequência, os EUA apoiaram uma variedade de milícias cujas filiações duvidosas com o fundamentalismo islâmico e efeitos desestabilizadores sobre outros países do Oriente Médio, como Turquia e Iraque, prejudicaram ainda mais os objetivos norte-americanos na região.

Tendências

As tendências são as formas pelas quais um país alcança um objetivo militar. Por exemplo, a guerra do século XVIII estava centrada em exércitos de manobra pequenos e profissionais, que se apoiavam em depósitos, poupando a zona rural habitada pela população civil. A guerra do século XIX tinha como tendência os exércitos de grande porte, as guerras de aniquilação e a destruição da região campestre. As tendências da guerra do início do século XX eram a mecanização e o combate de armas combinadas. Uma tendência atual é comumente designada, no Ocidente, de guerra híbrida ou guerra de nova geração. Inicialmente, a guerra de nova geração foi interpretada, equivocadamente, como uma forma nova e diferente de guerra concebida pelos russos. Contudo, Bartles demonstrou que a guerra de nova geração é um termo que os pensadores russos empregaram para descrever os métodos militares indiretos e assimétricos usados pelo Ocidente no final da década de 1990 e início da década de 200021. Em um artigo republicado pela Military Review, Gerasimov propõe que a guerra contemporânea tem, como tendências, o fato de não ser declarada, estar voltada à mudança de regime, apresentar caráter não militar, incluir a destruição da infraestrutura civil, ser de curta duração, ocorrer em todos os ambientes físicos e ser caracterizada pela grande maneabilidade, simultaneidade, ação unificada e emprego de munições guiadas de precisão22. Portanto, as tendências russas podem ser identificadas como contramedidas para as ações norte-americanas. Como os EUA são vistos como instigadores de métodos indiretos e assimétricos, o plano russo na Síria consistiu em combater o que a Rússia considerava como tendências norte-americanas de guerra híbrida. O artigo de A. A. Bartosh na revista Military Thought corrobora essa linha de raciocínio: “A brilhante operação de unir a Crimeia à Rússia e a campanha na Síria demonstram a eficiência das estratégias não lineares russas contra a guerra híbrida”23.

Um bombardeiro de longo alcance Tu-22M3, das Forças Aeroespaciais Russas, executa um ataque aéreo contra objetivos do Estado Islâmico, perto de Abu Kamal, na Província de Deir Ezzor, Síria, após sobrevoar o Iraque e o Irã, 1 Nov 2017. A aeronave atacou fortificações e depósitos de munição e armamento dos insurgentes, enquanto caças Su-30SM (não incluídos na foto) davam cobertura aos bombardeiros. (Foto cedida pelo Ministério da Defesa da Rússia)

Na Síria, havia cinco tendências principais que eram contrárias aos objetivos da Rússia e influenciaram sua arte operacional. A primeira tendência a ser neutralizada foi a mudança de regime. Os líderes ocidentais presumiram que o regime de Assad fosse cair. O Presidente Barack Obama exigiu a renúncia de Assad em agosto de 2011, dizendo: “Para o bem do povo sírio, chegou a hora de o Presidente Assad renunciar”24. Entretanto, Putin buscou impedir que as revoluções coloridas se alastrassem, auxiliando seu aliado sitiado no Oriente Médio com apoio militar direto no segundo semestre de 201525. Em 2018, o escritor russo e especialista militar Ye. O. Savchenko afirmou que os “EUA não alcançaram seus objetivos na Síria, entre outros fatores, porque a situação sofreu uma reversão na segunda metade de 2015, quando a Rússia começou a prestar apoio militar lícito ao governo sírio”26.

A segunda tendência oposta pela Rússia foi a influência de atores não estatais. Os russos desconfiam das organizações não governamentais (ONGs), cujas operações são vistas como uma forma de representação clandestina em apoio a objetivos ocidentais27. O governo Obama gastou quase US$ 10 bilhões na Síria (sendo uma grande parcela canalizada pelas ONGs regionais)28. Essas ONGs foram deslegitimadas pela mídia russa, sendo-lhe constantemente negado o acesso ao território sob o controle sírio. Savchenko afirmou que “a dinâmica de combate na Síria entre setembro e dezembro de 2017 indica que os EUA vêm prestando apoio pelo menos indireto à organização terrorista Estado Islâmico”29.

A terceira tendência enfrentada pela Rússia foi uma coalizão internacional contra a Síria. Os EUA tentaram atrair aliados regionais para o seu lado, a fim de fortalecer sua posição e isolar Assad30. A Rússia frustrou as tentativas dos EUA de obter a aprovação da ONU e neutralizou as alianças norte-americanas na região por meio da ampliação de parcerias diplomáticas e militares com a Turquia, Arábia Saudita, Iraque e Israel31.

A quarta tendência combatida pela Rússia foi o apoio a forças proxy, ou “por procuração”. Já em 2012, o governo Obama reconheceu uma coalizão de grupos de oposição sírios, que receberam apoio militar e financeiro32. Como contramedida, os primeiros ataques aéreos da Rússia em prol do regime de Assad foram dirigidos principalmente contra os rebeldes apoiados pelos EUA33.

A quinta e última tendência enfrentada pela Rússia foi a questão de evitar o envio de forças terrestres de grande porte. Em seus esforços para economizar meios na Síria, a Rússia valeu-se de unidades marítimas e aéreas e de forças especiais e de empresas militares privadas, o que deixou a maior parte do combate terrestre a cargo do próprio Exército árabe sírio e de seus aliados libaneses do Hezbollah apoiados pelo Irã34. A Rússia compensou essa falta de efetivos no terreno com um forte apoio de comando e controle. Em março de 2018, Gerasimov afirmou: “Todos os comandantes de tropas de distritos militares, exércitos de armas combinadas e unidades da Força Aérea e Defesa Antiaérea; quase todos os comandantes de divisão e mais da metade dos comandantes de brigada e regimento de armas combinadas, junto com seus estados-maiores, adquiriram experiência em combate [na Síria]”35.

Formas e Métodos

As formas são geralmente entendidas como tipos de organização (ex.: “governo como um todo”, multinacionais, conjuntas), enquanto os métodos incluem técnicas aplicadas a armas contemporâneas e princípios de guerra (ex.: armas hipersônicas, sistemas aéreos não tripulados, guerra eletrônica e guerra híbrida)36. Em Russia Military Strategy: Impacting 21st Century Reform and Geopolitics (“Estratégia Militar Russa: Exercendo Impacto sobre a Reforma e Geopolítica do Século XXI”, em tradução livre), Timothy Thomas, analista sênior do FMSO, escreveu que as formas e métodos “têm relevância direta para a forma pela qual as forças armadas tiram proveito da natureza mutável da guerra, assim como para o modo pelo qual a futura guerra será conduzida”37. Segundo as formas e métodos vigentes, os russos determinaram o que eles enviariam para a Síria e como combateriam.

A principal forma (organização) que a Rússia enviou para a Síria foram as Forças Aeroespaciais Russas, uma força-tarefa conjunta, combinada e interagências. Embora seja comum para as Forças Armadas dos EUA, esse tipo de operação representa algo especial para a Federação Russa. A natureza especializada das Forças Aeroespaciais Russas para os pensadores russos é observada no seguinte trecho de V. A. Kiselyov: “Um novo elemento na formação operacional para um combate envolvendo as diferentes forças singulares poderá acabar sendo o escalão de ataque aeroespacial, o que ajudará a resolver o problema de apoio de combate às ações de agrupamentos de tropas terrestres a partir do espaço aéreo”38. O emprego de fogos conjuntos foi de especial interesse e exigiu significativa reflexão por parte dos planejadores russos. O. V. Sayapin, O. V. Tikhanychev e N. A. Chernov afirmaram, em um artigo para a revista Military Thought: “A análise das práticas em guerras e conflitos armados locais da segunda metade do século XX e início do século XXI demonstrou o maior papel da destruição do adversário por fogos”. Entre as técnicas estão o reconhecimento e ataque e o reconhecimento e fogos, semelhantes à metodologia de busca de alvos norte-americana. A forma de executar a destruição do adversário por fogos é um sistema interforças de reconhecimento com capacidades de ataque e fogos, algo que os autores admitiram ser difícil para a força-tarefa conjunta implementar na Síria, devido a um inimigo com enorme mobilidade, estrutura não convencional e o uso de áreas edificadas de não combatentes como abrigo39.

Da mesma forma, os métodos russos parecem centrar-se em sua capacidade tecnológica, com a imitação do modelo norte-americano no Kosovo. A maior parte do envolvimento cinético da Rússia foi a partir do espaço aéreo, por meio de forças aéreas ou navais. Embora os resultados sejam questionáveis, a campanha na Síria permitiu que se realizassem testes de armas de precisão, incluindo salvas de foguetes do Mar Cáspio como uma demonstração da capacidade russa.

Diferentemente das empresas contratadas norte-americanas Blackwater ou Triple Canopy, que proveram, predominantemente, segurança de local fixo ou comboio, as empresas militares privadas são aparelhadas como forças-tarefas de armas combinadas, exercendo um papel significativo no combate terrestre da Rússia.

As forças de operações especiais e as tropas mercenárias também são componentes importantes das forças armadas russas. Suas forças especiais oferecem soluções de busca de alvos baseados no solo para meios aéreos e marítimos, enquanto as empresas militares privadas fornecem uma força terrestre russa imponente, sem a possibilidade de responsabilização do governo russo. Diferentemente das empresas contratadas norte-americanas Blackwater ou Triple Canopy, que proveram, predominantemente, segurança de local fixo ou comboio, as empresas militares privadas são aparelhadas como forças-tarefas de armas combinadas, exercendo um papel significativo no combate terrestre da Rússia40.

O emprego de defesa antiaérea pela Rússia é, obviamente, uma resposta ao poder aéreo ocidental, pois os rebeldes sírios e o EI não dispõem de nenhum tipo de contingente aéreo. Os sistemas de defesa antiaérea russos não só têm a tarefa imediata de apoiar a campanha na Síria, como também servem para estender a capacidade antiacesso/negação de área da Rússia em uma região onde os EUA gozaram de supremacia aérea nas últimas três décadas41. As vastas redes cibernéticas e de guerra eletrônica da Rússia atacam os sistemas ocidentais diariamente. Conforme afirmou o Gen Richard D. Clarke, Comandante do Comando de Operações Especiais dos EUA, “Estamos operando no ambiente de guerra eletrônica mais agressivo do planeta por parte de nossos adversários”42.

Militares russos em viaturas blindadas patrulham uma rua em Aleppo, na Síria, 2 Fev 2017. Os planejadores operacionais russos, ao que parece, limitaram o requisito de suas tropas terrestres, centrando-se, em vez disso, em preparar e apoiar o governo sírio e as forças iranianas a serem utilizadas como principais elementos de manobra e ataque. A presença russa em operações de combate envolveu, predominantemente, bombardeios aéreos, apoio aéreo aproximado, transporte e fogos indiretos a partir de elementos terrestres e navais, além de prover apoio logístico e de comunicações. (Foto de Omar Sanadiki, Reuters)

Correlação de Forças e Meios

A correlação de forças e meios diz respeito à natureza científica e matemática da qual os russos se valem para buscar a certeza e a previsibilidade. Embora estejam bastante cientes do elemento de acaso que acompanha todo empreendimento militar, os russos reduzem o maior número possível de incertezas para obter um nível de risco administrável. A correlação de forças e meios é uma abordagem subjetiva/objetiva para medir o poder de combate relativo de dois ou mais contendores. Leva em consideração variáveis como tipo de unidade, equipamento, treinamento, efetivos e moral.

A correlação de forças e meios da Rússia provavelmente levou em consideração as forças sírias de Assad, o Hezbollah, as forças rebeldes apoiadas pelos EUA e os contingentes militares dos EUA, Turquia, Israel e Iraque. A composição de meios russa indica a designação de diferentes missões para diferentes forças. Por exemplo, as forças russas proveram ataques aéreos em apoio às tropas terrestres sírias e do Hezbollah para derrotar as forças rebeldes apoiadas pelos EUA e o EI, mas neutralizaram as forças norte-americanas, turcas e israelenses com sistemas de defensa antiaérea e guerra eletrônica. Diplomaticamente, mediante o comércio militar no exterior, a Rússia está fragmentando a aliança da OTAN, com a venda de seu sistema de defesa antimísseis S-400 para a Turquia, uma ação que, segundo os EUA, prejudicaria as vendas de caças F-35 de quinta geração43. A Rússia se opôs aos EUA oferecendo à Turquia seu próprio caça de quinta geração, o Su-57, uma demonstração clara de como a presença militar russa, por si só, obriga o Ocidente a ajustar sua abordagem em relação ao Oriente Médio44.

Ao se inserirem no espaço de competição, os líderes russos sabiam que o Ocidente teria de respeitar sua presença (presumindo que nenhum dos dois lados queira arriscar uma escalada de tensões em relação à Síria). Dois acontecimentos indicam a delicada posição militar da Rússia na Síria: o abate, em 2015, de uma das aeronaves russas Su-24 por caças turcos F-16 perto da fronteira entre a Turquia e a Síria; e a vitória dos EUA sobre as forças mercenárias russas em 2018, que resultou em cerca de 300 baixas45. Os russos trataram de não escalar as tensões, porque a força que eles enviaram à Síria não estava configurada para a condução de combates terrestres em larga escala contra as Forças Armadas da Turquia ou dos EUA. O Royal United Services Institute, um instituto de pesquisa independente localizado na Grã-Bretanha, mantém uma das estimativas mais detalhadas sobre as forças russas enviadas para a Síria no início da campanha46. Sem contar as forças mercenárias, os russos mantinham menos de 2.500 militares em apoio às operações terrestres, cerca de 55 aviões e 20 helicópteros em apoio às operações aéreas e por volta de 41 embarcações no mar. Essa força relativamente pequena — em comparação à experiência norte-americana na região — demonstra uma estimativa precisa das forças necessárias para alcançar os objetivos de campanha.

Análise da Arte Operacional Russa na Síria

A aplicação da arte operacional conectou tarefas táticas a objetivos estratégicos segundo a “lógica” adequada para a Síria. A arte operacional deu aos russos um plano coerente, previsível e confiável para intervir, com sucesso, na guerra e mudar seu curso. A arte operacional alcançou os objetivos estratégicos com um sucesso maior do que o previsto, possibilitando que o EI fosse, de modo geral, derrotado; que Assad permanecesse no poder e consolidasse seus ganhos; que o alcance operacional russo se estendesse para o Oriente Médio, sul da Europa e norte da África; que a aliança da OTAN se fragmentasse; que os objetivos dos EUA fossem frustrados; e que a Rússia despontasse como uma força a ser considerada nos assuntos internacionais. Ainda não se sabe a história completa da intervenção da Rússia, mas o sucesso inicial alcançado pela Rússia e Síria levou Putin a anunciar a vitória da primeira campanha no final de 201747.

A análise histórica levou os russos a acreditarem que as revoluções coloridas derrubariam seu aliado na região e espalhariam a instabilidade até as fronteiras da Rússia. A visão prospectiva e a previsão permitiram que os russos enxergassem, até certo ponto, a natureza do conflito como uma guerra civil entre múltiplas partes e como o apoio a Assad seria a opção estratégica decisiva no teatro de operações. As tendências predominantes consideradas pela Rússia eram comumente relacionadas à guerra de nova geração, levando em consideração as operações de informação, as forças paramilitares, as organizações humanitárias e uma abordagem do governo como um todo para influenciar a campanha militar. A análise de formas e métodos proporcionou a força conjunta certa para o teatro de operações sírio. Mediante o uso da economia de meios, a Rússia evitou o envolvimento prolongado da força terrestre em favor de multiplicadores para apoiar a infantaria da Síria/Hezbollah. A correlação de formas e meios previu, corretamente, o êxito russo em poder de combate relativo no longo prazo, com a derrota de forças rebeldes e neutralização das forças norte-americanas.

Conclusão

O êxito na implementação da arte operacional na Síria levará, sem dúvida, a práticas adicionais ao longo da periferia da Rússia, como na Ucrânia e nos países bálticos, e em regiões globais, como Oriente Médio e América Latina. O emprego inteligente de forças militares em apoio a objetivos estratégicos se baseia em avaliações realistas e objetivos alcançáveis. Isso não quer dizer que a Rússia seja imbatível. Além de ter uma economia menor que a dos EUA e forças armadas que não foram concebidas para serem projetadas e mantidas além de suas fronteiras, a aprovação do público em relação à operação na Síria parece estar diminuindo. O que deve ser respeitado é o fato de que, quando a Rússia empenha tropas combatentes em uma operação, ela o faz de acordo com um plano bem pensado e específico à lógica da campanha. Assim, subverter uma campanha russa, uma vez iniciada, requer que a Rússia mude as variáveis nas quais ela baseou suas premissas de planejamento. Essa pode ser uma questão delicada, com um adversário com capacidades nucleares e culturalmente neurótico.


Referências

  • Epígrafe. Aleksandr A. Svechin, Strategy, ed. Kent D. Lee (Minneapolis: East View Press, 2004), p. 111.
  1. Lisa Ferdinando, “Carter: Russia ‘Doomed to Fail’ in Syria; ISIL Must be Defeated”, U.S. Department of Defense, 31 Oct. 2015, acesso em 22 jul. 2019, https://dod.defense.gov/News/Article/Article/626828/carter-russia-doomed-to-fail-in-syria-isil-must-be-defeated/.
  2. Joint Publication 3-0, Joint Operations (Washington, DC: U.S. Government Publishing Office, 17 Jan. 2017), p. xii. A arte operacional é o uso do pensamento criativo pelos comandantes e estados-maiores “para elaborar estratégias, campanhas e operações, a fim de organizar e empregar forças militares”.
  3. The Russian Federation’s National Security Strategy, Presidential Edict 683 (Moscow: The Kremlin, December 2015), acesso em 25 set. 2019, https://www.russiamatters.org/sites/default/files/media/files/2015%20National%20Security%20Strategy%20ENG_0.pdf.
  4. Thomas Wilhelm, em conversa com o autor, 3 abr. 2019, Forte Leavenworth, Kansas.
  5. Callum Paton, “Russia Spy Chief Warns 5,000 ISIS Foreign Fighters Threaten Borders of Former Soviet Union”, Newsweek (site), 21 May 2019, acesso em 22 jul. 2019, https://www.newsweek.com/russia-spy-chief-warns-5000-isis-foreign-fighters-threaten-borders-former-1431576.
  6. Associated Press, “Putin: Soviet Collapse a ‘Genuine Tragedy’”, NBC News, última modificação em 25 abr. 2005, acesso em 22 jul. 2019, http://www.nbcnews.com/id/7632057/ns/world_news/t/putin-soviet-collapse-genuine-tragedy/#.XN_zJ0xFzzw.
  7. Timothy L. Thomas, Russia Military Strategy: Impacting 21st Century Reform and Geopolitics (Forte Leavenworth, KS: Foreign Military Studies Office [FMSO], 2015).
  8. Svechin, Strategy, p. 111.
  9. Valery Gerasimov, “Principal Trends in the Development of the Forms and Methods of Employing Armed Forces and Current Tasks of Military Science Regarding Their Improvement”, Vestnik Akademii Voennykh Nauk [Revista da academia de ciência militar] 1 (2013): p. 29.
  10. Valery Gerasimov, “The Value of Science is in the Foresight: New Challenges Demand Rethinking the Forms and Methods of Carrying Out Combat Operations”, Military Review 96, no. 1 (Jan.-Feb. 2016): p. 23-29, acesso em 22 jul. 2019, https://usacac.army.mil/CAC2/MilitaryReview/Archives/English/MilitaryReview_20160228_art008.pdf. [O artigo traduzido, intitulado “O Valor da Ciência está na Previsão: Novos Desafios Exigem Repensar as Formas e Métodos de Conduzir as Operações de Combate”, consta da edição brasileira de março-abril de 2016 — N. do T.]
  11. Wilhelm, conversa.
  12. Svechin, Strategy, p. 23.
  13. A. A. Kokoshin e V. V. Larionov, “Origins of the Intellectual Rehabilitation of A. A. Svechin”, in Svechin, Strategy, p. 1-13.
  14. Svechin, Strategy, p. 78.
  15. George F. Kennan, “The Sources of Soviet Conduct”, Foreign Affairs 65, no. 4 (Spring 1987): p. 855, p. 857. Kennan escreveu o artigo sob o pseudônimo “X”.
  16. Nataliya Bugayova, How We Got Here with Russia: The Kremlin’s Worldview (Washington, DC: Institute for the Study of War, March 2019), acesso em 22 jul. 2019, http://www.understandingwar.org/report/how-we-got-here-russia-kremlins-worldview.
  17. Lester Grau, em conversa com o autor, 24 mai. 2019, Forte Leavenworth, Kansas.
  18. Military Encyclopedic Dictionary (Moscow: Voyenizdat, 1983), p. 585, s.v. “foresight” (“visão prospectiva”).
  19. Yu. V. Chuyev e Yu. B. Mikhaylov, Forecasting in Military Affairs: A Soviet View (Moscow, 1975), trad. DGIS Multilingual Section, Secretary of State, Ottawa, Canada (Washington, DC: Government Printing Office, 1980), p. 6.
  20. V. V. Kruglov e V. I. Yakupov, “Methodology of Prognosticating Armed Struggle”, Military Thought 26, no. 2 (Jun. 2017): p. 54.
  21. Bartles, “Getting Gerasimov Right”, p. 32.
  22. Gerasimov, “The Value of Science is in the Foresight”, p. 25.
  23. A. A. Bartosh, “Hybrid Warfare: ‘Friction’ and ‘Wear and Tear’”, Military Thought 27, no. 1 (Mar. 2018): p. 1-10.
  24. Scott Wilson e Joby Warrick, “Assad Must Go, Obama Says”, Washington Post (site), 18 ago. 2011, acesso em 22 jul. 2019, https://www.washingtonpost.com/politics/assad-must-go-obama-says/2011/08/18/gIQAelheOJ_story.html.
  25. Nikolay Kozhanov, “What’s at Stake for Russia in Syria?”, BBC, 21 set. 2015, acesso em 22 jul. 2019, https://www.bbc.com/news/world-middle-east-34290965.
  26. Ye. O. Savchenko, “How the U.S.A. is Using Foreign Policy Strategy Instruments in the Middle East”, Military Thought 27, no. 4 (Dec. 2018): p. 32-45.
  27. “White Helmets Plot New False-Flag Chemical Attack in Syria’s Idlib – Russia’s UN Envoy”, RT, 24 Apr. 2019, acesso em 22 jul. 2019, https://www.rt.com/news/457467-white-helmets-chemical-provocation/.
  28. “Fact Sheet: President Obama Increases Humanitarian Assistance to Syrians”, The White House, 17 Jun. 2013, acesso em 22 jul. 2019, https://obamawhitehouse.archives.gov/the-press-office/2013/06/17/fact-sheet-president-obama-increases-humanitarian-assistance-syrians; Yasmeen Serhan, “The United States’s $364 Million Humanitarian Aid to Syria”, The Atlantic (site), 27 Sept. 2016, acesso em 22 jul. 2019, https://www.theatlantic.com/news/archive/2016/09/united-states-364-million-pledge-syrian-refugees/501890/; “Syria Complex Emergency – Fact Sheet #4 FY19”, U.S. Agency for International Development, última atualização em 19 abr. 2019, acesso em 24 jul. 2019, https://www.usaid.gov/crisis/syria/fy19/fs4.
  29. Ye. O. Savchenko, “How US Military Leaders Have Changed Their Views on AF Development in Today’s Geopolitical Conditions”, Military Thought 27, no. 1 (Mar. 2018): p. 147-61.
  30. Jay Newton-Small, “Obama Seeks a ‘Coalition of the Willing’ on Syria”, TIME (site), 26 Aug. 2013, acesso em 22 jul. 2019, https://swampland.time.com/2013/08/26/obama-seeks-a-coalition-of-the-willing-on-syria/.
  31. Sylvia Westall e Dominic Evans, “Russia Backs Syrian Forces in Major Assault on Insurgents”, Reuters, 7 Oct. 2015, acesso em 22 jul. 2019, https://www.reuters.com/article/us-mideast-crisis-syria-strikes/russia-backs-syrian-forces-in-major-assault-on-insurgents-idUSKCN0S10BI20151008.
  32. “US Recognises Syria Opposition Coalition Says Obama”, BBC, 12 Dec. 2012, acesso em 22 jul. 2019, https://www.bbc.com/news/world-middle-east-20690148.
  33. “Syria Crisis: Russian Air Strikes against Assad Enemies”, BBC, 30 Sept. 2015, acesso em 22 jul. 2019, https://www.bbc.com/news/world-middle-east-34399164.
  34. Westall e Evans, “Russia Backs Syrian Forces”.
  35. Valery Gerasimov, “Russian General Staff Chief Valery Gerasimov’s 2018 Presentation to the General Staff Academy: Thoughts on Future Military Conflict—March 2018”, trad. Harold Orenstein, Military Review 99, no. 1 (Jan.-Feb. 2019): p. 135, acesso em 5 jun. 2019, https://www.armyupress.army.mil/Portals/7/military-review/Archives/English/JF-19/JF19-Book-2.PDF.
  36. V. A. Zolotarev, ed., Istoriya Voennoy Strategii Rossii [A história da estratégia militar na Rússia] (Moscow: Kuchkovo Pole, 2000), p. 497-501.
  37. Timothy L. Thomas, Kremlin Kontrol: Russia’s Political Military Reality (Forte Leavenworth, KS: FMSO, 2017), p. 100.
  38. V. A. Kiselyov, “What Kind of Warfare Should the Russian Armed Forces be Prepared for?”, Military Thought 26, no. 2 (June 2017): p. 8.
  39. O. V. Sayapin, O. V. Tikhanychev e N. A. Chernov, “Russia: Developing a Cross-Service Strike-and Fire-Capable Reconnaissance System for Fire Efficiency”, Military Thought 26, no. 1 (2017).
  40. Laurence Peter, “Syria War: Who Are Russia’s Shadowy Mercenaries?”, BBC, 23 Feb. 2018, acesso em 22 jul. 2019, https://www.bbc.com/news/world-europe-43167697.
  41. Thomas Grove, “The New Iron Curtain: Russian Missile Defense Challenges U.S. Air Power”, Wall Street Journal (site), última modificação em 23 Jan. 2019, acesso em 22 jul. 2019, https://www.wsj.com/articles/russias-missile-defense-draws-a-new-iron-curtain-against-u-s-military-11548255438.
  42. Colin Clark, “Russia Widens EW War, ‘Disabling’ EC-130S OR AC-130s in Syria”, Breaking Defense, 24 Apr. 2018, acesso em 22 jul. 2019, https://breakingdefense.com/2018/04/russia-widens-ew-war-disabling-ec-130s-in-syria/.
  43. Patricia Zengerle, “U.S. Congressional Committee Leaders Warn Turkey on F-35, S-400”, Reuters, 9 Apr. 2019, acesso em 22 jul. 2019, https://www.reuters.com/article/us-usa-turkey-f35-congress/u-s-congressional-committee-leaders-warn-turkey-on-f-35-s-400-idUSKCN1RL2DC.
  44. Burak Ege Bekdil, “Russia Pitches Turkey the Su-57 Fighter Jet if F-35 Deal With US Collapses”, Defense News, 6 May 2019, acesso em 22 jul. 2019, https://www.defensenews.com/global/europe/2019/05/06/russia-pitches-turkey-the-su-57-fighter-jet-if-f-35-deal-with-us-collapses/.
  45. “Turkey’s Downing of Russian Warplane – What We Know”, BBC, 1 Dec. 2015, acesso em 24 jul. 2019, https://www.bbc.com/news/world-middle-east-34912581; Maria Tsvetkova, “Russian Toll in Syria Battle was 300 Killed and Wounded: Sources”, Reuters, 15 Feb. 2018, acesso em 22 jul. 2019, https://www.reuters.com/article/us-mideast-crisis-syria-russia-casualtie/russian-toll-in-syria-battle-was-300-killed-and-wounded-sources-idUSKCN1FZ2DZ.
  46. Igor Sutyagin, “Detailing Russian Forces in Syria”, Royal United Services Institute, 13 Nov. 2015, acesso em 22 jul. 2019, https://rusi.org/publication/rusi-defence-systems/detailing-russian-forces-syria.
  47. Steven Rosenberg, “Syria War: Putin’s Russian Mission Accomplished”, BBC, 13 Dec. 2017, acesso em 5 jun. 2019, https://www.bbc.com/news/world-europe-42330551.

O Ten Cel Nicholas Sinclair, do Exército dos EUA, é oficial da arma de blindados e serve, atualmente, no quartel-general da 1a Divisão de Cavalaria, Forte Hood, Texas. Formou-se pela School of Advanced Military Studies, tendo concluído seu bacharelado no The Citadel, The Military College of South Carolina. Serviu em diversas missões na Europa e no Oriente Médio.

Voltar ao início

Segundo Trimestre 2020