Revista Profissional do Exército dos EUA

Edição Brasileira

Não um Mero Exercício Intelectual

Lições da Cooperação Institucional entre os Exércitos dos EUA e de Israel, 1973-1982

Maj Ethan Orwin, Exército dos EUA

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Unidade de carros de combate israelense se prepara para um contra-ataque contra blindados sírios nas Colinas de Golã, 8 Out 1973. (Foto de David Rubinger, Gabinete de Imprensa do Governo de Israel)

Quando a Guerra do Yom Kippur eclodiu, em outubro de 1973, fazia apenas três meses que o Comando de Instrução e Doutrina (Training and Doctrine Command — TRADOC) do Exército dos Estados Unidos da América (EUA) havia sido criado. O Comandante do TRADOC, Gen Ex William DePuy, enviou o comandante da Escola de Blindados, Gen Bda Donn Starry, e o Diretor do Programa de Carros de Combate XM1, Gen (BG) Bob Baer, em uma visita a Israel, para obter informações sobre as implicações da guerra. Isso marcou o início de uma longa série de visitas aprofundadas do Exército dos EUA, com o objetivo de extrair lições da guerra, e o começo de relacionamentos pessoais entre o General Starry e alguns de seus colegas nas Forças de Defesa de Israel (FDI). Essas atividades e relacionamentos teriam um grande impacto na Força norte-americana nos anos seguintes.

Embora os historiadores possam debater se a Guerra do Yom Kippur alterou ou só veio a confirmar as perspectivas doutrinárias desses comandantes do Exército, não resta dúvida de que as lições do conflito contribuíram para a formulação da doutrina de Defesa Ativa, em 1976, que evoluiu e se transformou na doutrina da Batalha Ar-Terra, publicada em 1982. Além do impacto doutrinário, os reveses iniciais sofridos pelos israelenses e as posteriores vitórias das FDI nas Colinas de Golã e na Península do Sinai captaram o interesse de uma geração de oficiais do Exército dos EUA, saindo da Guerra do Vietnã com um foco renovado no combate convencional e na ameaça soviética na Europa. Além disso, as lições da Guerra do Yom Kippur estão claramente visíveis nos cinco sistemas de armas conhecidos como “Big Five”, que surgiram durante uma era de ouro de efetiva modernização do Exército dos EUA.

Tudo isso é bem conhecido. Os comandantes do Exército da atualidade frequentemente ressaltam a importância fundamental das relações do TRADOC com as FDI (acertadamente) em eventos bilaterais, e tanto historiadores profissionais quanto alunos da Escola de Comando e Estado-Maior (Command and General Staff College — CGSC) escreveram muitos trabalhos sobre os Generais DePuy e Starry e o desenvolvimento da Batalha Ar-Terra1. Contudo, pouco se disse sobre o que esse período de relações entre o Exército dos EUA e as FDI representa como um exemplo de diplomacia militar. Este artigo tem por objetivo explorar esse tema e examinar suas implicações para a atual cooperação entre os dois exércitos.

A enxurrada de contatos institucionais e entre oficiais do alto escalão dos dois exércitos após o fim da Guerra do Yom Kippur foi algo único, que não se enquadra nas categorias normais de relações do Exército dos EUA com aliados e parceiros. Além disso, as condições em meados dos anos 70 têm bastante em comum com as de 2019, em relação não apenas aos desafios enfrentados pelos dois exércitos, como também em termos de comparação entre suas necessidades estratégicas e institucionais. As atuais condições requerem uma forma de colaboração contínua e equilibrada, centrada na modernização, em métodos de treinamento individual e coletivo e na rápida troca de lições aprendidas do campo de batalha (conforme exemplificadas pelo Relatório do General Starry e seus resultados)2.

Contexto: O Engajamento Internacional do Exército dos EUA e as FDI

Antes de nos aprofundarmos nas relações militares norte-americanas com Israel, cabe apresentar uma visão geral de como o Exército dos EUA conduz o engajamento internacional. O Exército dedica recursos significativos a esse esforço, e o alto-comando deixou claro que a colaboração com aliados e parceiros é uma prioridade3. As sedes dos comandos geográficos unificados e dos comandos do Exército mantêm fortes quadros de profissionais militares e civis, que se concentram em exercícios, treinamentos combinados e interações com outras forças armadas. O quartel-general do Exército dos EUA realiza reuniões de estados-maiores com exércitos parceiros em todo o mundo, que resultam em “ações acordadas” que atendem às prioridades de ambas as partes.

Além disso, o Exército mantém um quadro de oficiais especializados em área estrangeira, no qual eles ingressam como capitães antigos ou majores modernos e servem durante o resto de suas carreiras. Esses oficiais recebem aulas de idioma, experiência regional e formação de pós-graduação relevante antes de começarem suas missões, tanto nas regiões quanto em estados-maiores, as quais se concentram na cooperação com parceiros militares. Conforme as unidades no terreno e os quartéis-generais assimilam tecnologias cada vez mais avançadas, a “interoperabilidade” — a capacidade de exércitos aliados para conectar seus sistemas e combater juntos — tornou-se um objetivo central do engajamento internacional do Exército.

Conforme as unidades no terreno e os quartéis-generais assimilam tecnologias cada vez mais avançadas, a “interoperabilidade” — a capacidade de exércitos aliados para conectar seus sistemas e combater juntos — tornou-se um objetivo central do engajamento internacional do Exército.

Todos esses aspectos da cooperação militar beneficiam o relacionamento entre o Exército dos EUA e as FDI. As forças do Exército na Europa realizam uma série de eventos ou exercícios conjuntos com as FDI, particularmente na área de defesa antiaérea e antimísseis. Além disso, a participação anual das FDI em exercícios multilaterais vem aumentando, passando do valor companhia para batalhão nos últimos dois anos. Os comandantes mais antigos de ambos os exércitos interagem frequentemente, e delegações realizam, habitualmente, visitas mútuas, para compartilharem táticas, técnicas e procedimentos em diversos campos. Além das reuniões de estados-maiores programadas, que criarão oportunidades junto a outros Comandos do Exército, as “Future Battlefield Annual Talks” (Reuniões Anuais sobre o Campo de Batalha do Futuro) proporcionam uma estrutura para a cooperação anual entre o componente terrestre das FDI e o TRADOC. A cooperação das forças de operações especiais do Exército e da Guarda Nacional com os parceiros israelenses é igualmente abrangente.

Contudo, até mesmo em comparação com o forte engajamento atual, o escopo e a profundidade da cooperação institucional entre os exércitos norte-americano e israelense entre 1973 e 1982 se destacam. Isso se deve, em parte, às condições históricas em que os dois exércitos se viram na época. Ambos, soubessem ou não, viviam o fim de uma era e início de outra. O Exército dos EUA estava saindo de uma década de contrainsurgência no Vietnã e de 33 anos de serviço militar obrigatório. Conforme tentavam desenvolver uma nova Força totalmente voluntária em um ambiente em que o público tinha pouco apreço pelas Forças Armadas, os oficiais mais antigos também tiveram de retomar o foco no combate convencional e potenciais campos de batalha da Europa Central. Para esse tipo de combate, só contavam com sua experiência como oficiais subalternos durante a Segunda Guerra Mundial para guiá-los, ao passo que os oficiais superiores e seus subordinados quase não tinham experiências relevantes. Enquanto isso, seus adversários do Pacto de Varsóvia representavam uma enorme ameaça em conflitos de média intensidade4. Conforme mencionado anteriormente, o TRADOC foi estabelecido em meados de 1973 para tratar desses desafios, e o General DePuy foi seu primeiro comandante.

As FDI, por sua vez, chegavam ao fim de suas guerras existenciais e de média intensidade contra os exércitos árabes, embora isso ainda não estivesse claro na época. Embora os insucessos iniciais na Guerra do Yom Kippur tenham sido, obviamente, um choque para as FDI e para a sociedade israelense, não havia dúvida quanto à sua posição como o mais experiente de todos os exércitos de estilo ocidental em relação ao combate convencional.

Acesso Sem Precedentes: As Primeiras Visitas de Starry e as Lições Iniciais

O ímpeto para a visita inicial do General Starry e do General Baer a Israel adveio do Chefe do Estado-Maior do Exército [equivalente a Comandante do Exército no Brasil — N. do T.], Gen Ex Creighton Abrams, que considerava as lições da Guerra do Yom Kippur urgentes o suficiente para redirecionar os dois generais subordinados no meio de uma visita ao Reino Unido. Conforme o General Starry relembrou durante uma entrevista, o General Abrams não só pediu pelas lições gerais da guerra, mas também vinculou a visita especificamente ao potencial impacto do conflito nas decisões sobre a aquisição de carros de combate entre os escalões mais elevados em Washington, D.C. Não seria a última vez que as lições operacionais israelenses seriam utilizadas para apoiar os esforços de desenvolvimento de capacidades do Exército norte-americano, que estavam ameaçados5.

Restos de um carro de combate M60 israelense (fabricado nos EUA) entre os destroços de outros blindados após um contra-ataque israelense no Sinai, perto do Canal de Suez durante a Guerra do Yom Kippur, em 1973. Na transposição inicial do Suez pelas forças egípcias, os líderes israelenses presumiram que os soldados egípcios fugiriam assim que vissem os blindados israelenses, como havia ocorrido na guerra de 1967. No entanto, as forças egípcias haviam estudado as táticas israelenses empregadas na Guerra dos Seis Dias e estavam bem preparadas para se defenderem contra o previsto uso inicial de blindados israelenses. Isso quase resultou em uma catástrofe para as forças israelenses nas fases iniciais do conflito, embora Israel tenha conseguido recuperar a iniciativa mais tarde. (Foto cedida por Military Battles on the Egyptian Front de Gammal Hammad via Wikimedia Commons)

A visita proporcionou ao General Starry seus primeiros encontros com o General Moshe “Musa” Peled, herói da frente das Colinas de Golã e Comandante do Corpo de Blindados das FDI, e com o General Israel Tal, fundador do programa de carros de combate Merkava. O General Starry se reuniu com Tal durante vários dias, com foco no nascente carro de combate Merkava, enquanto realizavam testes de tiro, disparando em direção ao Mar Mediterrâneo, a partir de Palmachim. O Merkava era uma protótipo “Frankenstein”, montado com peças de vários carros de combate da época. O General Starry passou alguns dias a mais com o General Peled e o Corpo de Blindados das FDI antes de utilizar o resto da visita para percorrer os campos de batalha nas Colinas de Golã e na Península do Sinai com comandantes dos níveis batalhão a divisão que haviam combatido no local6.

Vale ressaltar que o grau de acesso foi extraordinário, mesmo considerando a gratidão israelense pela crucial ajuda norte-americana durante a guerra. As FDI estavam, presumidamente, bastante ocupadas, consolidando seus ganhos, reconstruindo unidades danificadas, repondo estoques de equipamentos e lidando com uma autocrítica no âmbito interno e nacional sobre as lições da guerra. Contudo, mesmo sem um benefício imediato e tangível para eles próprios ou seu país, os comandantes das FDI em todos os escalões acharam tempo para apresentar a dois generais relativamente modernos dos EUA uma visão geral do desenvolvimento de capacidades, lições aprendidas, métodos de treinamento e análise dos campos de batalha.

As muitas visitas que se seguiram, não apenas as dos Generais Starry e Baer, também foram caracterizadas por uma surpreendente amplitude e profundidade de interação. Por exemplo, quando o comandante e o subcomandante da Escola de Infantaria do Exército dos EUA realizaram visitas, em dezembro de 1976 e fevereiro de 1977, respectivamente, ambos se reuniram com o Chefe do Estado-Maior das FDI, Gen Div Mordechai “Motta” Gur7. A disposição do General Gur para se reunir com generais mais modernos e debater sistemas de armas anticarro, métodos de treinamento de infantaria mecanizada e o número adequado de soldados em um grupo de combate de infantaria demonstrou a prioridade que os dois exércitos davam tanto a questões institucionais quanto à cooperação bilateral. As FDI ofereceram interações não apenas nos escalões mais elevados, mas também em escalões surpreendentemente baixos, ao convidarem, por exemplo, o subcomandante da Escola de Infantaria do Exército dos EUA para observar, na íntegra, o exercício de tiro real de uma companhia blindada8. As visitas a exercícios de escalão brigada incluíram interações em todos os níveis durante as operações táticas, capacitando os visitantes do Exército dos EUA a elaborar relatórios detalhados sobre as táticas, técnicas e procedimentos das FDI. O grau de detalhamento registrado revela muito sobre o desejo do Exército dos EUA de reformular seus próprios métodos de treinamento, equipamentos e doutrina, bem como seu entusiasmo por aqueles utilizados por um Exército aliado que havia combatido, recentemente, em uma guerra de média intensidade.

O General Starry, em sua análise da Guerra do Yom Kippur para o TRADOC, mostrou-se um tanto negativo quanto aos relatórios sobre as táticas, técnicas e procedimentos das FDI, afirmando: “A altura e amplitude das informações […] poderiam ser medidas em quilômetros, a profundidade da análise em milímetros”9. Acreditava que as principais lições doutrinárias já estavam claras em seu relatório para o General Abrams, apresentado logo após sua primeira viagem. Pensava, porém, que muitas outras viagens e conversas com amigos, como os Generais Peled e Tal, ainda seriam necessárias para explorá-las em maior detalhe, a fim de responder às perguntas que elas levantassem10. Isso incluía a densidade e letalidade dos modernos campos de batalha terrestre e aéreo, a necessidade do combate de armas combinadas e a exigência de que os comandantes observassem e desorganizassem os escalões de retaguarda e em profundidade do inimigo.

Cooperação Institucional entre os Exércitos dos EUA e Israel após 1973: Impacto sobre o Exército dos EUA

Os historiadores debatem se as lições da guerra realmente transformaram o entendimento dos Generais Starry e DePuy em relação ao combate moderno ou se serviram apenas como “munição”, em apoio às conclusões às quais eles mesmos já haviam chegado11. O próprio General Starry afirmou sentir que as lições da guerra confirmavam o caminho que ele já vinha trilhando na formulação da nova doutrina do Exército12. Entretanto, para aqueles que analisem o relacionamento após a Guerra do Yom Kippur de um ponto de vista de cooperação em segurança, isso é irrelevante. Mede-se a importância da cooperação institucional entre Exércitos de nações amigas com base no grau do verdadeiro impacto sobre o modo pelo qual cada Exército treina e combate, e não pelo grau de mudança de opinião de generais.

O que, exatamente, era especial em relação a todo esse intercâmbio e sua influência sobre a doutrina do Exército dos EUA? O Exército, afinal, vem travando um contínuo diálogo doutrinário com seus aliados da Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN) ao longo de toda a história da aliança e, diferentemente de seu relacionamento com as FDI, ele, na verdade, redige e obedece à doutrina combinada junto aos exércitos alemão e britânico, que o General Starry também visitou pessoalmente em sua época13. Entretanto, diferentemente das FDI, os aliados da OTAN não tinham experiência em combate convencional, tendo poucas lições aprendidas de conflitos relevantes para a ameaça soviética na Europa que eles pudessem compartilhar. Foi justamente a diferença entre o Exército dos EUA e as FDI que tornou sua colaboração entre 1973 e 1982 tão útil. Na atual era de foco na interoperabilidade, o status das FDI como um aliado próximo cuja experiência está relativamente afastada dos prováveis cenários operacionais do Exército dos EUA está em evidência mais uma vez.

Para o Exército dos EUA, o impacto da Guerra do Yom Kippur foi especialmente crucial para a doutrina fundamental (capstone). O General Starry descreveu isso de modo sucinto em uma carta de 1976: “Talvez lhe interesse saber que a maior parte da literatura recente do TRADOC foi estimulada por minha visita a Israel logo depois da guerra e pelo trabalho subsequente junto aos comandantes israelenses”14. Quando o General DePuy apresentou seu relatório, “Implications of the Middle East War on U.S. Army Tactics, Doctrine, and Systems” (“Implicações da Guerra do Oriente Médio sobre as Táticas, Doutrina e Sistemas do Exército dos EUA”, em tradução livre), o TRADOC havia dividido as lições práticas em 162 recomendações, 20 das quais foram classificadas como “concluídas”15. O nível de detalhamento desse esforço se equiparou à sua escala, com o General DePuy enfatizando temas tão diversos quanto fluidos hidráulicos não inflamáveis, armazenamento de munição abaixo da torre do carro de combate e reaproveitamento do material avariado no campo de batalha. É improvável que o Exército dos EUA moderno tenha tentado, em algum outro momento, implementar lições aprendidas estrangeiras em uma escala semelhante.

O General DePuy concluiu seu resumo lembrando aos comandantes do Exército que esse esforço não era um mero “exercício intelectual”16. Ele ressaltou que toda a doutrina e conceitos, desenvolvimento de capacidades e iniciativas de treinamento do Exército precisavam estar relacionados às lições da guerra. Mais uma vez, para um Exército que nem sempre é conhecido por estudar suas próprias campanhas (e muito menos às de outros), esse requisito de “cruzar” os esforços de ampliação de forças com lições de uma guerra estrangeira parece único na história das relações externas do Exército dos EUA.

A doutrina fundamental resultante foi a Defesa Ativa, seguida pela Batalha Ar-Terra, que se tornou bem conhecida. Contudo, o General Starry e o General DePuy não pretendiam que as lições da guerra influenciassem a doutrina somente ou mesmo predominantemente17. As técnicas israelenses de treinamento individual e coletivo, que os generais norte-americanos enxergavam como decisivas na vitória das FDI ao lutarem em condições de inferioridade numérica, eram igualmente importantes.

O General Starry não era o único a pensar dessa forma. O General Paul F. Gorman, que serviu como Chefe Adjunto de Instrução do TRADOC e, mais tarde, como Comandante da Escola de Infantaria do Exército dos EUA, participou de uma intenso intercâmbio com as FDI em meados da década de 1970 e determinou que o treinamento era a variável que havia levado à vitória na guerra. Ele estudou os dados detalhados que os israelenses tinham sobre batalhas entre carros de combate e analisou seu treinamento de comandantes de carros de combate e técnicas de tiro. No entanto, o grau de detalhe foi além da simples troca de conhecimentos e incluiu a obtenção, pelo TRADOC, de traduções de manuais de treinamento israelenses, além de quadros de qualificação em técnica de tiro e planos de exercícios de blindados do nível guarnição a batalhão18. Isso se assemelha mais ao que as nações parceiras recebem do Exército dos EUA atualmente em vendas militares ao exterior — exceto que essas trocas foram feitas de modo gratuito, entre parceiros de confiança.

Com essas informações, o General Gorman concluiu que o treinamento de blindados das FDI não só tinha sido o fator decisivo naqueles confrontos, mas também invalidado as teorias em voga na época sobre a importância primordial dos números no campo de batalha19. Essa abordagem associou, claramente, o sucesso operacional no campo de batalha com as reformas institucionais do Exército, que eram o objetivo final do engajamento dos generais do Exército dos EUA com seus parceiros nas FDI. O General DePuy escreveu que, quando sistemas de armas igualmente avançados se confrontassem no campo de batalha, a “coragem, imaginação e treinamento dos comandantes fariam a diferença”20.

Influência sobre a Modernização do Material Bélico do Exército dos EUA

Os esforços dos Generais DePuy e Starry nos primeiros dias do TRADOC englobaram a modernização do material bélico, além do treinamento e doutrina, e, nesse aspecto também, a interação com Israel teve uma influência especial. Ambos os generais acreditavam que as preocupações com a obsolescência do carro de combate eram exageradas e que ele precisava apenas de um apoio adequado de armas combinadas para conservar sua primazia no combate terrestre. O relatório de DePuy, “Implications of the Middle East War on U.S. Army Tactics, Doctrine, and Systems”, sobre as ramificações da Guerra do Yom Kippur, incluía um gráfico que ilustrava como o carro de combate continuava a ter um papel central, com a defesa antiaérea, a infantaria mecanizada, o apoio aéreo aproximado e a artilharia de campanha em funções de apoio (ver a figura)21. Isso representava quatro dos que passariam a ser os cinco sistemas de armas “Big Five”: o carro de combate Abrams, a viatura de combate Bradley, o helicóptero de ataque Apache e o sistema de defesa antiaérea Patriot. A quinta capacidade, não mencionada — o helicóptero Black Hawk — refletiu as perspectivas do General Starry sobre o rápido transporte de tropas ao redor e entre as áreas aproximada e profunda22.

Figura. A Contínua Centralidade do Carro de Combate Representando Quatro dos “Big Five”. (Figura extraída de William E. DePuy, “Implications of the Middle East War on U.S. Army Tactics, Doctrine, and Systems”, tradução de Military Review)

Além dos “Big Five”, o General Starry vinculou, explicitamente, as lições da guerra aos requisitos que induziram o desenvolvimento do Sistema Conjunto de Radar para Vigilância e Ataque de Alvos e do Sistema de Mísseis Táticos do Exército23. O desenvolvimento simultâneo do Sistema de Lançamento Múltiplo de Foguetes pelo Exército transformou suas capacidades no quinto campo indicado no gráfico do General DePuy: a artilharia de campanha. Esse emprego das lições militares de um aliado estrangeiro para vencer as lutas do Pentágono em relação a aquisições — em lugar da obtenção de inteligência sobre as capacidades de adversários estrangeiros — tem poucos paralelos na história do Exército.

Os historiadores criticaram o General Starry e outros oficiais por apresentarem um retrato seletivo e excessivamente favorável sobre o desempenho das FDI na guerra. Em primeiro lugar, o General Starry se concentrou fortemente no teatro de operações das Colinas de Golã, prestando menos atenção à frente decisiva na Península do Sinai. De modo mais geral, os relatórios dos generais norte-americanos sobre as lições da guerra deram insuficiente atenção aos muitos erros das FDI, incluindo a surpresa que enfrentaram logo no início24. Entretanto, esse foi um fracasso estratégico, e o interesse do TRADOC na guerra não se referia à estratégia, e sim a táticas, campanhas e modernização. O que pode parecer uma análise seletiva ou enganosa para um historiador formado era, da perspectiva do General Starry, uma análise que focava naquilo que era importante para o Exército dos EUA da década de 1970.

De qualquer forma, as falhas israelenses não foram totalmente ignoradas. O referido relatório do General DePuy descreveu em detalhes o desastroso contra-ataque inicial no norte da Península do Sinai, usando-o para reconhecer que o emprego de blindados sem apoio já não era mais viável no campo de batalha moderno25. Não surpreende que, assim como outros, os Generais Starry e DePuy tenham utilizado as lições da guerra para promover seus próprios planos para aquisições e doutrina (pois é isso que fazem os líderes militares e burocráticos). Os líderes militares dos EUA da atualidade são igualmente seletivos em sua abordagem em relação à doutrina e às lições das FDI. A contrainsurgência na Cisjordânia, por exemplo, é, simplesmente, de menor interesse em relação aos conceitos atuais e futuros do Exército dos EUA do que aquilo que uma brigada de combate “Gideon” poderia realizar em uma campanha contra o Hezbollah e outros proxies iranianos nas frentes libanesa e síria.

A (Verdadeira) Importância dos Relacionamentos

Uma importante característica da longa colaboração do General Starry com as FDI foi seu desenvolvimento de relacionamentos pessoais. Esses relacionamentos são difíceis de estabelecer entre líderes que mudam de função a cada dois anos. No entanto, o General Starry conseguiu manter uma intensa colaboração com Israel ao longo de seus anos na Escola de Blindados do Exército dos EUA, no V Corpo de Exército e como Comandante do TRADOC. Os Generais Israel Tal e Moshe “Musa” Peled, em particular, tornaram-se amigos pessoais. O General Starry chegou até a compartilhar frustrações internas com seus colegas israelenses, escrevendo, certa feita, ao Coronel Bruce Williams, adido do Exército dos EUA em Israel, para que transmitisse ao General Peled sua decepção quanto à decisão dos EUA de cortar verbas para um nova viatura de combate de infantaria26. Graças a esses laços pessoais, as visitas fluíram em ambas as direções. Em uma ocasião, em 1977, o General Peled estava visitando a fronteira na Alemanha com o General Starry, quando uma movimentação soviética no valor divisão escapou à observação dos EUA/OTAN. Isso levou o General Peled a conduzir uma visita para o estado-maior do V Corpo de Exército norte-americano nos campos de batalha das Colinas de Golã, concentrando-se na consciência situacional dos comandantes de divisão/corpo de exército27. Essas amizades tiveram impactos estratégicos não só para o General Starry e para o Exército norte-americano, mas também para Israel no âmbito político, como no caso da intervenção do general junto ao Secretário de Estado Alexander Haig quanto às preocupações israelenses sobre o fortalecimento do relacionamento entre os EUA e o Egito28. Por outro lado, os relacionamentos facilitaram a cooperação no nível tático mesmo quando considerações políticas interferiram. Quando as sensibilidades políticas norte-americanas impediram visitas do Exército dos EUA à frente no Líbano em 1982, os amigos do General Starry nas FDI garantiram que ele recebesse informações de fontes primárias das forças israelenses sobre a guerra, que foram até traduzidas para ele29. Embora elogios vagos à importância dos relacionamentos sejam onipresentes no âmbito da cooperação internacional, a era de cooperação, sob o General Starry, entre as FDI e o Exército dos EUA revelou seu significado prático.

O início da Primeira Guerra do Líbano marcou um interessante fim para essa era de cooperação intensiva relacionada a conflitos de média intensidade. Quando a guerra irrompeu, o General Starry foi, mais uma vez, o primeiro líder militar norte-americano a ir a Israel, onde seus muitos amigos israelenses de longa data o receberam com a habitual abertura. No entanto, as considerações políticas dos EUA impediram-no de visitar os campos de batalha e, por isso, o Chefe do Estado-Maior das FDI, Gen Div Rafael “Raful” Eitan, fez com que os comandantes mais antigos das forças terrestres, força aérea e inteligência das FDI viessem da frente para informar o General Starry sobre os acontecimentos principais. Em uma carta ao Chefe do Estado-Maior do Exército dos EUA, General E. C. Meyer, o General Starry reclamou que o Exército estava buscando “desajeitadamente” montar uma missão eficaz para colher lições aprendidas, da mesma forma que o havia feito em 1973-197430. Ele recomendou o estabelecimento de um mecanismo permanente para o envio de missões a Israel para a obtenção de lições aprendidas.

Algo que estava ausente no comentário do General Starry sobre a visita era qualquer reconhecimento de que a natureza das guerras de Israel estava mudando. Parece que ele esperava que as lições da Primeira Guerra do Líbano fossem proceder do combate inicial de média intensidade com as forças palestinas e sírias e se centrar no design de carros de combate, no papel do apoio aéreo aproximado e assim por diante, de modo bem semelhante à Guerra do Yom Kippur. Na realidade, as FDI enfrentavam uma mudança em direção à guerra assimétrica, que persiste até hoje31. O Exército dos EUA não encararia uma mudança semelhante até 2003, quando vinte anos de lições das FDI obtidas em Beirute, Nablus e Jenin se tornariam, subitamente, significativas.

O Ten Cel israelense Nir Yogev, comandante do batalhão de controle de movimento (à direita), cumprimenta militares norte-americanos durante o Exercício Juniper Falcon 19 na Base Aérea de Hatzor, em Israel, 7 Fev 2019. O Juniper Falcon 19 é um exercício bilateral entre o Comando Europeu dos EUA e as FDI, que foi projetado para melhorar as relações militares e aumentar a interoperabilidade entre as forças armadas das duas nações. (Foto do Cb Cody Hendrix, Marinha dos EUA)

Lições para a Cooperação Institucional entre os Exércitos dos EUA e Israel na Atualidade

O que a cooperação institucional entre os exércitos dos EUA e de Israel após 1973 nos ensina hoje? Há algumas diferenças em relação às circunstâncias. O que é mais importante, os dois exércitos não estão mais se preparando para o mesmo tipo de inimigo. Conforme descrito no conceito “Land on the Horizon” (“Terra no Horizonte”) para 2028, a ameaça usada como referência pelas FDI é um adversário híbrido e não estatal, mas ainda sim capaz e provido de várias capacidades de alto nível. O Panfleto do TRADOC 525-3-1, O Exército dos EUA em Operações em Múltiplos Domínios 2028 (TP 525-3-1, The U.S. Army in Multi-Domain Operations 2028), designa as forças armadas estatais com poder de combate quase equiparado como sua ameaça de referência32. Além disso, não há uma lacuna semelhante de experiência entre os dois exércitos. Ambos têm quase vinte anos de experiência de combate em formas semelhantes de guerra, embora as campanhas das FDI (com exceção da Segunda Intifada) tenham sido curtas e intensas, em lugar de operações de contrainsurgência prolongadas. Isso difere de 1973, quando as FDI possuíam uma experiência única no tipo de guerra para o qual o Exército dos EUA estava se preparando. Por fim, o Exército dos EUA não está passando por mudanças tão fundamentais quanto as dos anos 70. Não há nenhuma mudança em seu modelo de alistamento, e os níveis de profissionalismo e do moral não têm nenhuma semelhança com os do Exército pós-Vietnã.

Não obstante, há bastante em comum entre as duas eras que é relevante para a cooperação. O Exército dos EUA está mudando, novamente, de foco — passando da guerra assimétrica para ameaças com poder de combate quase equiparado — e vem percebendo, mais uma vez, que permitiu que adversários equiparados reduzissem as lacunas de capacidades nos últimos dez a quinze anos. Da mesma forma que em meados da década de 1970, ambos os exércitos acreditam estar à beira de um aumento na letalidade do campo de batalha, pelo menos no caso de uma campanha de grande porte contra suas respectivas ameaças de referência. As FDI são, mais uma vez, o primeiro exército de estilo ocidental com lições operacionais aprendidas com base em uma série de tecnologias essenciais para os conceitos de ambos os exércitos, como proteção ativa e sistemas integrados de defesa antiaérea.

Uma coisa que mudou é a velocidade e a sofisticação do processo israelense de desenvolvimento de capacidades. O desenvolvimento, por Israel, do sistema de defesa antimísseis Iron Dome ou da viatura de combate de infantaria Namer em cinco anos ou menos após a necessidade operacional ter ficado evidente seria impensável no Exército dos EUA, razão pela qual ele reorganizou suas iniciativas de modernização, colocando-as sob o novo Army Futures Command33. Embora o pequeno tamanho e pouca diversidade dos adversários de Israel contribuam para esse fenômeno, o Exército faria bem em aplicar o mesmo rigor demonstrado pelo General Starry em relação à forma pela qual as FDI se modernizam e não apenas às próprias capacidades resultantes.

Há outros paralelos marcantes entre as capacidades necessárias que o General Starry e seus colegas colheram de seus homólogos israelenses nos anos 70 e aquelas que ambas as partes estão debatendo hoje. O relato do General DePuy sobre o desafio geral da letalidade de armas combinadas apresentado pelo campo de batalha na Guerra do Yom Kippur — incluindo fogos ar-superfície e superfície-ar cada vez mais eficazes — têm um forte eco nas “camadas standoff” (a distância segura) em múltiplos domínios que o Exército dos EUA enxerga como seu principal desafio atualmente34. Existiam também capacidades específicas de sustentação (logística) de média intensidade que o Exército dos EUA havia perdido durante seu foco no Vietnã, como o reaproveitamento do material avariado no campo de batalha em um ambiente de alta letalidade para viaturas de combate35. O paralelo hoje é a reconstituição e a regeneração da Força, que o Exército dos EUA está reexaminando para um ambiente de múltiplos domínios e que provavelmente seria de interesse para os oficiais de logística israelenses no planejamento para outra guerra no norte. Em outros casos, os visitantes do Exército dos EUA a Israel na década de 1970 testemunharam o nascimento de tecnologias, como os sistemas autônomos e os controlados remotamente, que ainda são centrais para os debates sobre o desenvolvimento de capacidades entre os dois aliados atualmente36. Ao reexaminarmos essa era de estreita cooperação, vemos que aquilo que cada lado demandou do outro não foi tão diferente do que ocorre no presente.

Conclusão: Exércitos que Aprendem Juntos

Poucos, em ambos os lados desse relacionamento, duvidam do fato de que a tecnologia israelense estará no cerne da cooperação entre as duas forças armadas no futuro próximo. As visitas dos comandantes mais antigos do Exército dos EUA sempre incluem demonstrações de novas tecnologias de interesse, e sua aquisição do sistema de proteção ativa Trophy e do sistema de defesa antimísseis Iron Dome das FDI é, provavelmente, um sinal do que está por vir.

A cooperação após a Guerra do Yom Kippur — que ocorreu em um momento no qual a tecnologia israelense era muito menos avançada, sendo notável, principalmente, por suas engenhosas improvisações no terreno — nos ensina a importância de trocar lições aprendidas, e isso não deve ser esquecido por causa de uma ênfase excessiva no material bélico. O General Starry e seus contemporâneos aprenderam muito durante suas trocas sobre a letalidade do campo de batalha e as capacidades técnicas de mísseis anticarro Sagger e mísseis superfície-ar, mas estavam igualmente interessados na forma pela qual a força terrestre das FDI adaptou sua doutrina, treinamento e táticas para enfrentar esses sistemas de armas. A escola de blindados e a escola de defesa antiaérea das FDI podem desempenhar papéis igualmente cruciais para o Exército dos EUA na integração do sistema de proteção ativa Trophy e do sistema de defesa antimísseis Iron Dome atualmente.

Outra lição da era do General Starry em relação à cooperação entre as FDI e o Exército dos EUA é a importância de haver um mecanismo de lições aprendidas “sob demanda”. Por mais profunda e produtiva que tenha sido a cooperação, o General Starry sempre sentiu que a inércia e as políticas convencionais de cooperação em defesa impediam o rápido progresso na integração das lições aprendidas. Suas queixas ao General Meyer durante a Primeira Guerra do Líbano indicam que ele considerou que até mesmo dez anos de seus próprios esforços para melhorar esse problema foram ineficazes37.

Os dois exércitos continuaram a passar as lições aprendidas em ambas as direções nas décadas subsequentes. Exemplos recentes incluem a delegação da força terrestre das FDI, que visitou os centros de excelência subordinados ao TRADOC, em 2014, após a Operação Protective Edge, e os briefings dos EUA sobre as lições das batalhas por Mossul e Raqqa nas Reuniões Anuais sobre o Campo de Batalha do Futuro. As lições aprendidas com base em exercícios, particularmente aqueles que testam novos conceitos e capacidades, são outro tópico bem-vindo durante reuniões bilaterais. Entretanto, o General Starry (assim como os Generais Peled e Tal) entendeu que, embora os briefings pós-conflito sejam valiosos, é mais importante visitar os campos de batalha e interagir com os comandantes do combate imediatamente após ou até mesmo durante as batalhas. Uma opção é uma troca rápida, formal e previamente acordada de lições aprendidas. Por mais que nenhum dos lados queira ver isto acontecer, outra campanha israelense no norte geraria, inevitavelmente, lições cruciais com relação às operações em múltiplos domínios e às atuais lacunas do Exército dos EUA. Qualquer escalada além da competição habitual contra as forças dos EUA por adversários na Europa, no Oriente Médio ou no Pacífico seria de interesse semelhante para as FDI.

Quanto a relacionamentos pessoais, poucos oficiais têm o carisma do General Starry ou do General Peled. No entanto, a capacidade do General Starry de manter esses vínculos ao longo de várias funções é um bom modelo a ser seguido. Uma maior duração e uma colaboração mais ponderada devem superar o desafio de ter de começar do zero a cada um ou dois anos por causa do rodízio de funções. Isso já está visível em campos em que os dois exércitos cooperam por tempo prolongado (por exemplo, defesa antiaérea). Graças aos exercícios combinados, muitos oficiais de defesa antiaérea do Exército dos EUA adquirem muita experiência e contatos em Israel ao longo de suas carreiras. Ao realizarem visitas como comandantes mais antigos, eles já têm, muitas vezes, anos de estreita ligação com seus homólogos da Força Aérea israelense, podendo abordar questões maiores de uma forma imediatamente evidente. Um aumento do intercâmbio em cursos de ambas as partes, que tem sido limitado nos últimos anos, produziria mais relacionamentos desse tipo, da mesma forma que a introdução de oportunidades adicionais para exercícios combinados, o que já está em andamento. O relacionamento que o General Starry estabeleceu com as FDI ao longo de uma década, que o levou da Guerra do Yom Kippur à Primeira Guerra do Líbano, exemplifica o que os relacionamentos de longa duração entre exércitos podem proporcionar: a chance de ver outro exército combater, aprender lições, mudar, lutar novamente e aprender novamente.

Aqueles que estejam interessados em determinar o que é mais importante no relacionamento entre o Exército dos EUA e as FDI devem olhar primeiro para o que é mais especial. Os EUA têm a sorte de terem muitos aliados próximos, incluindo alguns que o país espera que combatam a seu lado em qualquer campanha significativa — daí o foco na interoperabilidade. Têm parceiros que compram sistemas de armas norte-americanos, buscam assistência norte-americana no treinamento de oficiais e soldados e estão ansiosos por participar de exercícios combinados com os EUA para promover a segurança regional. Os conceitos existentes de cooperação funcionam bem para tais relacionamentos. A característica única e determinante da parceria entre o Exército dos EUA e as FDI é a de dois exércitos que aprendem juntos. É pouco provável que eles combatam nas mesmas guerras, e a complicada dinâmica regional faz com que seja um desafio realizar exercícios terrestres combinados de grande porte relevantes para ambas as partes. Contudo, ambos os exércitos têm se mostrado especialmente abertos à necessidade do outro de absorver lições em preparação para o futuro. Os dois exércitos confiam, naturalmente, um no outro para inovar ao lutar, reconhecer erros e empenhar toda a sua capacidade e profissionalismo no aperfeiçoamento, antes que ocorra o próximo conflito. A troca de conhecimentos resultante é algo que nenhum dos dois exércitos pode esperar na mesma medida de qualquer outro exército.


Referências

  1. Veja Aaron J. Kaufman, “Continuity and Evolution: General Donn A. Starry and doutrinal Change in the U.S. Army, 1974-1982” (monografia, Fort Leavenworth, KS: School of Advanced Military Studies, 2012).
  2. Para obter mais informações sobre as principais conclusões do General Starry sobre sua visita a Israel, veja Donn Starry, “TRADOC’s Analysis of the Yom Kippur War, Jaffee Center Military Doctrine Joint Conference, Caesarea, Israel, 16 March 1999”, in Press On! Selected Works of General Donn A. Starry, ed. Lewis Sorley, vol. I (Fort Leavenworth, KS: Combat Studies Institute, 2009).
  3. Sydney J. Freedberg Jr., “Trump’s Pick for Joint Chiefs Praises Allies, Kurds & Mattis Strategy”, Breaking Defense, 16 Jan. 2019, acesso em 19 ago. 2019, https://breakingdefense.com/2019/01/trumps-pick-for-joint-chiefs-praises-allies-kurds-mattis-strategy/.
  4. União das Repúblicas Socialistas Soviéticas (URSS), Albânia, Alemanha Oriental, Bulgária, Romênia, Hungria, Polônia e Tchecoslováquia. Na época, a Ucrânia fazia parte da URSS. Veja Donn Starry, “Sergeants’ Business: U.S. Army Sergeants Major Academy, Fort Bliss, Texas, 3 November 1977”, in Sorley, Press On!, 1:489.
  5. Donn Starry, “Desert Storm Lessons Learned: US Army Military History Institute Oral History Interview, Conducted by Lieutenant Colonel Douglas V. Johnson, Colonel Thomas Sweeney, and Colonel Douglas W. Craft, 18 September 1991”, in Press On! Selected Works of General Donn A. Starry, ed. Lewis Sorley, vol. II (Fort Leavenworth, KS: Combat Studies Institute, 2009), p. 1225.
  6. Ibid.
  7. Willard Latham, memorandum, “Trip Report by the Commandant, U.S. Army Infantry School, 6-13 December 1976” (Washington, DC: Department of the Army, 15 Feb. 1977), extraído de U.S. Army Training and Doctrine Command (TRADOC) Historian Archives; Fred Mahaffey, memorandum, “Israel Visit by Assistant Commandant, USAIS, 5 to 11 February 1977” (Washington, DC: Department of the Army, 31 March 1977), extraído de TRADOC Historian Archives.
  8. Mahaffey, “Israel Visit”, Appendix on Visit to Sinai, p. 2.
  9. Donn Starry, “TRADOC’s Analysis of the Yom Kippur War, Jaffee Center Military Doctrine Joint Conference, Caesarea, Israel, 16 March 1999”, in Sorley, Press On!, 1:223.
  10. Ibid.
  11. Saul Bronfeld, “Fighting Outnumbered: The Impact of the Yom Kippur War on the U.S. Army”, The Journal of Military History 71, no. 2 (Apr. 2007): p. 465-98.
  12. Entrevista com Donn Starry, in Sorley, Press On!, 2:1109.
  13. Starry, “German-American Coordination: Letter to Lieutenant Colonel Samuel D. Wilder, Fort Monroe, Virginia, 23 August 1976”, in Sorley, Press On!, 1:282; Starry, “US and Federal Republic of Germany Doctrine: Letter to Lieutenant General John R. Thurman, Deputy Commanding General, US Army Training and Doctrine Command, 27 September 1978”, in Sorley, Press On!, 1:335.
  14. Donn Starry, “Israeli Relationships: Letter to Lieutenant Colonel Michael D. Mahler, Fairfax, Virginia, 28 April 1976”, in Sorley, Press On!, 1:280.
  15. William DePuy, “Implications of the Middle East War on U.S. Army Tactics, Doctrine, and Systems” (military presentation, Feb. 1975), p. 53, extraído de TRADOC Archives.
  16. Ibid., p. 65.
  17. Para obter um relato detalhado sobre a formulação de ambas as doutrinas, veja Aaron J. Kaufman, “Continuity and Evolution: General Donn A. Starry and Doctrinal Change in the U.S. Army, 1974-1982” (monografia, School of Advanced Military Studies, Fort Leavenworth, KS, 2012).
  18. O General Paul F. Gorman também recomendou que o Exército treinasse um quadro de “instrutores de tiro”, graduados mais antigos como especialistas em técnicas de tiro de carro de combate, que iriam para todos os batalhões blindados e estabeleceriam os padrões mais elevados. Desde então, o programa se expandiu para técnicas de tiro de infantaria mecanizada para viaturas Bradley e Stryker, e, nos últimos anos, instrutores de tiro viajaram para Israel para testar várias capacidades avançadas das FDI com base na perspectiva do Exército dos EUA.
  19. Paul f. Gorman, “How to Win Outnumbered”, anexo de carta a Donn A. Starry, 8 Jan. 1974, box 2, folder 7, Donn A. Starry Collection, U.S. Army Heritage and Education Center.
  20. DePuy, “Implications of the Middle East War on U.S. Army Tactics, Doctrine, and Systems”, p. 50.
  21. Ibid., Gráfico 15.
  22. Starry, “TRADOC’s Analysis of the Yom Kippur War”, in Sorley, Press On!, 1:223.
  23. Starry, “Reflections”, in Sorley, Press On!, 1:28.
  24. Bronfeld, “Fighting Outnumbered”, p. 481-82.
  25. DePuy, “Implications of the Middle East War on U.S. Army Tactics, Doctrine, and Systems”, p. 20-21.
  26. Starry, “Infantry Fighting Vehicles: Message to Colonel Bruce Williams, United States Defense Attaché Office, Tel Aviv, Israel, 19 January 1978”, in Sorley, Press On!, 1:242.
  27. Starry, “Air Force: AirLand Battle: United States Air Force Oral History Program Interview Conducted by Dr. Harold R. Winton, 13 May 1995”, Sorley, Press On!, 2:1285.
  28. Starry, “Relations with Israel: Letter to Secretary of State Alexander M. Haig, Jr., 28 September 1981”, in Sorley, Press On!, 2:933.
  29. Starry, “Desert Storm Lessons Learned”, 2:1224.
  30. Starry, “Situations in Germany and Israel: Message to General E. C. Meyer, Army Chief of Staff, 30 November 1982”, in Sorley, Press On!, 2:945.
  31. Pierre Razoux, Tsahal: Nouvelle histoire de l’armée israélienne (Paris: Editions Perrin, 2006), p. 369-459.
  32. U.S. Army Training and Doctrine Command (TRADOC) Pamphlet 525-3-1, The U.S. Army in Multi-Domain Operations, 2028 (Fort Eustis, VA: TRADOC, December 2018), 6-7; “Land on the Horizon” não está disponível ao público, e o autor extraiu informações de vários briefings não classificados das FDI, realizados em 2018.
  33. Diretoria de Carros de Combate e Diretoria de Pesquisa e Desenvolvimento de Defesa do Ministério da Defesa de Israel, em conversas com o autor, 2018-2019.
  34. DePuy, “Implications of the Middle East War on U.S. Army Tactics, Doctrine, and Systems”, p. 25-28.
  35. Ibid., p. 54-57.
  36. David Stefanye, memorandum, “Trip Report, Visit to Israel on 18-21 October 1976” (Washington, DC: Department of the Army, 2 Nov. 1976), p. 13, extraído de TRADOC Historian.
  37. Starry, “Situations in Germany and Israel”, in Sorley, Press On!, 2:945.

O Maj Ethan Orwin, do Exército dos EUA, é oficial de ligação do Comando de Instrução e Doutrina do Exército dos EUA junto às Forças de Defesa de Israel. Concluiu o bacharelado pela Academia Militar dos EUA e mestrados pela University of St. Andrews e pelo King’s College London. Serviu no Afeganistão e no Iraque e em missões em Omã e Israel como um oficial especializado em serviço exterior no Oriente Médio/Norte da África.

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Terceiro Trimestre 2020