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O Colapso da Coreia do Norte ou a Reunificação Coreana

A Importância da Preparação sobre a Previsão

Bryan Port

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O governante norte-coreano Kim Jong-un visita o canteiro de obras de um orfanato em Wonsan, na Província de Kangwon, na Coreia do Norte, 11 Fev 15. A qualidade da construção observada na foto indica os problemas enfrentados pela Coreia do Norte. (Foto cedida por Rodong Sinmun)

A Coreia é de tremenda importância para a segurança nacional e prosperidade econômica dos Estados Unidos da América (EUA). Infelizmente, a maioria dos norte-americanos não acompanha de perto os acontecimentos na Coreia, apesar dos grandes interesses em jogo — interesses que incluem a segurança de mais de 100 mil norte-americanos na Coreia do Sul (República da Coreia, ou RC), centenas de milhares de empregos norte-americanos ligados às exportações para aquele país e dezenas de bilhões de dólares nele investidos. É provável que norte-americanos perdessem suas vidas, empregos ou propriedades nas primeiras horas de um conflito na Coreia. Além disso, um conflito alteraria o equilíbrio regional de poder e teria implicações estratégicas para os EUA. O modo pelo qual os EUA participassem de um possível conflito, particularmente em relação à reunificação da Coreia, afetaria sua capacidade de conservar o papel de liderança que desempenha no nordeste da Ásia e de continuar a colher os diversos benefícios econômicos e de segurança relacionados. Os efeitos de um colapso do governo da Coreia do Norte ou da reunificação das duas Coreias seriam tão profundos que eles requerem estratégias, políticas, planos, decisões e ações voltados a preparar os EUA e a RC para protegerem seus interesses e moldarem o ambiente estratégico que se seguiria a um desses dois acontecimentos1.

A Coreia do Norte (República Popular Democrática da Coreia, ou RPDC) representa uma grave e crescente ameaça aos interesses dos EUA. Ameaça diretamente as vidas de norte-americanos e dos cidadãos de nossos aliados; desenvolve e conduz a proliferação de armas de destruição em massa (ADM); e comete abusos sistemáticos contra os direitos humanos. A maioria dos norte-americanos está ciente dos esforços da RPDC para desenvolver armas nucleares e mísseis de longo alcance, frequentemente escutando histórias sobre seus “estranhos” governantes. Entretanto, poucos entendem a persistente ameaça militar convencional da RPDC e a destruição que poderia infligir à RC e, cada vez mais, a ameaça de ADM que ela representa para os EUA. É ainda mais difícil compreender as consequências de um colapso do governo da RPDC. Embora a possibilidade de uma grande perda de vidas norte-americanas seja menor em um cenário de colapso, de qualquer forma, ele alteraria o panorama estratégico do nordeste da Ásia e afetaria, consideravelmente, os interesses dos EUA.

A preparação para um colapso ou reunificação é mais importante do que a sua previsão. Cabe esclarecer, porém, que não estou defendendo um esforço deliberado para derrubar o regime norte-coreano. Meu foco é, ao contrário, na preparação para um colapso ou reunificação, presumindo que, em algum momento, enfrentaremos essa situação sem nenhum esforço direto para provocá-la. A preparação é fundamental devido à importância estratégica desses possíveis acontecimentos. Mesmo sem prever o momento ou as circunstâncias de um colapso ou reunificação, há muitas dimensões dessas situações que podem ser identificadas, possibilitando que envidemos esforços hoje para nos prepararmos para resolver uma crise de instabilidade no futuro.

Embora mantenham um elevado nível de prontidão, produzam planos operacionais detalhados e conduzam um rigoroso adestramento, as Forças dos EUA e da RC podem fazer mais para planejar-se e preparar-se para lidar com um colapso ou reunificação. Com milhões de vidas, trilhões de dólares e interesses nacionais vitais em jogo, é imperioso que os EUA e a RC continuem a desenvolver um entendimento comum, que possibilite a criação e implementação de estratégias, políticas e planos para lidar com um colapso que coloquem a preparação ativa em seu cerne. Os objetivos são claros: permitir a estabilização da Coreia do Norte, habilitar o povo coreano a decidir quando e como reunificar-se e capacitar os EUA e uma Coreia unificada a manter uma das alianças mais bem-sucedidas da história e, por conseguinte, possibilitar que nosso país continue a contribuir para a estabilidade regional e conserve sua influência e interesses no nordeste da Ásia.

É improvável que, em termos de pessoal e quantidade de material bélico, as Forças Armadas da RC e dos EUA tenham capacidades suficientes e pré-posicionadas à disposição para lidar com um colapso da Coreia do Norte ou uma reunificação2. Contudo, com base na experiência, doutrina e capacidades existentes, as Forças Armadas dos EUA podem dar uma forte contribuição para uma estratégia centrada em preparação dirigida pela RC. Segundo explica o documento Army Operating Concept (“Conceito Operativo do Exército dos EUA”, em tradução livre), como componente da Força Conjunta, o Exército conta com capacidades bem desenvolvidas para estabelecer ambientes estáveis em cenários pós-conflito ou de Estados Falidos[também conhecidos como Estados Frágeis ou Fracassados — N. do T.], consolidar ganhos e obter resultados sustentáveis3. Os esforços do Exército dos EUA para melhorar o desempenho de seus militares e civis ao enfrentarem situações complexas o colocam em boas condições para o êxito na preparação ou execução de operações no caso de um colapso da Coreia do Norte. Apoiadas em uma estratégia centrada em preparação dirigida pela RC, as Forças Armadas dos EUA podem desempenhar um importante papel, ainda que apenas de apoio, na estabilização da Coreia do Norte.

Jovens de uma fazenda coletiva na Coreia do Norte efetuam a colheita, 30 Out 12. As chuvas de outono haviam encharcado as plantações, o que pode ter dificultado o armazenamento da colheita. Os cidadãos da Coreia do Norte enfrentam a fome continuamente, o que é exacerbado pela política do país de priorizar os militares. (Foto de Devrig Velly, União Europeia)

Contextualização e Delimitação dos Problemas

A RPDC tem muitos problemas diferentes, mas a maioria é identificável e terá de ser enfrentada futuramente, seja por causa de uma guerra, pelo colapso do regime ou por uma reunificação pacífica. Os analistas que acompanham a Coreia do Norte podem apresentar uma lista de oportunidades e desafios relacionados a um colapso ou reunificação4. Essa lista, por sua vez, pode oferecer aos órgãos governamentais um modelo para a criação de soluções aos desafios e métodos para o aproveitamento de oportunidades na busca de objetivos, incluindo o estabelecimento de uma paz duradoura na península, a desnuclearização e a estabilidade regional.

Há um número crescente de obras úteis para avaliar questões ligadas à instabilidade e ao possível colapso da RPDC, assim como referências que fornecem abordagens estruturadas para a preparação proativa e, caso necessário, uma resposta positiva a esses acontecimentos5. A doutrina do Exército dos EUA, apoiando-se em sua vasta experiência em operações de estabilização, oferece um modelo para o emprego de análise e preparação, ao qual se pode acrescentar conhecimentos especializados sobre a área6. Os estudos acadêmicos e as análises governamentais não sigilosas dos EUA sobre o assunto são algo relativamente recente, proporcionando informações essenciais sobre o contexto específico do país a serem sobrepostas à doutrina e à experiência do Exército dos EUA7. Coletivamente, as obras citadas anteriormente são de um valor inestimável para se compreender o contexto de um possível colapso do regime na RPDC ou da reunificação da duas Coreias e, por conseguinte, para formular e executar uma estratégia de preparação para essas possibilidades.

Estratégia dos “7 Ps”

Uma estratégia dos “7 Ps” [ baseada nos seguintes termos em inglês politics, public (support), prediction (assessment), policy, plans, preparation e prompting (shaping) — dimensão política, (apoio) público, previsão (avaliação), políticas, planos, preparação e estímulo (moldar) — N. do T.] coloca a aliança entre os EUA e a RC em uma melhor posição para estabilizar a Coreia do Norte e criar condições que possibilitem a reunificação e a reintegração8. Todas as sete dimensões são essenciais, mas este artigo tem como foco as políticas governamentais e a preparação. As outras dimensões podem ser utilizadas em conjunto para estimular mudanças positivas e, espera-se, estáveis na Coreia do Norte9.

A estratégia dos “7 Ps” não propõe nem exige esforços para derrubar o regime da família Kim. Ao contrário, essa estratégia é concebida, primordialmente, para possibilitar uma rápida, efetiva e eficiente estabilização e uma potencial reunificação, no caso de uma crise de colapso que se origine internamente na Coreia do Norte. Contudo, tal estratégia talvez possa incentivar ou capacitar o regime da família Kim a implantar mudanças que reduzam a ameaça que ela representa para seus vizinhos e aumentem o bem-estar de seu próprio povo.

Agricultores trazem o milho colhido, Província de Hwanghae do Norte, Coreia do Norte, 24 Out 12. Devido à inexistência de instalações adequadas de armazenamento, a colheita fica exposta, o que pode resultar em perdas significativas e contribuir para a continuidade das condições de fome na Coreia do Norte. (Foto de Devrig Velly, União Europeia)

A Dimensão Política e o Apoio Público

São necessários esforços concentrados, tanto nos EUA quanto na RC, voltados a gerar entendimento e apoio para uma campanha de estabilização da Coreia do Norte no caso de um colapso. Na RC, o apoio à reunificação vem enfraquecendo. A não ser por coreanos com 50 anos ou mais, nenhuma camada da sociedade sul-coreana mostra grande disposição para arcar com os custos necessários para alcançar a reunificação, e muito menos para fazer investimentos antecipados por meio de impostos ou outras medidas relevantes para compensar os custos de tal empreendimento10. Em reação à mudança de perspectivas na sociedade da RC, a Presidente Park Geun-hye vem trabalhando para gerar um consenso sobre a reunificacão11. Pesquisas com grupos de discussão indicam que os esforços de seu governo detiveram o declínio no apoio à reunificação e estimularam um diálogo mais amplo sobre a questão12. Entretanto, continua sendo difícil obter um consenso nacional; há uma tendência à aceitação de que a divisão permaneça ou, talvez, de que seja criada uma futura federação. Será necessário mais para manter, reforçar e, finalmente, converter o diálogo social em um apoio tangível à preparação proativa para um colapso ou reunificação, que, dependendo da Coreia do Norte, pode não ocorrer de uma forma que ofereça outra opção à RC além de um envolvimento direto13.

O público norte-americano representa um desafio maior em termos de sua disposição a apoiar a estabilização da Coreia do Norte, no caso de um colapso do regime, ou a apoiar a reunificação. Os norte-americanos provavelmente relutariam em apoiar o combate contra elementos remanescentes das Forças Armadas da RPDC para alcançar a estabilização ou reunificação. Para obter apoio, o governo dos EUA teria de fornecer ao povo norte-americano uma explicação convincente sobre os interesses norte-americanos em jogo no caso de um colapso do regime norte-coreano ou de uma reunificação, incluindo a necessidade de obter o controle sobre as ADM da RPDC.

Da Previsão à Avaliação

Precisamos transcender a tendência a prever o destino do regime Kim, para, em vez disso, avaliar o que seria necessário para estabilizar a Coreia do Norte, caso ele entre em colapso, e para estabelecer as condições para a reunificação. Durante mais de duas décadas, desde a morte de Kim Il-sung, os observadores daquele país se dedicaram a prever o colapso da RPDC em detrimento de uma reflexão metódica sobre a preparação necessária para responder a uma crise de instabilidade na Coreia do Norte, muito menos uma reunificação e reintegração. A partir da morte de Kim Il-sung, o foco no colapso se intensificou em momentos-chave, incluindo a primeira crise nuclear e a onda de fome na Coreia do Norte. O resultado foram vinte anos de um “divagar” analítico: os analistas tendem a admirar o problema e o mistério que a Coreia do Norte representa, em vez de considerar como obter avanços na busca de interesses nacionais, ou, o que seria mais nobre, como levar assistência ao sofrido povo norte-coreano.

Quando Kim Jong-un passou, efetivamente, a controlar o poder, a “indústria” de previsão do colapso da Coreia do Norte adaptou seu modo de trabalhar. A análise hoje se concentra em novas áreas, como a consolidação do poder e as relações entre as elites norte-coreanas14. Em vez de prever o momento e circunstâncias exatas do colapso do regime Kim, a maioria se contenta em afirmar que ele não pode durar para sempre15. Essa mudança facilitou a reflexão sobre como responder à instabilidade, e não apenas prevê-la. Também vem produzindo modelos analiticamente poderosos, úteis para uma efetiva preparação16.

Felizmente, não precisamos saber o momento ou natureza exatos de um colapso norte-coreano para entendermos e nos prepararmos para os desafios a ele relacionados. Não é necessário definir cada desafio em detalhe. Existe uma quantidade suficiente de objetivos, tarefas e problemas identificáveis para facilitar o planejamento deliberado [para situações hipotéticas, de contingência, segundo definição do documento JP 5-0 — N. do T.], assim como uma preparação proativa. A formulação de políticas e preparação com base nos fatores conhecidos nos deixará mais bem preparados para obter êxito quando surgirem, inevitavelmente, as incógnitas. Assim, é preciso que a previsão dê lugar à avaliação, e que o planejamento não seja um substituto para uma verdadeira preparação para a instabilidade ou reunificação. Devemos começar a estabelecer condições para o que quer que aconteça, além de melhorar a dissuasão e moldar mudanças positivas e duradouras rumo à estabilidade na Coreia do Norte.

Como Utilizar as Políticas e a Doutrina para Criar Modelos

A doutrina militar e as políticas dos EUA fornecem um modelo para a preparação. A aplicação de conhecimentos especializados sobre a Coreia a essas políticas e doutrina capacitarão os EUA e a RC a aperfeiçoar e transcender o planejamento para iniciar os preparativos. Políticas e referências doutrinárias específicas incluem a Instrução do Departamento de Defesa 3000.05, Operações de Estabilização (DODI 3000.05, Stability Operations); Publicação Conjunta 5-0, Planejamento Operacional Conjunto (JP 5-0, Joint Operational Planning); e Publicação Doutrinária do Exército, Estabilização (ADP 3-07, Stability).

O documento DODI 3000.05 estipula que as operações de estabilização são uma missão militar central dos EUA17. Afirma que civis são mais adequados para o desempenho de tarefas de estabilização, mas quando não estiverem preparados para isso, o Departamento de Defesa comandará as operações para estabelecer a segurança e controle civis, restabelecer os serviços essenciais, reparar e proteger a infraestrutura crítica e prover assistência humanitária. O Departamento de Defesa mantém o controle até que seja possível transferir as tarefas para outros órgãos dos EUA, governos estrangeiros ou organizações internacionais. Entretanto, os EUA devem fazer com que suas políticas e doutrina levem em consideração as circunstâncias especiais de um colapso da Coreia do Norte, particularmente o papel de liderança da RC.

A doutrina norte-americana de planejamento militar constante da JP 5-0 fornece uma abordagem abrangente para o planejamento de quaisquer operações, incluindo a intervenção em crises de instabilidade, desde as que tenham objetivos limitados (resolver uma crise humanitária) até as que incluam estados finais máximos (condições para a reunificação)18.

Segundo a ADP 3-07, as tarefas de estabilização são as conduzidas como parte de operações “conduzidas fora dos EUA em coordenação com outros instrumentos do poder nacional, para manter ou restabelecer um ambiente seguro e prestar serviços governamentais essenciais, reconstrução emergencial de infraestrutura e ajuda humanitária”19. As principais tarefas de estabilização são: estabelecer a segurança e o controle civis; restabelecer os serviços essenciais; apoiar a governança; e apoiar o desenvolvimento econômico e de infraestrutura20. Essas tarefas são elementos importantes em um modelo que guie a preparação para um colapso norte-coreano ou uma reunificação coreana.

Astronautas da Estação Espacial Internacional registraram essa imagem noturna da Península Coreana em 30 Jan 14. Ao contrário das imagens diurnas, as luzes urbanas à noite ilustram, de maneira acentuada, a relativa importância econômica das cidades, com base no tamanho relativo. Nessa vista direcionada ao norte, fica imediatamente óbvio que a Grande Seul é uma importante cidade e que o Porto de Gunsan (sul de Seul) é pequeno, em comparação. Há 25,6 milhões de pessoas na região metropolitana de Seul —mais da metade dos cidadãos sul-coreanos — enquanto a população de Gunsan é de 280 mil habitantes. A Coreia do Norte está quase complemente escurecida, em comparação com a Coreia do Sul e a China. A terra escurecida parece ser uma massa de água que liga o Mar Amarelo ao Mar do Japão. Sua capital, Pyongyang, parece ser uma pequena ilha, apesar de uma população de 3,26 milhões de pessoas (em 2008). A emissão de luz de Pyongyang equivale à de cidades menores na Coreia do Sul. Os litorais são, com frequência, bastante visíveis em imagens noturnas, como caso do litoral no leste da Coreia do Sul. Contudo, é difícil discernir a costa da Coreia do Norte. Essas diferenças são ilustradas pelo consumo de energia per capita nos dois países: a Coreia do Sul consome 10.162 quilowatts-horas e a Coreia do Norte, 739 quilowatts-horas. (Foto cedida pela NASA)

Decisões Cruciais sobre Políticas

As políticas dos EUA e da RC relacionadas à Coreia do Norte são, fundamentalmente, acertadas, mas profundamente incompletas. A RC e os EUA têm posições claras quanto à desnuclearização da Coreia do Norte, à resposta a uma agressão militar norte-coreana e à necessidade de que a RPDC respeite os direitos humanos. Infelizmente, são necessárias diretrizes mais detalhadas para possibilitar a preparação proativa para lidar com situações de colapso ou reunificação.

É preciso, também, que as políticas estabeleçam condições para reduzir ou eliminar, de maneira proativa, fontes de instabilidade, antes de uma crise que leve a RC e os EUA a intervir, e para influenciar a RPDC, de modo que ela adote uma abordagem responsável. Faz-se necessário estabelecer políticas que nos permitam oferecer uma visão de um futuro positivo para a maioria dos norte-coreanos. Isso não quer dizer, por exemplo, que a RC precise de um código civil e de um código penal já com todos os detalhes para uma Coreia reunificada ou de conjuntos análogos de políticas em outros campos, como o da educação. Em vez disso, precisamos de diretrizes que ofereçam aos norte-coreanos, individual e coletivamente, um sentido de perspectivas em uma Coreia transformada ou reunificada, e o que devem ou não fazer para concretizar essas oportunidades. Assim, tais diretrizes proporcionariam uma boa plataforma de planejamento e preparação para guiar as Forças Armadas quanto à maneira de se relacionarem com os norte-coreanos no caso de uma intervenção.

As políticas em jogo estão fora da esfera de decisão das Forças Armadas, mas as questões em pauta têm um impacto crucial no planejamento e na condução de operações militares. Algumas dessas questões são, entre outras: justiça de transição, salários e pensões para ex-funcionários públicos e militares, direitos de propriedade, problemas macroeconômicos (ex.: alienação da moeda norte-coreana, o won) e política educacional (incluindo o desenvolvimento de currículos e o credenciamento profissional). Decisões em áreas como essas capacitarão as Forças Armadas a planejar, adestrar e alocar recursos com bastante antecedência a uma crise. Elas são responsáveis por fornecer o melhor assessoramento militar aos dirigentes civis e por obter uma ideia mais clara de como os dirigentes políticos pretendem proceder. Uma comunicação coletivamente clara entre autoridades militares e civis sobre questões relacionadas às políticas capacitará as Forças Armadas a otimizarem os esforços para facilitar uma transição suave de uma operação comandada por militares para uma chefiada por civis.

Políticas sobre esses tipos de problema podem ser utilizadas para diminuir o alcance, a intensidade e a duração da violência e da resistência durante operações de estabilização. O que é ainda melhor: elas podem aumentar a probabilidade de se obter o apoio popular — na Coreia do Norte e na RC, nos EUA e na comunidade internacional. As diretrizes relacionadas às políticas em cada uma dessas áreas capacitarão as Forças Armadas a cooptar, ou pelo menos neutralizar de maneira não militar, elementos significativos das Forças militares e de segurança da RPDC. Por sua vez, isso poderá diminuir as necessidades relativas a recursos e o risco estratégico associado à estabilização da Coreia do Norte.

Será necessário tomar decisões desse tipo em algum momento, independentemente de como a mudança ocorrer na Coreia do Norte. Se tomadas antes, essas decisões podem mostrar-se úteis na dissuasão, resposta à agressão, configuração estratégica e geração de consenso internacional. A chave é evitar perder oportunidades para se preparar e lidar com mudanças súbitas devido à inexistência de decisões e diretrizes relacionadas a políticas.

Militares da República da Coreia montam guarda na Área de Segurança Conjunta entre a Coreia do Norte e Coreia do Sul, 24 Jun 08. Localizada na hoje desocupada aldeia de Panmunjom, Província de Hwanghae do Norte, Coreia do Norte, na Zona Desmilitarizada Coreana, a Área de Segurança Conjunta é utilizada por ambos os países para engajamentos diplomáticos. É a única parte da Zona Desmilitarizada onde as Forças da Coreia do Norte e as da Coreia do Sul ficam frente a frente. (Foto cedida por Wikimedia Commons)

Das Políticas ao Planejamento

Munidos de diretrizes baseadas nas políticas, as Forças Armadas poderão conduzir melhor o planejamento deliberado sobre como responder a um colapso da Coreia do Norte. O planejamento deliberado colocará em relevo questões atualmente ocultas, mas que, caso tratadas inadequadamente, poderiam estimular uma resistência prolongada na Coreia do Norte ou exacerbar uma crise humanitária já grave. Por exemplo, algumas das primeiras áreas que, provavelmente, passariam para o controle da RC ou da aliança entre ela e os EUA incluem a Província de Hwanghae, na Coreia do Norte — fértil região agrícola. A incapacidade de reabilitar a agricultura rapidamente no caso de um colapso da Coreia do Norte poderia custar a legitimidade à RC e à aliança entre EUA e RC e colocar uma população já vulnerável em maior risco de desnutrição ou fome. O êxito em esforços de desenvolvimento econômico e de infraestrutura no início de uma crise nas primeiras áreas que passem para o controle da RC ou da aliança EUA-RC incentivaria os norte-coreanos em outras regiões do país a serem mais flexíveis, se não cooperativos.

Ao entenderem, com maior precisão, os desafios e oportunidades e sabendo que a maior parte das forças terrestres serão da RC, os EUA estarão mais aptos a identificar e preparar-se para contribuírem com multiplicadores do poder de combate específicos ou de estabilização. Áreas específicas a serem consideradas incluem, entre outras: comando, controle, comunicações e computadores; Inteligência de imagens; mobilidade; logística; medicina militar; autoridade policial e justiça militares; e engenharia militar. Adestramos nossas forças para atender aos requisitos de nossos planos. Portanto, mudanças no planejamento terão implicações significativas para o adestramento, prontidão e recursos. Considerando que o adestramento gera a prontidão, essas mudanças em nossos planos levarão a uma melhor preparação.

Do Planejamento à Preparação

Há muita coisa que as Forças Armadas dos EUA podem fazer para se preparar para os desafios de possíveis operações de estabilização na Coreia do Norte. Contudo, isso requer visão, liderança, recursos e a aceitação de riscos. Não é uma tarefa fácil convencer o povo norte-americano ou sul-coreano a investir recursos hoje para um acontecimento que, na opinião de alguns, nunca ocorrerá e que não pode ser previsto com precisão. Essa tarefa se torna ainda mais árdua quando se consideram as outras prioridades e desafios que cada nação enfrenta atualmente. Para complicar a situação, iniciativas de preparação ativa poderiam provocar uma reação adversa da Coreia do Norte, mesmo quando expressamente comunicadas e executadas como sendo desprovidas de qualquer intenção de pôr fim ao regime Kim. Além disso, muito do que pode ser feito na atualidade não faz parte do campo de ação das Forças Armadas21. Contudo, apesar das limitações e restrições, há preparativos que as Forças Armadas dos EUA podem realizar.

Podem utilizar uma plataforma de preparação para reforçar a cooperação interagências. Retomando o exemplo anterior sobre a Província de Hwanghae, as Forças Armadas da RC e dos EUA poderiam consultar especialistas em agricultura a fim de obter ideias sobre as ações iniciais necessárias para reabilitar o setor agrícola da Coreia do Norte, incluindo a identificação de um quadro de especialistas que estejam dispostos a participar do avanço inicial de uma operação de estabilização. Esse quadro se encarregaria de avaliar, organizar e administrar os recursos e as operações para impedir que a Coreia do Norte perdesse o período de plantio devido a um conflito e garantir um rendimento produtivo dentro do prazo de um ano.

Os EUA e a RC também poderiam explorar melhor os desertores. Fala-se muito na quantidade de desertores norte-coreanos que atualmente vivem na RC, e alguns tendem a descartar seu valor para fins de Inteligência, quanto mais seu valor em um esforço para levar estabilidade ao norte. Ainda que incapazes de localizar com precisão as armas nucleares norte-coreanas ou nos permitir vislumbrar os pensamentos íntimos e os monólogos de Kim Jong-un, os desertores das áreas e profissões em questão podem representar um recurso valioso para entender as necessidades que a RC, os EUA e a comunidade internacional enfrentarão na esteira de um colapso da Coreia do Norte.

As Forças Armadas dos EUA podem assessorar e propor providências militares e não militares que envolvam a comunidade internacional, particularmente os Estados contribuintes do Comando das Nações Unidas na Coreia. Mesmo que o assessoramento e propostas resultem apenas em um entendimento comum e maior exatidão no planejamento, ficaremos mais bem preparados para responder a uma crise de instabilidade. Muitos dos países que contribuem com o Comando das Nações Unidas provavelmente desejarão contribuir com os esforços para gerar estabilidade e uma paz duradoura na península coreana. Os EUA podem auxiliar na mobilização e organização desses esforços de um modo que seja aceitável para a RC.

Além disso, os EUA não têm explorado suficientemente nossos sistemas de ensino profissional militar e de educação civil. Dentro das instituições educacionais do Departamento de Defesa, podemos programar uma instrução aplicável, geral e diretamente, a contingências norte-coreanas, a fim de aumentar a capacidade de nossos profissionais militares para ter êxito nas condições incertas e complexas que decerto caracterizarão uma crise de instabilidade na Coreia do Norte22. O Exército dos EUA é bastante adequado nesse sentido, com experiências recentes e profundas em desafios de estabilização incorporados na doutrina e aplicados no adestramento23. Conta com a capacidade de realizar o trabalho conceitual necessário para obter êxito ao enfrentar uma crise de instabilidade na Coreia do Norte. Sendo um dos componentes principais do sistema de ensino militar, a Army University (Universidade do Exército) representa um passo significativo para assegurar que o Exército dos EUA não só conserve, como também aumente sua vantagem competitiva em criatividade e inovação, conforme operacionalizada por meio do Comando de Missão24.

O estabelecimento de redes de contatos, parcerias e coalizões e a interação com elas são um outro ponto forte das Forças Armadas dos EUA. O Exército deve aumentar o foco na preparação de profissionais em áreas-chave relacionadas a questões coreanas, particularmente a instabilidade norte-coreana. Isso inclui oficiais especializados na área de serviço exterior, em relações internacionais e em assuntos civis e militares da área de operações de apoio à informação. O desenvolvimento de nosso capital humano e as iniciativas para estimular redes utilizando nossos talentosos profissionais gerarão lucros na adaptação às condições complexas e mutáveis que eles enfrentarão no caso de um colapso da Coreia do Norte.

Produção de uma Mudança Positiva e Estável

Existe uma linha tênue entre preparar-se para uma mudança e provocá-la. Embora nossa intenção possa ser provocar uma mudança positiva e estável, seus “beneficiários” talvez não a enxerguem dessa forma. O acúmulo de ações preparatórias ao longo do tempo pode ser percebido não como uma série de esforços para nos posicionarmos para um possível futuro, mas como uma tentativa deliberada de ocasionar a mudança de regime. São necessárias comunicações estratégicas e fortes parcerias internacionais para aumentar a probabilidade de que ações preparatórias não levem a uma situação em que a Coreia do Norte parta para o ataque.

Existe, também, o potencial de transcender a preparação, utilizando ações preparatórias em uma modalidade de “dissuadir e moldar”. Muitas das medidas discutidas anteriormente podem ser empregadas dessa forma, incluindo a determinação de políticas que forneçam futuros alternativos claros e positivos para a maioria dos norte-coreanos, sem que sejam feitos esforços concentrados para aplicar tais políticas antes de uma crise. Também podemos envolver a população norte-coreana com informações práticas, que possam ser usadas para melhorar sua vida cotidiana e torná-la mais bem preparada para lidar com mudanças súbitas. Por exemplo, poderíamos fornecer informações sobre medicina preventiva ou engenharia civil. Isso também aumentaria a credibilidade dos canais que utilizássemos para transmitir as informações. Os investimentos em moldar a situação têm o potencial de levar a Coreia do Norte a efetuar mudanças internamente de maneira estável; de atenuar as dificuldades encontradas, caso o colapso ocorra; e de consolidar a perspectiva de uma aliança entre os EUA e uma Coreia unificada.

Conquistando a Paz: Uma Aliança entre os EUA e uma Coreia Unificada

Conforme observado anteriormente, nossos esforços para nos prepararmos para uma possível instabilidade na Coreia do Norte são insuficientes, colocando em risco milhões de vidas, trilhões de dólares e interesses vitais. Além disso, a forma pela qual os EUA responderem a uma crise terá um tremendo impacto sobre sua futura posição na região e em outras partes do mundo. Caso os coreanos considerem que os EUA não tenham cumprido seus compromissos ou caso a forma pela qual atue leve outros a questionarem sua disposição ou capacidade para a ação em outras partes do mundo, sua habilidade para influenciar e moldar o ambiente estratégico sofrerá um grande golpe. Uma estratégia dos “7 Ps” que priorize a preparação e estabeleça condições para esforços mais deliberados de moldar a situação apresenta a melhor perspectiva para assegurar nosso bom desempenho em uma crise de instabilidade e, por extensão, preservar a aliança entre os EUA e a RC e as opções e liderança norte-americana na região.

As opiniões expressas neste artigo são do autor e não refletem a política ou posição oficiais do Departamento de Defesa ou de qualquer outro departamento ou órgão do Governo dos EUA.

Referências

  1. Muitos dedicaram um tempo considerável à discussão dessas questões com o autor. Por seus conselhos e orientações, quero expressar minha gratidão a Bruce Bennett, da RAND Corporation, e a muitos oficiais atualmente na ativa e funcionários civis dos EUA e da República da Coreia (RC), incluindo Ken Gause, Gen Div Chun In-bum, Dan Pinkston e Peter Beck.
  2. Atribuo esta ideia — por não termos assistido a uma grande guerra no território de uma nação industrializada e avançada desde a Segunda Guerra Mundial — a Kwon Go-Hoon, da firma Goldman Sachs, que fez essa observação durante uma conversa que tivemos em Seul, em 2013. Apesar das capacidades das Forças Armadas da RC, a gravidade e a extensão de um colapso fariam com que fosse provável que ela quisesse e precisasse de assistência. Embora as tarefas de estabilização sejam intensivas em mão de obra, a RC seria capaz de lhes dedicar poucos recursos, caso suas forças estejam desgastadas, ou de outra forma impossibilitadas, contra uma resistência em larga escala da Coreia do Norte. Além disso, está prevista uma redução de tropas nas Forças Armadas da RC.
  3. U.S. Army Training and Doctrine Command (TRADOC) Pamphlet (TP) 525-3-1, The U.S. Army Operating Concept: Win in a Complex World (Fort Eustis, VA: TRADOC, 31 October 2014).
  4. Bruce W. Bennett, Preparing for the Possibility of a North Korean Collapse (Santa Monica, CA: RAND Corporation, 2013), acesso em 4 abr. 2016, http://www.rand.org/pubs/research_reports/RR331.html; materials associated with the University of Southern California (USC)–Center for Strategic and International Studies (CSIS), Korean Unification Project 2010 Working Paper Series, principal investigators Victor Cha (CSIS) e David Kang (USC), acesso em 4 abr. 2016, http://csis.org/program/korean-unification.
  5. A literatura ostensiva, governamental e não governamental, sobre a RC, muitas vezes é sujeita a críticas quanto a um ou mais aspectos, incluindo avaliações excessivamente otimistas sobre os desafios ou sobre a capacidade da RC para enfrentá-los. Outra crítica significativa diz respeito à falta de exatidão ou detalhe.
  6. U.S. Army Field Manual (FM) 3-07, Stability (Washington, DC: U.S. Government Printing Office [GPO], June 2014); Army Doctrine Publication (ADP) 3-07, Stability (Washington, DC: U.S. GPO, 31 August 2012); Army Doctrine Reference Publication (ADRP) 3-07, Stability (Washington, DC: U.S. GPO, August 2012). A doutrina dos EUA sobre as operações de estabilização baseia-se fortemente nas lições aprendidas no Iraque e no Afeganistão. Contudo, muitos coreanos reagem negativamente quando norte-americanos, ou indivíduos de outras nacionalidades, apoiam-se nas experiências naqueles dois países, afirmando que a Coreia não é como nenhum dos dois. É recomendável que aqueles que tenham responsabilidades relacionadas à preparação para uma crise na península honrem as diferenças e que os críticos se valham das lições aprendidas no Iraque e no Afeganistão devido às várias semelhanças, mesmo que as utilizem apenas como ponto de partida.
  7. Bennett, North Korean Collapse; USC-CSIS, Korean Unification.
  8. Estabeleço uma clara distinção entre “moldar” e “mudar” o regime. Moldar visa a alterar a forma pela qual o regime pensa, decide e age, ao contrário de mudar o regime, que se concentra em substituir todas as principais autoridades e em modificar, fundamentalmente, a estrutura política da Coreia do Norte.
  9. Reconheço os colegas do Comando dos EUA no Pacífico pelo trabalho que realizaram sobre um conceito para uma “mudança estável”.
  10. Em 2010, o então Presidente Lee Myung-bak propôs um imposto para angariar fundos para pagar por uma reunificação. Confira Brett Cole, “South Korea President Calls for Reunification Tax”, site Reuters online, 15 August 2010, acesso em 14 jul. 2016, http://www.reuters.com/article/us-korea-north-tax-idUSTRE67E08K20100815.
  11. O governo Park codificou importantes conceitos sobre a Coreia do Norte no documento New Era of Hope: National Security Strategy, da RC, no final de 2014. See Park Geun-Hye, “A New Kind of Korea: Building Trust between Seoul and Pyongyang”, Foreign Affairs (September/October 2011); Blue House, A New Era of Hope: National Security Strategy (Republic of Korea: Blue House, October 2014).
  12. A afirmação de que o apoio à reunificação não está mais diminuindo baseia-se, em parte, nos resultados de mais de três dúzias de grupos de discussão compostos de jovens e conduzidos de 2010 a 2015. Esses grupos normalmente incluíam de seis a dez estudantes universitários sul-coreanos no final da adolescência ou com vinte e poucos anos. A grande maioria dos participantes reconheceu que as iniciativas da presidente haviam intensificado a discussão sobre a unificação de maneira ampla, ainda que não houvessem levado a um aumento do apoio. Contudo, as iniciativas da Presidente Park parecem ter interrompido o declínio do apoio à reunificação e ter, possivelmente, estabelecido uma base para a renovação do apoio no futuro. A justificativa para o apoio vem mudando da noção de imperativo histórico e vínculos étnico-nacionalistas com o Norte para a de considerações estratégicas.
  13. Han Wool Jeong, The Public’s Appraisal of the Park Geun-hye Administration’s Unification Policy: The Deterioration of Support for the Unification as a “Bonanza” Idea and a Way to Reignite Momentum, trans. Benjamin A. Engel (Seoul: East Asia Institute, August 2015), acesso em 21 jun. 2016, http://www.eai.or.kr/data/bbs/eng_report/201509071627572.pdf.
  14. Ken E. Gause, North Korean House of Cards: Leadership Dynamics Under Kim Jong-un (Washington, DC: Committee for Human Rights in North Korea, 2015), acesso em 21 jul. 2016, https://www.hrnk.org/uploads/pdfs/HRNK_Gause_NKHOC_FINAL.pdf.
  15. Uma busca da expressão “Preparing for North Korean Collapse” (“Preparação para o Colapso Norte-Coreano”) no site Google, realizada em 22 Mai 16, resultou em seis artigos diferentes e de fontes confiáveis na primeira página (ex.: RAND Corporation, Council on Foreign Relations Asian Institute e o site National Interest) sobre a preparação para um colapso da Coreia do Norte. Outras fontes mostram uma tendência a distanciar-se de previsões específicas sobre o momento do colapso norte-coreano para avaliações gerais de que o regime não será capaz de manter-se, incluindo Julian Ryall, “Is North Korea Finally Close to Collapse?” site Deutsche Welle, 13 April 2016, acesso em 21 jun. 2016, http://www.dw.com/en/is-north-korea-finally-close-to-collapse/a-19183141; Armin Rosen, “The Long History of (Wrongly) Predicting North Korea’s Collapse”, site The Atlantic, 6 August 2012, acesso em 21 jun. 2016, http://www.theatlantic.com/international/archive/2012/08/the-long-history-of-wrongly-predicting-north-koreas-collapse/260769/; Andrei Lankov, “When May North Korea Collapse?” site Fortuna’s Corner, 4 March 2014, acesso em 21 jun. 2016, http://fortunascorner.com/2014/03/04/when-may-north-korea-collapse-by-andrei-lankov/ (Lankov é um dos mais renomados especialistas sobre a Coreia do Norte. Foi consultado frequentemente por este autor e é frequentemente consultado por autoridades do mais alto escalão do governo dos EUA); Kim Sung-han, “The Future of North Korea”, site Center for Strategic and International Studies, 4 November 2014, acesso em 21 jun. 2016, https://csis-prod.s3.amazonaws.com/s3fs-public/legacy_files/files/publication/141031_The_Future_of_north_korea.pdf (Kim serviu como Vice-Ministro de Relações Exteriores da RC entre 2012 e 2013).
  16. Bennett, North Korean Collapse; USC-CSIS, Korean Unification.
  17. Department of Defense Instruction 3000.05, Stability Operations (Washington, DC: U.S. GPO, 16 September 2009), acesso em 14 jul. 2016, login requerido, http://www.dtic.mil/whs/directives/corres/pdf/300005p.pdf.
  18. Joint Publication 5-0, Joint Operational Planning (Washington, DC: U.S. GPO, 11 August 2011). Além disso, gostaria de destacar uma importante expressão utilizada aqui: a distinção entre uma verdadeira reunificação e as condições para ela. Uma real reunificação envolve decisões políticas que não competem aos militares. Ao contrário, as Forças Armadas devem criar as condições para que as decisões políticas possam ser feitas no ambiente mais seguro possível.
  19. ADP 3-07, Stability, GL-2.
  20. Ibid., p. 11.
  21. As Forças Armadas não estão preparadas para armazenar materiais de assistência humanitária a serem usados em operações de estabilização. Tampouco são os elementos mais indicados para chefiar a criação e execução de ações de informação amplas para transformar as perspectivas norte-coreanas e preparar a população para lidar melhor com mudanças súbitas.
  22. ADRP 1, The Army Profession (Washington, DC: U.S. GPO, 14 June 2015); TP 525-3-1, The U.S. Army Operating Concept.
  23. FM 3.07, Stability; ADP 3.07, Stability; ADRP 3.07, Stability; TP 525-3-1, The U.S. Army Operating Concept.
  24. Robert B. Brown, “The Army University: Educating Leaders to Win in a Complex World”, Military Review 95, no. 4 (July-August 2015): p. 18.

Bryan Port é o Diretor de Estratégia nas Forças dos EUA na Coreia, Comando das Forças Combinadas e Comando das Nações Unidas, em Seul, Coreia. Serviu em funções de comando e estado-maior como militar e como funcionário civil do Exército dos EUA na Coreia do Sul, no Iraque, no Afeganistão e nos EUA. É mestre em Estudos sobre Segurança Nacional pela Georgetown University. Sua formação profissional inclui o estudo do idioma coreano no Defense Language Institute em Monterey, Califórnia, e na Yonsei University, em Seul, na Coreia.

Primeiro Trimestre 2017