Revista Profissional do Exército dos EUA

Edição Brasileira

Primeiro Trimestre 2021

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Um Referencial Militar Russo para Entender a Influência no Período de Competição

Tom Wilhelm

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O Ministro da Defesa Sergei Shoigu realiza uma reunião virtual do Conselho do Ministério da Defesa da Rússia, que incluiu o Chefe do Estado-Maior Geral Valery Gerasimov, outros integrantes principais do Estado-Maior Geral e outros líderes militares russos, Moscou, 29 de abril de 2020. A reunião foi realizada para se debater uma série de questões, incluindo medidas para mitigar os impactos adversos da pandemia da covid-19. (Foto: Ministério da Defesa da Rússia)

A informação tornou-se uma arma destrutiva, da mesma forma que uma baioneta, munição ou projétil.

– Vladimir Slipchenko


Para o Exército dos Estados Unidos da América (EUA), um período de competição consiste em ações ao longo do tempo que exploram as condições do ambiente operacional, com o objetivo de obter uma posição de vantagem abaixo do limiar do conflito armado. No âmago da competição está a capacidade de criar um impasse estratégico e operacional para ganhar a liberdade de ação em qualquer domínio. Isso é feito por meio da integração de ações políticas e econômicas, da guerra não convencional e de informação e do real emprego ou ameaça de emprego de forças convencionais1. “A Rússia explora as condições do ambiente operacional para atingir seus objetivos por meio da ruptura de alianças, parcerias e determinação, especialmente pela utilização eficaz de informações para minar a vontade das forças amigas”2. De diversas formas, essa descrição da influência russa aparece com frequência em análises de segurança ocidentais. As opiniões predominantes incluem, geralmente, a noção de que grande parte da influência russa sobre os acontecimentos é planejada e coordenada. Isso é, sem dúvida, verdade em muitos casos. No entanto, pode ser difícil identificar a estrutura da influência russa, uma vez que ela pode resultar não apenas de operações planejadas, mas também de práticas geopolíticas convencionais, atividades cívicas espontâneas e muitas outras ações e fatos que contribuem para a consecução dos objetivos russos3. Os atores podem ser oriundos de todos os componentes do governo e, ainda assim, não representar uma abordagem de governo como um todo (whole-of-government). A influência russa pode envolver muitos aspectos da sociedade russa e de outros governos e suas sociedades, além de redes extralegais. Além disso, há outros fatores insolúveis, como a dinâmica institucional pouco transparente no processo decisório do Kremlin e as atividades secretas dos serviços de segurança russos, incluindo suas forças armadas e Estado-Maior Geral. Algo que consterna ainda mais os atores externos é que qualquer incidente ou atividade pode ser negado ou ser o resultado de um bardak (uma acepção russa específica de fiasco)4. Contudo, os acontecimentos que se desenrolam durante a disputa por moldar e controlar o ambiente de segurança também podem ser confusos para os próprios russos e para os militares em particular. Conforme observam os principais teóricos militares russos I. A. Chicharev, D. S. Polulyah e V. Yu. Brovko, o ambiente operacional é caracterizado pela “confusão de uma gama de ferramentas militares e não militares [que] pertencem às guerras híbridas modernas”5. Para o sistema militar russo — guardião da cultura estratégica russa e sua principal instituição de planejamento, o Estado-Maior Geral — isso tem sido algo alarmante, e seus integrantes têm se empenhado em enfrentar o problema.

Emblema do Estado-Maior Geral das Forças Armadas da Federação Russa (Imagem: Wikimedia Commons)

Há vários referenciais que oferecem uma forma de entender como a influência russa é exercida no atual ambiente operacional. Esses referenciais estão centrados, muitas vezes, em fatos militares específicos ou explicados nos âmbitos sociocultural e político-estratégico. Vão desde análises de estudos de caso a uma síntese da mentalidade e tradição russas, kremlinologia e imagens espelhadas do que suas forças armadas alegam que o Ocidente está fazendo contra a Rússia6. Todos oferecem contribuições inestimáveis. Entretanto, em termos de um referencial diferenciado, desenvolvido a partir de uma visão militar russa, as tendências do Estado-Maior Geral revelam um modelo útil para examinar todos os níveis de influência no período de competição.

As forças armadas russas não esclarecem, de maneira direta ou completa, o que fazem ao conceberem, desenvolverem, implementarem e coordenarem ações para afetar o que descrevem como o “amálgama de cálculo e de risco” de seus adversários7. Em grande medida, seu processo é dogmático, sigiloso e oportunista ao mesmo tempo. Além disso, por vezes, os acontecimentos de influência russa envolvem as forças armadas de uma forma óbvia, e, em outras ocasiões, elas parecem ter dificuldades e estar tentando se colocar a par de ações que desafiam sua arraigada cultura de planejamento8. Não obstante, analisar alguns dos avanços doutrinários do Estado-Maior Geral possibilitou uma exposição estruturada à forma pela qual as forças armadas russas podem enxergar a influência, especialmente no período de competição. Há também a possibilidade de ver como elas devem lidar com ela futuramente, podendo até despontar com um papel mais consolidado e central entre as instituições de segurança estatais.

Influência sobre a defesa do mundo russo e o objetivo da guerra de informação

Conforme descrito em sua política militar oficial, a Rússia tomará medidas militares para garantir a “segurança dos interesses vitais” dos russos, da sociedade e do Estado9. Os riscos e ameaças militares incluem uma “rivalidade dos valores proclamados e dos modelos de desenvolvimento”10. A política determina, porém, que o setor militar empregue medidas “somente após terem sido esgotados os instrumentos políticos, diplomáticos, legais, econômicos, informacionais e outros instrumentos não violentos”, mas não impede a participação, apoio ou desenvolvimento de capacidades das forças armadas em qualquer uma dessas dimensões11. Na verdade, como observa a doutrina: “Há uma tendência de transferir riscos militares e ameaças militares para o espaço informacional”12. Essa é uma afirmação reveladora, porque a guerra de informação é algo que os russos desenvolveram de modo considerável em sua ciência militar ao longo de décadas. Fortalecida por essa doutrina, que equivale a uma política nacional russa, a atual lista de componentes da guerra de informação do Estado-Maior Geral indica uma ampla visão imaginativa. Inclui centros de mídia internacionais, bases militares no exterior, organizações de direitos humanos, indústrias cinematográfica e de jogos de videogame, empresas militares privadas e até “a necessidade de utilizar acadêmicos de renome mundial, como ganhadores do prêmio Nobel”13. Segundo as forças armadas, o objetivo de dominar a influência, nesse contexto, é descrito como proteger o interesse nacional por meio da “neutralização” e “supressão” de ataques contra a promoção da Rússia e sua defesa de um Russkiy mir (mundo russo)14. Na dimensão informacional, a ciência militar russa divide a guerra de informação em informacional técnica, que pode incorporar ataques cibernéticos e guerra eletrônica, e informacional psicológica, que inclui uma ampla gama de atividades destinadas a gerar imprevisibilidade. Neste último caso, são mantidas aparências legítimas, mas o conteúdo é alterado e o contexto da informação é transformado para adequá-lo aos objetivos15. De acordo com os militares, o efeito final de operações de influência seria que um adversário se “autodesorganizasse” e “autodesorientasse”16.

Por meio de seus veículos de comunicação, os desenvolvedores de sistemas de combate da Rússia afirmam que robôs militares russos (como mostra a foto) que utilizam informações artificiais sofisticadas terão, em breve, “capacidades quase humanas” que lhes permitirão avaliar, de forma independente, a mudança das condições enfrentadas, definir novas linhas de ação, comunicar e coordenar com outras máquinas e tomar decisões no campo de batalha sem o envolvimento humano. Essas afirmações são, pelo menos em parte, destinadas a intimidar os potenciais adversários. (Foto: RT)

As palavras importam. O significado disso no pensamento militar russo também é evidenciado na evolução de sua terminologia militar. Os termos de arte operacional russos têm um peso doutrinário. As forças armadas, muitas vezes por meio da Academia Militar do Estado-Maior Geral e instituições militares superiores relacionadas, escolhem e empregam palavras cuidadosamente após considerá-las deliberadamente por um tempo. O léxico da ciência militar russa é utilizado para garantir que o planejamento se dirija a fins calculáveis e que os avanços no âmbito de toda a força estejam fundamentados nos mesmos princípios. No âmbito da influência e das operações de influência, alguns termos-chave relacionados à guerra de informação russa foram desenvolvidos dessa maneira intencionalmente, revelando as motivações e direções do Estado-Maior Geral. Alguns termos estão sob consideração, o que indica que ainda há mudanças doutrinárias em curso no âmbito do Estado-Maior Geral. Surgiram, ainda, outros termos para nortear seu trabalho no atual ambiente operacional. Por exemplo, o termo “propaganda”, preso às suas raízes no Exército Vermelho, ainda existe oficialmente, com o significando de sabedoria “intencional” do governo17. No entanto, as forças armadas quase não o utilizam nesse sentido positivo em suas publicações atuais. Ao contrário, o sentido negativo e não doutrinário do termo aparece com mais frequência como algo que é praticado contra elas. O termo “contrapropaganda”, antes um elemento comum no léxico militar russo, utilizado para descrever as informações negativas criadas pelos adversários, está em uma espécie de limbo doutrinário, e os russos parecem estar buscando outras formas de expressar isso18. Alguns termos antigos vêm sendo revisados: “sabotagem”, por exemplo, foi ampliado para incluir o contexto das operações de informação; os termos doutrinários para “dissimulação”, “direção errada” e “desorientação” estão se transformando em sinônimos na descrição dos efeitos de influência19. A definição padrão de “defesa” agora inclui o “uso de armas de precisão e meios extremamente eficazes de guerra de informação”20. Outros termos como “tecnologia de caos controlado” na “esfera cultural-filosófica” da “guerra híbrida” são conceitos mais recentes, sob debate e desenvolvimento, juntamente com “pacote de informações” e “simulacros” relacionados com o “controle reflexivo”, que é fazer com que um adversário fique propenso a tomar decisões por conta própria que são predeterminadas para favorecer o protagonista21. “Desorganização” visa a causar uma “má gestão”; da mesma forma, a “fragmentação” se refere a ações que abalam o processo decisório do inimigo em momentos cruciais, destacando, particularmente, a ação de impedir os principais atores de tomar essas decisões22. As operações iniciadas com esse fim são designadas de “ataques de informação”23. O objetivo de “canais especialmente criados” para inserir informações errôneas pode incluir organizações como a Diretoria Geral de Inteligência do Estado-Maior Geral, mas inclui, expressamente, os meios de comunicação públicos24.

Essa evolução terminológica indica que o Estado-Maior Geral está construindo uma base bem específica. É um entendimento não só de como a guerra de informação é contextualizada na previsão e descrição da natureza do conflito, mas também como as ações de influência podem ser operacionalizadas ou, pelo menos, tratadas de um modo mais calculável. Por exemplo, considerados juntos, esses conceitos são muito mais do que planejar e organizar uma operação para desviar, obstruir ou enganar um inimigo em um momento tático. O objetivo final é moldar ou alterar a natureza do próprio conflito.

Um míssil Buk danificado é exibido em 24 de maio de 2018 durante uma coletiva de imprensa por integrantes da equipe de investigação conjunta, composta por autoridades da Austrália, Bélgica, Malásia, Países Baixos e Ucrânia, em Bunnik, Países Baixos. Moscou continuou a negar seu envolvimento na destruição do avião de passageiros (MH-17) da Malaysia Airlines, mesmo depois de uma equipe internacional de investigadores afirmar que uma análise detalhada de imagens de vídeo e fotos havia estabelecido, sem sombra de dúvida, que o míssil Buk que derrubou o avião sobre o leste da Ucrânia há quase quatro anos veio de uma organização militar baseada na Rússia. (Foto: Francois Lenoir, Reuters)

A influência e a arte operacional russa. Em 2015, o então Chefe da Diretoria Geral Operacional do Estado-Maior Geral russo, Gen Div Andrei V. Kartapolov, publicou um artigo na Revista da Academia de Ciência Militar que descrevia um “novo tipo de guerra”. Seu artigo, baseado em uma análise de tendências, consolidou as previsões anteriores e estudos históricos do Estado-Maior Geral. O mais famoso foi o realizado por S. G. Chekinov e S. A. Bogdanov, o qual foi entendido pelos analistas ocidentais como “guerra de nova geração russa”, sendo também utilizado pelo Chefe do Estado-Maior Geral da Rússia, Valery Gerasimov, em sua própria publicação sobre previsão, anteriormente conhecida como “Doutrina Gerasimov”. Algo crucial é que Chekinov e Bogdanov acreditavam que os objetivos estratégicos não seriam alcançados a menos que se obtivesse a superioridade de informações; a obra de Gerasimov indicava que a proporção entre medidas não militares e militares na guerra futura seria de quatro para uma25. Em termos de arte militar durante o que o Ocidente reconhece como período de competição, Kartapolov observou um “conjunto de ações indiretas” que caracterizam o “novo tipo de guerra”, incluindo a “guerra híbrida”. Essa lista de formas e métodos — uma nomenclatura específica da ciência militar russa — baseou-se na análise histórica do Estado-Maior Geral sobre o que ele acreditava que o Ocidente havia feito para atacar a Rússia desde antes do final da Guerra Fria26. Dada sua função na época e, atualmente, como Vice-Ministro da Defesa e Chefe da Administração Geral Militar-Política, pode-se considerar que a descrição de Kartapolov sobre métodos serve a dois propósitos fundamentais. Em primeiro lugar, ela serviu de baliza durante anos cruciais de desenvolvimento, para orientar o trabalho doutrinário e o foco do planejamento do Estado-Maior Geral. Em segundo lugar, também esclarece, de modo bastante confiável, as intenções russas no que se refere à natureza do conflito contemporâneo27. Nesse contexto, a descrição de Kartapolov pode ser entendida como um roteiro para o desenvolvimento e prática russos.

Uma análise aplicada do referencial de Kartapolov

O referencial tem oito componentes e envolve mais do que apenas a instituição militar:

(1) exercer pressão política, econômica, informacional e psicológica;

(2) desorientar a liderança política e militar;

(3) disseminar a insatisfação entre a população;

(4) apoiar a oposição interna em outros países;

(5) preparar e desdobrar a oposição armada;

(6) desdobrar forças especiais;

(7) conduzir atos subversivos; e

(8) empregar novos sistemas de armas28.

Alguns exemplos podem ajudar a demonstrar como o Estado-Maior Geral pode considerar ações de influência durante a fase de competição e fase inicial da guerra. (Não se pretende que essa seja uma lista ou análise definitiva dos fatos.)

Exercer pressão política, econômica, informacional e psicológica. Como método de influência, a pressão política, econômica, informacional e psicológica pode incluir engajamentos e exercícios multilaterais militares comumente praticados, que a Rússia utiliza para desenvolver e moldar relações e parcerias políticas e militares. Por exemplo, avanços militares em robótica e uma maior presença no Ártico incentivam uma sensação de vantagem competitiva para os atores externos. Trata-se de propaganda militar clássica e eficaz, de acordo com a definição russa.

Desorientar a liderança política e militar do adversário. A maioria dos principais meios de comunicação russos continua a ser controlada, em grande parte, pelo Kremlin, servindo, assim, para difundir mensagens aprovadas por ele em âmbito interno e externo. Todas as principais estações de televisão e rádio também oferecem programas com temas militares, muitos dos quais são apoiados pelo Ministério da Defesa, não apenas destacando os últimos avanços militares e promovendo a imagem das forças armadas, mas também incutindo o retrato da ameaça criado pelo Kremlin. As descrições do Presidente Vladimir Putin sobre novos sistemas de armas “invencíveis” promovem um sentido de força russa e um ambiente de segurança estratégica alternativo, no qual a Rússia tem vantagem. Essas atividades têm valor de propaganda na promoção dos objetivos russos, mas também podem desorientar observadores e decisores externos.

Disseminar a insatisfação entre a população-alvo. Muitas atividades de influência russas viraram manchete. Um desses acontecimentos foi o abate do avião de passageiros malásio (MH-17) sobre um território controlado por grupos separatistas na Ucrânia. Nesse caso, o setor militar russo corroborou a resposta de seu governo com imagens de satélite desatualizadas, documentação duvidosa sobre a transferência de armas e simulações de um ataque falsificado de mísseis superfície-ar ou aeronaves militares da Ucrânia. Hoje, a maioria dos russos acredita que seu país não teve nenhuma culpa, da mesma forma que alguns ucranianos e até mesmo o primeiro-ministro da Malásia na época, Mahathir Mohamad o qual declarou seu apoio à posição de “falta de provas” da Rússia29. Em geral, esse esforço poderia ser visto como uma série de ações de despistamento, que fragmentaram uma condenação unificada contra a Rússia.

General Andrei Kartapolov, Chefe da Diretoria Geral Operacional do Estado-Maior Geral russo, realiza uma coletiva de imprensa em 19 de novembro de 2015, detalhando os resultados dos ataques aéreos russos na Síria. (Foto: Ministério da Defesa da Federação Russa)

Apoiar a oposição interna em outros países. Um modo pelo qual a Rússia apoia a oposição interna no exterior é por meio de organizações paramilitares patrocinadas pelo Estado. O emprego dessas forças semiestatais desenvolve um público pró-russo e desacredita outras narrativas, e elas servem como uma força instigadora ou polícia alternativa. Essa poderia ser considerada uma atividade de desorganização. Os cossacos que foram empregados como forças policiais alternativas pró-Rússia logo após a tomada da Crimeia são um exemplo dessas milícias cidadãs que se coordenam e integram operações militares russas. Na atual enciclopédia militar russa, a União dos Cossacos é especificamente designada como uma organização legítima do “trabalho defensivo das massas”30.

Preparar e desdobrar a oposição armada. Dentro do Estado visado, há muitos exemplos de apoio às milícias separatistas no leste da Ucrânia. No final de maio de 2014, por exemplo, um grupo de combatentes externos que apoiava os separatistas ucranianos — o Batalhão Vostok — liderou uma série de ataques dentro e ao redor de Donetsk. Os combatentes, muitos dos quais disseram ser chechenos, apareceram na Ucrânia menos de um mês após o chefe de Estado checheno Ramzan Kadyrov ter ameaçado enviar tropas para combater naquele país. (A Chechênia é um território federal da Rússia.)

Desdobrar forças especiais. O desdobramento de forças especiais pode incluir várias forças militares; por isso, o adjetivo “especiais”, nesse caso, significa mais do que apenas forças de operações especiais. O icônico grupo “Homenzinhos Verdes”, que facilitou a tomada da Crimeia, é um exemplo. Um outro exemplo inclui integrantes de forças armadas regulares empregados na dissimulação, como os utilizados em apoio a grupos separatistas ucranianos. Mais recentemente, foi possível ver forças especiais em seu sentido mais amplo e interagências em novembro de 2018, quando três navios da marinha ucraniana foram apreendidos a caminho de um porto ucraniano no Mar de Azov31. A operação coordenada incluiu forças de várias agências e serviços, incluindo as forças armadas russas. Na Síria, a Polícia Militar Russa, como principal força para proteger e prestar ajuda humanitária, apoia a imagem estratégica russa nesse conflito. Isso demonstra a parte de governo como um todo do novo tipo de guerra, podendo ser considerado como “informações especialmente combinadas” destinadas a influenciar reflexivamente as opiniões de outros Estados.

Conduzir atos subversivos. A Rússia conduz atos subversivos, como no caso do papel de agentes da Diretoria Geral de Inteligência em uma série de assassinatos, sabotagens e outras ações violentas (denominadas mokroye delo) no exterior. Além de atingir os objetivos do ataque, os aspectos de informação e influência dessas operações também servem para desorientar, fragmentar e desorganizar, de acordo com a arte operacional russa.

O relatório da empresa RAND Russia’s Hostile Measures: Combating Russian Gray Zone Aggression Against NATO in the Contact, Blunt, and Surge Layers of Competition (“Medidas Hostis da Rússia: Combate à Agressão Russa na Zona Cinza contra a OTAN nas Camadas de Contato, Avançada e de Escalada da Competição”, em tradução livre) fornece uma análise proveniente de pesquisas focadas em examinar os vários meios e métodos que a Rússia tem usado para ameaçar a segurança e minar a estabilidade dos integrantes da OTAN. Faz parte do projeto de pesquisa mais amplo “Russia, European Security, and ‘Measures Short of War’” (“Rússia, Segurança Europeia e ‘Medidas de Não Guerra’”, em tradução livre), patrocinado pelo Subchefe do Estado-Maior do Exército dos EUA, Operações, Planos e Treinamento (G-3/5/7). O objetivo do projeto geral foi o de fornecer recomendações que servissem de base para as opções que o Exército apresentaria às autoridades de comando nacionais para explorar, aprimorar e desenvolver novas capacidades e lidar com a ameaça de agressão russa na forma de medidas de não guerra. Para acessar Russia’s Hostile Measures, visite https://www.rand.org/pubs/research_reports/RR2539.html.

O relatório da empresa RAND Russia’s Hostile Measures: Combating Russian Gray Zone Aggression Against NATO in the Contact, Blunt, and Surge Layers of Competition (“Medidas Hostis da Rússia: Combate à Agressão Russa na Zona Cinza contra a OTAN nas Camadas de Contato, Avançada e de Escalada da Competição”, em tradução livre) fornece uma análise proveniente de pesquisas focadas em examinar os vários meios e métodos que a Rússia tem usado para ameaçar a segurança e minar a estabilidade dos integrantes da OTAN. Faz parte do projeto de pesquisa mais amplo “Russia, European Security, and ‘Measures Short of War’” (“Rússia, Segurança Europeia e ‘Medidas de Não Guerra’”, em tradução livre), patrocinado pelo Subchefe do Estado-Maior do Exército dos EUA, Operações, Planos e Treinamento (G-3/5/7). O objetivo do projeto geral foi o de fornecer recomendações que servissem de base para as opções que o Exército apresentaria às autoridades de comando nacionais para explorar, aprimorar e desenvolver novas capacidades e lidar com a ameaça de agressão russa na forma de medidas de não guerra. Para acessar Russia’s Hostile Measures, visite https://www.rand.org/pubs/research_reports/RR2539.html.

Empregar novos sistemas de armas. A Rússia tem empregado novos sistemas de armas para obter influência no período de competição. A Unidade 26165, a unidade de hackeamento das forças armadas, é um exemplo bem conhecido. Observou-se, de modo geral, que, no conflito ucraniano, durante outros atos de espionagem e ataques cibernéticos e de software, soldados adversários receberam ligações anônimas em seus celulares, destinadas a intimidá-los ou persuadi-los a abandonar seus postos32. A Rússia também causou interferência nos sinais de GPS durante exercícios militares da Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN) e executou operações de proximidade e laser como provocação contra vários satélites comerciais e militares33. Embora obviamente ofensivos, os testes de munições hipersônicas se enquadram no paradigma do novo tipo de guerra, “defendendo” a Rússia de modo informacional no período de competição.

No todo, conforme prescrito pelo Estado-Maior Geral russo e visto como uma série de métodos da ciência militar russa, o referencial consagrado por Kartapolov pode ser mais rico que outros modelos socioculturais e estratégicos e proporcionar um entendimento holístico de como as forças armadas russas podem observar e lidar com atividades de influência.

“Вперед!” (Avançar!)

O Estado-Maior Geral vem ganhando um papel central entre as organizações de segurança russas no desenvolvimento, integração e coordenação dos conceitos nacionais e da doutrina para a defesa do Estado. Especificamente, na versão preliminar de um futuro decreto presidencial, o Estado-Maior Geral é designado como a organização responsável por supervisionar as forças armadas, as tropas da guarda nacional, as demais formações e agências militares (como o Serviço de Segurança Federal, Serviço de Proteção Federal, Ministério de Emergências) e o complexo industrial de defesa do país, bem como outros órgãos de segurança pública e autoridades locais, em relação a questões de defesa. O próprio Putin declarou que essa era a “organização militar”, criando uma ponte jurídica sobre quaisquer lacunas entre o espaço militar e não militar em termos de coordenar os esforços estatais e de desenvolver esse coletivo de segurança a partir do que havia sido descrito anteriormente na política militar nacional34. Também faz bom uso da arraigada cultura e concepção institucional de planejamento detalhado do Estado-Maior Geral. O Estado-Maior Geral minimizou a importância disso, indicando que, de modo geral, o decreto confere uma autoridade legal mais clara para funções que já são exercidas, como a mobilização e a exportação de armas. No entanto, iniciativas concomitantes, que vêm fortalecendo o comando e controle centralizado e seguro (por exemplo, Centro de Gestão da Defesa Nacional, a Guarda Nacional unificada e as redes de comunicação soberanas e militares), fazem com que seja fácil imaginar atividades de defesa e segurança mais integradas e do “governo como um todo”, interligadas por meio do Estado-Maior Geral. Também não é difícil ver como as forças armadas russas, em tal posição de supervisão, poderão justificar melhor solicitações de verbas e outros recursos estatais. No mínimo, esse fato ajudará o Estado-Maior Geral a formular uma doutrina que supere a confusão inerente que ele detesta, ao mesmo tempo que exerce uma influência mais eficaz no período de competição.

Não muito longe do Aeroporto Internacional de Donetsk, na Ucrânia, um integrante do batalhão Vostok da República Popular de Donetsk patrulha a área residencial Oktyabrsky, em 16 de dezembro de 2014. (Foto: Valery Sharifulin/TASS/Alamy Live News)

No período de conflito que precede o combate real, a competição pela influência é a mais predominante. De acordo com o Estado-Maior Geral russo, esse período é persistente e difuso. É observado e vivenciado por muitos, mas também pode ser difícil de submeter a referenciais de pesquisa e análise. Nem tudo é uma operação de informação. A ciência militar russa fornece uma oportunidade útil para se obter maior clareza. Com base em debates doutrinários ao longo do tempo, o Estado-Maior Geral revelou uma perspectiva estruturada, que visa a justificar um amplo uso de métodos de guerra de informação e outras atividades de apoio, especialmente no período de competição. Esse referencial e consenso quanto às principais formas e métodos — procedentes de sua ciência militar — concedem a um observador externo uma oportunidade de base russa para considerar ações de influência que podem, simultaneamente, englobar aspectos socioculturais, estratégicos e táticos. Concedem aos russos sua melhor instituição para reunir esses aspectos.


Referências

    • Epígrafe. Makhmut Akhmetovich Gareev and Vladimir Slipchenko, Future War (Fort Leavenworth, KS: Foreign Military Studies Office [FMSO], 2007), p. 33.
  1. U.S. Army Training and Doctrine Command (TRADOC) Pamphlet 525-3-1, The U.S. Army in Multi-Domain Operations 2028 (Fort Eustis, VA: TRADOC, 6 December 2018), p. vi, p. 6-7.
  2. Ibid., p. vi.
  3. Para obter informações sobre aspectos notáveis da implementação de ações de influência e operações de informação russas no conflito ucraniano, veja Michael Kofman et al., Lessons from Russian Operations in Crimea and Eastern Ukraine (Santa Monica, CA: RAND Corporation, 2017).
  4. Sarah A. Topol, “What Does Putin Really Want?”, New York Times (site), 25 June 2019, acesso em 11 fev. 2020, https://www.nytimes.com/2019/06/25/magazine/russia-united-states-world-politics.html. Citando Ruslan Pukhov, Diretor do Centro de Análise de Estratégias e Tecnologias, uma instituição de pesquisa militar russa: “Sempre que um observador ocidental afirma ‘os russos fizeram isso, a Rússia fez aquilo’, eu digo: ‘você descreve os russos como se fossem alemães e estadunidenses. Não somos […] Se você não conhece a palavra bardak, é um idiota e não um analista da Rússia. Porque bardak é desordem, é fiasco’”.
  5. I. A. Chicharev, D. S. Polulyah, and V. Yu. Brovko, “Hybrid War: Reconstructionism vs. Deconstructionism”, The Journal of the Academy of Military Science 65, no. 4 (2018): p. 58.
  6. Dmitry (Dima) Adamsky, “Moscow’s Syria Campaign”, Russie.Nei.Visions, no. 109 (Paris: Institut français des relations internationales [Ifri], July 2018), p. 7-8. Utilizando a campanha na Síria, Adamsky descreve os princípios estratégicos de preservação de tensões controladas, suficiência razoável em envolvimento militar e flexibilidade.
    Veja também, por exemplo, Katri Pynnoniemi, “Information-Psychological Warfare in Russian Security Strategy”, in Routledge Handbook of Russian Security, ed. Roger E. Kanet (Abingdon, UK: Routledge, 2019), p. 222, que observa um modelo russo baseado na mentalidade e tradições nacionais russas, apresentando quatro aspectos: “formação de uma imagem positiva da Rússia como um país que está, efetivamente, resolvendo conflitos internacionais; execução de operações psicológicas no nível de consciência individual e de massa, tanto na zona de conflito como fora dela; papel dos serviços especiais russos na execução de operações psicológicas; [e] proteção do público interno e dos órgãos estatais de tomada de decisão contra a influência informacional-psicológica externa”.
    Veja também Graeme P. Herd, “Putin’s Operational Code and Strategic Decision-Making in Russia” in Kanet, Routledge Handbook of Russian Security, p. 17. Herd explica que o “‘código operacional’ de Putin é movido por sua personalidade (em função de sua educação, treinamento, experiências de vida e estado psicológico-emocional)”.
    Veja também Janis Berzins, Russian New Generation Warfare in Ukraine: Implications for Latvian Defence Policy, Policy Paper #2 (Riga, Latvia: Center for Security and Strategic Research, National Academy of Defence of Latvia, April 2014), p. 6. O modelo de oito fases procede do trabalho da Academia do Estado-Maior Geral da Rússia em S. G. Chekinov and S. A. Bogdanov, “The Nature and Content of a New-Generation War”, Military Thought, no. 10 (2013): p. 13-15.
    Heather A. Conley et al., The Kremlin Playbook: Understanding Russian Influence in Central and Eastern Europe (Washington, DC: Center for Strategic and International Studies, October 2016), acesso em 14 fev. 2020, https://www.csis.org/analysis/kremlin-playbook. Os autores descrevem um “círculo vicioso” de influência política e econômica corrupta, que resulta na “captura do Estado”.
    Veja também uma comparação de vários modelos em James P. Farwell, “Adversarial Tactics to Undercut US Interests in New Generation Warfare 2019” (Boston: NSI, 3 May 2019), p. 6-9.
    Veja também Timothy L. Thomas, Russian Military Thought: Concepts and Elements, MITRE MP190451V1 (McLean, VA: Mitre Corporation, August 2019), p. 1-1. Thomas descreve um processo deliberado de “desorganizar uma força oponente, controlá-la reflexivamente, examinar várias formas e métodos de empregar a força por cada Força Singular e encontrar formas inovadoras de empregar a arte militar”, particularmente com foco na fase inicial da guerra. Thomas também relaciona o processo militar como uma “mistura de visão, dissimulação, dissuasão, poder direto, pensamento inovador, preparação e desenvolvimento de realidades alternativas” (ibid., 12-7).
  7. I. N. Vorobyev and V. A. Kiselev, “From Modern Tactics to the Tactics of Network-Centric Actions”, Military Thought 17, no. 3 (2008): p. 84-91, apud Timothy L. Thomas, Kremlin Kontrol (Fort Leavenworth, KS: FMSO, 2017), p. 186.
  8. Por exemplo, o Estado-Maior Geral russo aborda a necessidade de novos procedimentos para superar as lacunas entre avaliações de segurança em nível nacional e no nível das forças armadas em S. P. Belokon and O. V. Kolomoez, “Scientific-Methodological Problems of Estimating National and Military Security of the Russian Federation”, The Journal of the Academy of Military Science 61, no. 4 (2017): p. 4-17. Comparar com a citação sobre bardak de Ruslan Pukhov em Sarah A. Topol, “What Does Putin Really Want?”; e a condiçao “adhocracia” cunhada por Mark Galeotti em Mark Galeotti, “What Exactly are Kremlin Ties”, The Atlantic (site), 12 July 2019, acesso em 14 fev. 2020, https://www.theatlantic.com/international/archive/2017/07/russia-trump-putin-clinton/533370/.
  9. “Military Doctrine of the Russian Federation”, Presidential Decree No. Pr-2976 (Moscow: The Kremlin, 2014), sec. 1, para. 8a, acesso em 14 fev. 2020, https://www.offiziere.ch/wp-con-tent/uploads-001/2015/08/Russia-s-2014-Military-Doctrine.pdf.
  10. Ibid., sec. 2, para. 9.
  11. Ibid., sec. 1, para. 5.
  12. Ibid., sec. 2, para. 11.
  13. V. K. Novikov and S. V. Golubhikiv, “Analysis of Information War in the Last Quarter of a Century”, trans. Harry Orenstein,The Journal of the Academy of Military Science, no. 3 (2017): p. 1-14, referenced in Thomas, Russian Military Thought, p. 8-20.
  14. “Doctrine on Information Security of the Russian Federation”, Presidential Decree No. 646 (Moscow: The Kremlin, 5 December 2016), sec. 23(a) and 23(b), acesso em 14 fev. 2020, http://www.mid.ru/en/foreign_policy/official_documents/-asset_publisher/CptlCkB6BZ29/content/id2563163. A seção 21 assinala as políticas e obrigações das forças armadas, particularmente proteger “as bases históricas e tradições patrióticas” da Rússia; “Putin’s Russian World”, The Moscow Times (site), 6 May 2014, acesso em 14 fev. 2020, https://www.themoscowtimes.com/2014/05/06/putins-russian-world-a35150.
  15. Michael Connell and Sarah Vogler, “Russian’s Approach to Cyber Warfare” (Arlington, VA: CNA, March 2017), p. 3, acesso em 14 fev. 2020, https://www.cna.org/CNA_files/PDF/DOP-2016-U-014231-1Rev.pdf; Timothy Thomas, “Russian Information Warfare Strategy: Can the Nation Cope in Future Conflicts?”, The Journal of Slavic Military Studies 27, no. 1 (2014): p. 101-2; Pynnoniemi, “Information-Psychological Warfare in Russian Security Strategy”, p. 220; Condensed Encyclopedic Dictionary, s.v. “Operations of Informational-Psychological Warfare”, comp. V. B. Venprintsev (Moscow: Goryachaya Liniya–Telekom, 2011).
  16. Pynnoniemi, “Information-Psychological Warfare in Russian Security Strategy” p. 218-19.
  17. Existem inúmeros exemplos na literatura militar oficial russa. Veja, por exemplo, A. A. Bartosh, “A Model of Hybrid Warfare”, Military Thought 28, no. 2 (2019): p. 9.
  18. Veja, por exemplo, “Doctrine on Information Security of the Russian Federation”, sec. 21(e), que descreve a política militar usando a expressão “informações contrárias e informações psicológicas”. Veja uma comparação de “propaganda intencional” e rejeição do termo em Bartosh, “A Model of Hybrid Warfare”, p. 9, p. 14-17. Veja também o tipo de rejeição de termos na descrição de “proteção contra informações e impacto psicológico adversários” em L. A. Kolosova et al., “Moral and Psychological Support System for Combat Troops”, Military Thought 28, no. 2 (2019): p. 167.
  19. Os termos selecionados (propaganda, contrapropaganda, sabotagem, dissimulação, direção errada, defesa, tecnologia de caos controlado, pacote de informações, simulacros, controle reflexivo, desorganização, fragmentação, ataques de informação e canais especialmente criados) foram comparados com base nas seguintes fontes: enciclopédia oficial on-line do Ministério da Defesa russo, acesso em 1 jul. 2019, http://encyclopedia.mil.ru/encyclopedia/dictionary/list.htm; N. N. Tyutyunnikov, “Military Thought in Terms and Definitions”, Military Thought 27, nos. 1-3 (2018); Condensed Encyclopedic Dictionary, s.v. “Operations of Informational-Psychological Warfare”; Military Encyclopedic Dictionary, ed. A. P. Gorkin et al., vol. 2 (Moscow: Institute of Military History of the Ministry of Defence of the Russian Federation, 2001); Soviet Military Encyclopedia, ed. A. M. Prokhorov (Moscow: Military Press, 1986).
  20. Tyutyunnikov, “Military Thought in Terms and Definitions”, p. 242.
  21. Bartosh, “A Model of Hybrid Warfare”, p. 15; A. S. Brychkov, V. L. Dorokhov, and G. A. Nikonorov, “The Hybrid Nature of Future Wars and Armed Conflicts”, Military Thought 28, no. 2 (2019): p. 30; para obter mais explicações e referências sobre o controle reflexivo, veja Thomas, Kremlin Kontrol, p. 175-98.
  22. Tyutyunnikov, “Military Thought in Terms and Definitions”, 1:319-20.
  23. Ibid., 3:137.
  24. Enciclopédia on-line do Ministério da Defesa russo.
  25. Chekinov and Bogdanov, “The Nature and Content of a New-Generation War”, p. 13-15. Os autores continuaram seu argumento com a observação sobre a necessidade da superioridade de informações em S. G. Chekinov and S. A. Bogdanov, “A Forecast fo Future Wars: Meditation on What They Will Look Like”, Military Thought, no. 10 (2015): p. 45, in Thomas, Kremlin Kontrol, p. 98. A proporção de 4:1 consta de Valery Gerasimov, “The Value of Science is in the Foresight: New Challenges Demand Rethinking the Forms and Methods of Carrying out Combat Operations”, trans. Robert Coalson, Military-Industrial Kurier, 27 Feb. 2013. [NT: O artigo traduzido, intitulado “O Valor da Ciência está na Previsão: Novos Desafios Exigem Repensar as Formas e Métodos de Conduzir as Operações de Combate”, consta da edição brasileira de março-abril de 2016.] Charles Bartles, “Getting Gerasimov Right”, Military Review 96, no. 1 (January-February 2016): p. 34. [NT: O artigo traduzido, intitulado “Para Entender Gerasimov”, consta da edição brasileira de março-abril de 2016.] Em sua análise dessa obra, o analista Bartles, do Foreign Military Studies Office, afirma: “O ponto crucial é que, enquanto o Ocidente considera essas medidas não militares como formas de evitar a guerra, a Rússia as considera como guerra”.
  26. A. V. Kartapolov, “Lessons of Military Conflict, Perspectives on the Development of the Related Forms and Methods”, The Journal of the Academy of Military Science 51, no. 2 (2015): p. 26-36.
  27. Veja o emprego literal do texto de Kartapolov sem referência em Chiharev, Poluyak, and Brovko, “Hybrid War: Reconstructivism vs. Deconstructivism”; Brychkov, Dorokhov, and Nikonorov, “The Hybrid Nature of Future Wars and Armed Conflicts”, p. 20-32.
  28. Kartapolov, “Lessons of Military Conflict”, p. 36. Veja também Timothy L. Thomas, “Thinking Like A Russian Officer: Basic Factors and Contemporary Thinking on the Nature of War” (Fort Leavenworth, KS: FMSO, April 2016), acesso em 14 fev. 2020, https://community.apan.org/wg/tradoc-g2/fmso/m/fmso-monographs/194971.
  29. Marnie O’Neill, “Malaysian PM Declares ‘No Evidence’ Russia Shot Down MH17”, news.com.au, 31 May 2019, acesso em 22 jun. 2020, https://www.news.com.au/travel/travel-updates/incidents/malaysian-pm-declares-no-evidence-russia-shot-down-mh17/news-story/7cb88ca51f21007b625d1603a4d183bf.
  30. Enciclopédia on-line do Ministério da Defesa russo.
  31. Roland Oliphant and Rob Crilly, “Russian Special Forces Storm Three Ukrainian Navy Ships Sailing through Disputed Waters Off Crimea”, The Telegraph (site), 26 November 2018, acesso em 25 março 2020, https://www.telegraph.co.uk/news/2018/11/26/russia-fsb-special-forces-seize-ukraine-navy-ships-crimea/, acesso em 14 fev. 2020.
  32. Victoria Vlasenko, “Spam Weapons: In Avdeevka, the Russian Army Used SMS Scare to Deter”, RBC-Ukraine, 3 February 2017, acesso em 25 mar. 2020, https://daily.rbc.ua/rus/show/avdeevke-rossiyskaya-armiya-ispolzovala-ustrasheniya-1486123672.html.
  33. Ryan Browne, “Russia Jammed GPS during Major NATO Military Exercise with US Troops”, CNN, 14 November 2018, acesso em 25 mar. 2020, https://www.cnn.com/2018/11/14/politics/russia-nato-jamming/index.html; W. J. Hennigan, “Exclusive: Strange Russian Spacecraft Shadowing U.S. Spy Satellite, General Says”, Time (site), 10 February 2020, acesso em 25 mar. 2020, https://time.com/5779315/russian-spacecraft-spy-satellite-space-force/, accessed 10 February 2020.
  34. Alexei Ramm, Alexei Kozachenko, and Roman Kretsul, “The Army at Centre of Defence: General Staff Appointed Senior among Security Agencies. It Is Planned to Make General Staff Responsible for Military Organisation in Russia”, Iz.ru, 26 November 2019, acesso em 18 fev. 2020, https://iz.ru/930009/aleksei-ramm-aleksei-kozachenko-roman-kretcul/v-tcentre-oborony-genshtab-naznachaiut-starshim-sredi-silovikov. A “organização militar” ampliada de Putin, descrita em Ramm, Kozachenko e Kretsul, relaciona os atores não militares muito mais especificamente, como aqueles em um “complexo de administração estatal” encontrados na política militar “Military Doctrine of the Russian Federation”, sec. 1, para. 8(j).

Tom Wilhelm é Diretor do Foreign Military Studies Office (FMSO) desde 2007. O FMSO realiza pesquisas em fontes abertas, concentrando-se nas perspectivas externas sobre aspectos pouco estudados ou não considerados do ambiente operacional. Ao longo de sua carreira como oficial especializado em serviço exterior no Exército dos EUA, ele trabalhou e serviu junto a russos e às forças armadas russas em funções diplomáticas, missões operacionais, exercícios de campanha, implementação de controle de armas e programas acadêmicos.

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